ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 01 de Novembro de 2018, 08h:00 | Atualizado: 01/11/2018, 08h:05

Galvan avisa que se houver taxação o agronegócio para de funcionar - assista

Antonio Galvan, presidente da Aprosoja, diz que setor foi pego de surpresa com movimento político

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Antonio Galvan

 

Falta dinheiro na conta do Governo, e as forças políticas miram tentativas de solução com propostas que partam do agronegócio. A taxação das commodities é uma dessas soluções defendidas por políticos, que querem encontrar uma saída para o deficit orçamentário do Estado. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), Antônio Galvan, o setor já contribui e se sacrifica o suficiente pelo Estado, e mesmo que medidas unilaterais sejam tomadas pelo Executivo com aval do Legislativo, adverte que o verdadeiro poder emana do povo, e que os produtores rurais podem correr o risco de produção do Estado, caso fique inviável. Galvan rechaça toda ideia de taxação ou criação de reserva de mercado, como aconteceu em Mato Grosso do Sul. O produtor também critica ao que chama de política de assistencialismo, que tenta retirar recursos dos municípios produtores para ajudar municípios mais pobres.

Leia os principais trechos da entrevista:

Nas últimas semanas se fortaleceu a ideia de que o setor deve ser taxado, ou contribuir mais com a economia do Estado. O que motiva esse ativismo contra o agronegócio?

Fico surpreso, principalmente por sair de um calor de uma campanha, da qual muitos candidatos tiveram frustrações. Até o dia da eleição ninguém falava neste assunto. Acredito que pessoas bastante despreparadas querem se manter em certos cargos, mostrando uma suposta solução para a sociedade, tirando mais de um setor que já vem sendo penalizado, principalmente pela questão logística. Estamos distantes dos nossos consumidores e nada foi feito para melhorar esse problema. O pouco que foi feito teve sempre participação do setor, para poder garantir a retirada de sua colheita. Esses tipos de ataques nos deixa indignados. Como sempre falo, nossa atividade se parece com um eletrocardiograma, vive de altos e baixos, existem anos muito bons, mas ultimamente temos só vivido anos ruins.

Rodinei Crescêncio

Antonio Galvan

Presidente da Aprosoja, Antonio Galvan, em entrevista no Rdnews na semana passada

Ainda sobre a taxação, muito tem se falado sobre o exemplo de MS, que estabeleceu um limite para que parte do que é produzido pela agropecuária seja vendida dentro no mercado interno. Essa perspectiva de controle de mercado é viável?

Isso seria criar uma reserva de mercado, e contradiz com o princípio da livre-concorrência, que também está na nossa Constituição. Se MS ao fazer essa reserva de mercado tivesse resolvido o problema econômico, nós seriamos os primeiros a adotar aqui. Além de não resolver o problema daquele Estado, a iniciativa ainda inibiu o crescimento. E com uma diferença. Precisamos de um estudo geográfico para entender onde está MS e onde está MT. Em média, hoje nós estamos há mil quilômetros a mais de distância para transportar nossos produtos aos centros consumidores, sejam nacionais ou internacionais. Gostaria plenamente de pagar essa reserva de mercado e ter o mar mil quilômetros mais perto de nós. Ninguém faz essa conta. Todo mundo só faz o prático, que é pensar que a solução está na canetada de um governador. Lembro muito bem de Dante de Oliveira, em 1995, quando se instituiu o primeiro programa de incentivo ao algodão, quando tinha os burocratas ao redor dele querendo taxar o algodão. Dante foi muito claro no posicionamento dele, que gerou muita admiração do setor, quando questionou: o que é cobrar 100% de nada, se não existia algodão? A partir daquele momento o Estado passou a ser o maior produtor de algodão do país. Hoje produzimos mais de dois terços de algodão do Brasil.

Qual seria a proposta do setor para o aumento de receita do Estado?

As pessoas não podem viver a vida inteira no assistencialismo

Antonio Galvan

O Estado sempre vai precisar de dinheiro. Mas tem que haver limite. As despesas aumentam, com certeza absoluta. Mas se tem que aumentar receita é com trabalho e produção, não é com canetada criando um novo imposto ou alíquota do que já existe. Tem que se modernizar o pensamento, primeiramente, inovar, e colocar na prática. Não ficar com esse pensamento de política Robin Hood, tirando de quem produz para dar a quem não produz, igual vejo muitos defendendo, que tem que tirar dos municípios que produzem para trazer para os municípios da baixada cuiabana, por exemplo, onde não há produção. Eu não vi até hoje um governante apresentar um programa para Poconé ser uma Sorriso ou uma Primavera. Esse tipo de política é retrograda. As pessoas não podem viver a vida inteira no assistencialismo, mas quem está no Governo tem ter programas para que isso seja feito.  

Quais são as perspectivas em relação a cotação das commodities para o próximo ano? O senhor tem anunciado uma grave crise neste sentido. O que vai provocá-la?

O mercado hoje está baixista, sendo que viemos de uma safra frustrada em nível de Brasil e América do Sul. Na safra passada, o país produziu 108 milhões de toneladas no país, este ano produzimos 80 milhões de toneladas, e ainda tem produto nos armazéns para ser retirado com preço em queda. A tendência é que na próxima safra o volume de milho plantado volte ao patamar de 110 milhões de toneladas no país. Quanto é que vai valer esse produto com a tabela de frete inflacionando o setor? Hoje para levar uma saca de milho para o nordeste, principalmente, Fortaleza (CE), que consome muito por causa da criação de frango e suíno, está custando três vezes mais só por causa do frete para transportar de Mato Grosso até o destino final.

Confira trecho da entrevista de Antonio Galvan em vídeo:

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Comentários (13)

  • Leitura 2 | Sábado, 03 de Novembro de 2018, 15h20
    2
    4

    Sr. Galvan, a quebra do agronegócio será uma consequencia prática da nova matriz da politica externa de Bolsonaro: E.U.A acima de todos! assim teremos o fim do comercio com a China e com todo o mundo Árabe.....

  • ROBERTO BOBÓ CHEIRA-CHEIRA | Sábado, 03 de Novembro de 2018, 12h59
    7
    0

    Vai parar de mamar nas tetas do Estado de Mato Grosso... Vocês vão pra onde? Kkk

  • claudir | Sábado, 03 de Novembro de 2018, 10h17
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    8

    Só os ignorantes pensam que alguém não paga imposto neste país.... quanto mais se gera e gira dinheiro, mais taxas do governo se tem, onde é que não tem imposto ? Dinheiro exala cheiro longe e onde se tem ele tbém tem um monte de urubu carniceiros em cima, sendo assim os políticos enganam os desinformados e analfabetos, onde quem tem dinheiro é o vilão.

  • Renato | Sábado, 03 de Novembro de 2018, 07h31
    0
    8

    Taxar pra roubar mais? Sério que vocês caem nessa conversa de não ter dinheiro? Como que gastaram 500 milhões só em compras de vagões pro VLT se não tinha dinheiro? Sou agricultor, o maior problema de taxar o agro é que ninguém tem um plano pra 30 anos, cada equipe que entra quer resolver seus 4 anos, e assim a taxação seria altíssima...

  • silvio | Sexta-Feira, 02 de Novembro de 2018, 16h56
    10
    1

    Duvido eles pararem, vão para de enriquecer mais ainda ai eu concordo chega, so pobre paga impostos......

  • Cidadão | Sexta-Feira, 02 de Novembro de 2018, 14h06
    10
    2

    Até parece que deu dó deles. Precisa taxar sim, enriquecem sem pagar o respectivo tributo. Tem que pagar sim.

  • JOSÉ PEREIRA FILHO | Sexta-Feira, 02 de Novembro de 2018, 12h23
    10
    1

    Todos nós somos taxados pesadamente, porque o agro não... ninguém vai deixar de plantar e ninguém vai morrer e o estado terá recursos suficientes para implementar políticas públicas, entre elas, a infra estrutura necessária, que o agro mais demanda e consome.... Já tiveram benefícios demais ao longa do tempo, agora é hora de dar a parcela justa e devida de contribuição, pagando os impostos devidos. E ora de acabar com essa "orgia" dos incentivos fiscais. O modelo de privilégios esgotou, para todos. Prof. Me. Zé Pereira

  • José Carlos Fernandes | Quinta-Feira, 01 de Novembro de 2018, 17h29
    17
    2

    Nenhum Barão do agronegócio deixará de plantar em (MT) se ouver "taxação do agronegócio, pois em nenhum lugar do planeta, vc pode fazer pedido antecipado.

  • João batista | Quinta-Feira, 01 de Novembro de 2018, 17h24
    19
    1

    A política ta tão desmoralizado que qualquer proposta para taxar os mas ricos gera reações estúpidas como essas.

  • José Eugênio | Quinta-Feira, 01 de Novembro de 2018, 12h53
    23
    3

    Chega de Bolsa Soja ( LEI KANDIR), PAGAMOS, ÁGUA,LUZ,IPVA,IPTU,ICMS, BAGUAL, SE SITUA,BRASIL ACIMA DE TUDO ( MIMIMI DE VELHACO) PAGA AS CONTAS, A LEI E OS IMPOSTOS TEM DE SER PRA TODOS. PAGA .

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