ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 11h:45 | Atualizado: 14/06/2018, 12h:00

Fávaro defende punição a sonegadores e garante não atuar apenas ao agronegócio

Mário Okamura

Carlos Favaroa

 

Para dar continuidade a rodada de entrevistas especiais com os pré-candidatos ao Senado, o seguiu para a sede do PSD, em Cuiabá. Desta vez, o bate-papo foi com o agropecuarísta e político Carlos Fávaro. O pré-candidato, que foi vice-governador de Mato Grosso, renunciou ao cargo em abril deste ano. Antes, também passou pela presidência da Aprosoja em 2012, onde permaneceu até 2014, quando, ao lado de Pedro Taques, foi eleito. Se declara "paranaense de identidade, mas mato-grossense de coração" e chegou por estas terras em 1986, quando Lucas do Rio Verde ainda era um "assentamento" de reforma agrária. Assim, se tornou produtor rural. Na política, considera iniciado no movimento que ficou conhecido como "Grito do Ipiranga", em 2005, surgido de uma crise vivenciada pelo setor produtivo e que mobilizou os produtores do setor. Aos 48 anos de idade, sendo 18 deles na política, se sente apto para disputar a senatória. Religioso, pais de duas filhas, defende punição a sonegadores e nega que, como senador, irá atuar apenas ao setor do agronegócio.

Confira os melhores trechos da entrevista:

Como seu currículo, incluindo a experiência como presidente da Aprosoja e vice-governador, lhe diferencia na disputa para uma das vagas ao Senado?

Como produtor de Mato Grosso há trinta anos, gostaria de ter um Estado muito mais paternalista. Todos os meus problemas eram culpa do Estado e, quando eu falo Estado, é o Governo Estadual e Federal. Com o passar do tempo a gente vai se sentindo abandonado, às vezes até revoltado com a posição onisciente do Poder Público. Depois que vim para a política, descobri o verdadeiro papel do Estado. Com essa experiência de vida, como empresário e também entendendo o papel do Estado, tenho o dever e muita capacidade formada para buscar esse Estado eficiente, em mudança de legislação e em um Estado que trabalhe com dignidade os recursos da população.

O Agro em Mato Grosso, em alguns setores, é “demonizado” como quem não paga impostos e vive de incentivos fiscais e desonerações que recebe. Concorda com tal opinião?

É mentira que o agronegócio não paga impostos. Isso são falácias e populismo

Isso é um preconceito, não podemos negar nossa vocação. Nossa vocação é produzir alimento e grão de grande quantidades e a preços acessíveis. Isso traz competitividade. É mentira que o agronegócio não paga impostos. Isso são falácias e populismo. 52% de todo ICMS de Mato Grosso tem origem no agronegócio. O que Mato Grosso não paga é o ICMS da exportação, que é um absurdo. É um absurdo cobrar imposto e exportar imposto, isso perde competitividade. A Lei Kandir é uma Lei importante, mas precisa ser revisada. Que o governo federal faça sua política pública da balança comercial brasileira, mas com seus próprios recursos. Não pode fazer bondade com chapéu alheio, quem está pagando essa conta são os Estados e municípios produtores. É aí que está o grande problema. Precisamos tratar o agronegócio como uma grande oportunidade. Não podemos ter ilhas de prosperidade em Sorriso, em Campo Verde ou em Lucas do Rio Verde, e os outros municípios sofrerem na miséria. Temos que construir o Mato Grosso para o mato-grossense.

Institutos e especialistas dizem que o setor da exportação é a “caixa preta” do Agro, é isso mesmo?

Se tiver algum sonegador de imposto que usa do subterfúgio e falar que vai exportar um produto, vender no mercado interno e pagar o ICMS, só tem uma solução, que é a prisão. Não dá pra proteger sonegador. Eu não faria isso nunca, e nenhum setor apóia isso. O País não é competitivo tributando as exportações. O governo federal tem que ser responsável pelo fundo de compensação. Que compense os Estados e municípios que perdem o ICMS por conta da exportação. Precisamos deixar muito claro, o agronegócio paga imposto sim e Mato Grosso é o único estado que tem o Fethab, inclusive, dobrado nesses últimos anos.

Qual melhor formato para Lei Kandir?

O Brasil é competitivo na Lei Kandir, mas o governo federal precisa ser responsável pela desoneração e tem que criar um fundo nacional. Isso está tramitando no Congresso e, se eu for Senador, vou trabalhar para isso. Para que esse peso não fique na conta dos Estados e dos municípios.

Há outras pautas do Agro no Congresso que o senhor considera importantes?

O Agro tem algumas pautas importantes, mas o mais importante a se dizer é que quero ser senador por todos os mato-grossenses e não só pelo Agro. Tenho muito orgulho da minha origem, muito respeito pelo agronegócio. Vou trabalhar as pautas do Agro porque entendo que isso ajuda e é a nossa vocação. Além delas, vou trabalhar muito as pautas de saúde, infraestrutura e educação, porque entendo que o senador tem que ser responsável por todos os mato-grossenses. Com relação ao Agro, nós temos que trabalhar, por um lado, uma modernização da legislação tributária. Trazer competitividade, empregos e oportunidades para nossa gente. A modernização de legislações com ganho de competitividade internacional nas questões ambientais, trabalhistas, sempre preservando o meio ambiente e o direito do trabalhador, mostrando que Mato Grosso e Brasil produz de forma sustentável. Quero ser um senador para trabalhar nessas modernizações.

Mário Okamura

Carlos Favaro

 Carlos Fávaro diz que deixou vice-governadoria por não concordar com gestão de Taques

O senhor deixou o governo há alguns meses. O que passou na sua cabeça antes do anúncio?

Tenho plena consciência que fui um vice que desempenhei minha função. Dediquei 3 anos e 3 meses cumprindo os compromissos que fiz com a população, porque ninguém agüenta mais uma maquina inchada r que atrapalha. A vice-governadoria não é o final, que tem como entregar um serviço ou um produto do servidor. Ele é um mero mediador de assuntos de interesses da população, além de substituir o titular quando necessário. Com essa filosofia, a primeira coisa que fiz dentro da vice-governadoria foi reduzir o custo dessa máquina. Reduzi em 60% o custo operacional do gabinete. Quando substitui o governador, fiz com muita dedicação. Consegui resolver a greve do Detran, que estava com 60 dias de paralisação, com boa negociação e sem prejudicar os recursos do Estado, tratando os servidores com respeito. Chegou um momento que eu precisava pensar no futuro. O futuro de Mato-Grosso se passa nas eleições de 2018.

Ficou alguma mágoa do governador Pedro Taques?

Não quero ficar criticando o passado, quero olhar para frente. A decisão de renunciar ao cargo mostra que eu não concordo com o modelo de gestão implementado. Infelizmente, gostaria que tivesse dado certo. Renunciei, quero construir um novo projeto. Tenho certeza que é possível e Mato Grosso é muito forte. O estado é muito rico e cheio de oportunidades, merece o melhor. Não ficou nenhuma mágoa, só a questão de que Mato Grosso pode ter um gestor melhor. O que eu posso lhe dizer é que eu acho que Taques não deve ter um novo mandato, pois o Estado merece mais.

A decisão de o PSD não apoiar a reeleição do governador Pedro Taques é irrevogável?

Vamos decidir com o partido até dia 5 de agosto. Somos um partido que estamos em uma fase moderna e democrática. Nós tomamos decisões sempre em conjunto. Fizemos isso em 21 de abril. Ouvimos as lideranças e declaramos independência do governo. Agora, tenho a honra de trabalhar uma candidatura ao Senado e buscar as chapas proporcionais, que serão decisivas em 2018. A decisão final será tomada nesta casa ouvindo as bases. A imensa maioria do PSD quer um novo projeto. Estou trabalhando a concepção de um novo projeto com muita dedicação, mas a batida de martelo será em agosto.

Qual avaliação daz do Governo Taques?

Um governo mediano. Como vice, me dediquei muito. Agora cada um com o peso no seu ombro. Se eu assumisse o governo eu tocaria do meu jeito. O governo não foi tocado do jeito Carlos Favaro de se pensar.

O senhor avalia que também tem responsabilidade por esta avaliação? Acredita que a população pelo fato de ter renunciado, considera uma traição, por ambos terem sido eleitos juntos?

Essa conversa de traição é conversa da nova política. A democracia prevê e eu sou a favor da reeleição. Em 2016,  70% dos prefeitos que tinham direito a reeleição não foram reeleitos. Mas, aqueles que estão indo bem merecem continuar. Ele está no mandato e presta conta do que fez, e se a população avalia que foi muito bem, ele deve continuar. Como vice eu renunciei porque vi que o governo merece mais.

Quantos homens induzem suas parceiras, suas mulheres a praticarem o aborto e para ele não acontece nada?

Contra ou a favor da descriminalização do aborto?

Sou cristão e sou contra o aborto por princípio. Da mesma forma, sou contra a pena de morte. Em relação ao aborto, vejo a sociedade é muito preconceituosa, pois discrimina somente a mulher. Quantos homens induzem suas parceiras, suas mulheres, suas namoradas a praticarem o aborto e para ele não acontece nada? O homem também tem que ser penalizado. Se eu for senador, vou trabalhar a modernização dessa Lei. Em casos de estupro também acho que as crianças não podem ser a vítima, ela não tem culpa disso. Deus vai saber dar a direção para essa mãe e a família cuidar dessa criança que é um ser maravilhoso.

Contra ou a favor da descriminalização da maconha?

Tema das drogas é um tema muito difícil e o mundo está perdendo a guerra para as drogas. Nós temos que trazer nossos jovens para mais perto de Deus, para qualificação, para formação, geração de empregos, para o esporte e convivência familiar. Isso não é só papel do Estado, é papel da família. Mas o Estado pode ser tutor de tudo isso.

Acredita, então, que religião e política podem se misturar?

Não tem como você deixar seus princípios para fazer política. Seus princípios estão dentro de você e é preciso externizar isso.

O congresso discute o reconhecimento da união estável entre casais homoafetivos, assim como a criminalização dos crimes de homofobia. É favorável?

Sou favorável, mas não gostaria de um Estado intervencionista nesta questão. Sexo é algo muito pessoal, cada um tem seu direito, e ser respeitado por isso. O Estado não deve se intrometer, a decisão tem que ser pessoal. Quando você vê o Estado fazendo cartilhas e levando isso na educação, eu acho que ele está passando dos seus limites. O Estado tem que respeitar a individualidade de cada cidadão e não pode ser tutor nestes casos. Deve criminalizar aquele que quiser desrespeitar o direito do outro, mas não deve tentar induzir as crianças ou os adultos a tal forma e prática. Tem que respeitar a posição de cada um, cada cidadão, e se intrometer cada vez menos. Sobre a homofobia, tem que ser tratada como crime.

É favorável ao fim do desarmamento, inclusive, para o produtor rural?

Acho que é um direito do cidadão possuir sua arma, mas quando o Estado se mostra incompetente, ele não pode passar ao cidadão a obrigação de se defender. Não quero sujar as minhas mãos de sangue com um bandido ou invasor de terras. É obrigação do Estado defender a propriedade, o comerciante, o cidadão de bem. A legalização do porte de arma é um direito do cidadão, mas a segurança do cidadão quem tem que fazer é o Estado. Não acredito que a população esteja preparada, acredito até que desaprendeu psicologicamente como usar uma arma.

Sobre a pré-campanha, as viagens estão sendo bancadas por quem? Como prevê a arrecadação para a campanha. Conta com a ajuda de apoiadores e empresários?

Se quero construir uma pré-campanha ou um projeto, será com meus recursos. Por enquanto, não há empresários ou apoiadores.

Mário Okamura

Carlos Favaro

 Pré-candidato Carlos Fávaro (PSD) afirma que cidadão até pode ter arma, mas Estado não pode repassar resposábilidade da segurança pública à população

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Comentários (13)

  • PAULO BOLITA | Sexta-Feira, 15 de Junho de 2018, 19h01
    1
    0

    um cidadão como o sr: CARLOS FÁVARO, MUITO ME ADMIRO QUE SE AFASTOU DO GOVERNO DEPOIS DE FICAR 3 ANOS E 3 MESES , SUGANDO O NOSSO ESTADO, TENTANDO LEVAR VANTAGENS , DEPOIS QUE VIU QUE O ESTADO ESTAVA FALIDO PELA GESTÃO ANTERIOR , VEM COM ESSA CONVERSA DE BLÁ BLÁ BLÁ , SÓ POR ISSO , MOSTROU QUE NINGUÉM PODE TER CONFIANÇA EM QUEM ABANDONA UMA GESTÃO , UMA POPULAÇÃO QUE CONFIOU NELE A ADMINISTRAÇÃO DO NOSSO ESTADO DE MATO GROSSO . O GOVERNADOR PEDRO TAQUES ESTÁ DANDO A CARA A TAPAS , MOSTRANDO QUE NÃO É COVARDE , ELE SABE QUE PEGOU O ESTADO DE MATO GROSSO COMO UMA BOMBA COM EFEITO RETARDADO, MAS ESTÁ AÍ , VENDO AQUELES QUE SE DIZIAM COMPANHEIROS DE UMA TRANSFORMAÇÃO. MAS ESTÁ DE PÉ, ENFRENTANDO E MOSTRANDO CARA A CARA COM OS CIDADÃOS , NÃO COM ESSES POLÍTICOS QUE ASSUME O ESTADO NA CONFIANÇA DE PEGAR O PODER COM FACILIDADE COMO ANTES SE AJEITAVAM . A POPULAÇÃO ESTÁ DE OLHO EM TUDO , A POPULAÇÃO ESTÁ RECONHECENDO A LUTA DESSE HOMEM QUE INVÉRGA MAS NÃO QUEBRA. PARA DEUS TUDO TEM O SEU TEMPO . ESPERO QUE DEUS PROTEJA O NOSSO GOVERNADOR PEDRO TAQUES E QUE ELE TENHA OS SONHOS DELE REALIZADOS E A REALIZAR. Abraços : PAULO BOLITA.

  • joao | Sexta-Feira, 15 de Junho de 2018, 14h08
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    0

    joao, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Maria de Lurdes Oliveira | Sexta-Feira, 15 de Junho de 2018, 07h56
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    0

    Maria de Lurdes Oliveira, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • João batista Da Costa | Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 20h03
    5
    2

    Sinceramente seria o primeiro a se preocupar não somente com o agronegócio pois até aki não vimos qualquer manifestação desses senhores a não ser com o próprio umbigo e com os favores políticos e o resultado ta claramente explicitada no atraso do desenvolvimento do estado (corrupção). E tem alguns líderes políticos dos por quês atuais se lançando a cargos majoritarios como se o hoje nada tem haver com suas gestões passadas

  • Francisco | Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 19h41
    7
    5

    Este Cara nao tem votos. Sera uma decpcao

  • alexandre | Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 17h15
    8
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    ´só defende o Agrosoja e os bois ...

  • Rubens JR | Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 17h01
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    O Fávaro representa o sentimento de mudança, Da nova política, não negocia os princípios morais e éticos. Parabéns Fávaro

  • José Roberto de Freitas | Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 16h46
    9
    8

    O povo de Mato Grosso saberá entender que não pode ficar sem esse rapaz fora do senado. Tem muitas qualidades e ajudará muito Mato Grosso no Senado Federal. Sem vícios que as velhas raposas tem.

  • Robson Souza | Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 16h43
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    4

    Se eu fosse político e estivesse com as prerrogativas que o Fávaro tem, estaria satisfeito porque poucos candidatos tem o que o Fávaro tem. Quem viver verá

  • Roberto Almeida | Quinta-Feira, 14 de Junho de 2018, 16h40
    8
    4

    Um politico jovem, novo, sem vícios, sem manchas e com capacidade de gestão como Carlos Fávaro é o sonho de consumo de qualquer candidato a governador. Além disso, Tem um partido com densidade estrutural e tempo considerável de televisão. Vão quebrar a cara quem apostar no quanto pior melhor. O povo quer mudança e o Fávaro representa isso.

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