ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 21 de Fevereiro de 2019, 15h:00 | Atualizado: 21/02/2019, 22h:18

Miss MT acredita que sociedade ainda é machista, racista e defende mudanças

Ingrid Santin, de Rondonópolis, venceu o Miss Mato Grosso e desenvolve projeto de apoio a dependentes

Rdnews

Ingrid Santin

 

Loira, olhos claros e bastante alta, Ingrid Santin tem 25 anos e há mais de uma década mora em Rondonópolis com a família. Ela se destacou na última seletiva e foi  coroada como Miss Mato Grosso, mas se engana quem pensa que o motivo da escolha dos jurados foi o desfile com passos suaves e deslumbrantes na noite de gala. Ela era, além disso, uma das únicas candidatas a sair sempre impecável em cada flash. Quem sabe, porque atua como modelo profissional de passarela e fotográfica desde os 15 anos de idade. Bem articulada, ela revela o principal motivo por ter entrado nesta competição: divulgar um projeto social que atende dependentes químicos em Rondonópolis. Fluente em outras línguas, bagagem também fruto das viagens que fez pelo mundo, comenta que a crise no Brasil não é só a política, mas no excesso de críticas e pouca ação da sociedade. Santin ainda aponta o Brasil como um país com a cultura totalmente machista e que negligência o apoio a mulheres e outras vítimas de violência, como também a racial. Formada em Gestão de Recursos Humanos, acaba de receber uma bolsa de estudos no valor de R$ 50 mil, além de diversos outros prêmios de estética e beleza para concorrer ao título de Miss Brasil, em São Paulo, no próximo mês.

Confira os melhores trechos da entrevista:

Ingrid, você parece muito confortável na passarela. Nem mesmo pareceu nervosa. Foi o primeiro concurso de miss que você participou?

Sou modelo desde os meus 15 anos, mas essa foi minha primeira participação em um concurso de miss. Primeiro foi a fase no concurso municipal em Rondonópolis e, em seguida, no Miss Mato Grosso. Sempre digo que todas as meninas estavam muito bem preparadas, o que fez a diferença foi o brilho que cada uma teve aquela noite, que uma teve mais do que a outra, não que eu estivesse mais preparada. Desde que eu decidi participar, há um ano, venho me preparando. Sou bem tranqüila em relação à conversação e não me senti insegura, era mais uma ansiedade de começar o concurso do que uma insegurança.

Você é uma mulher loira e de olhos claros, alguns haters na internet chegaram a questionar seu mérito para receber a coroa e representar os mato-grossenses no Miss Brasil. O que você achou disso?

Vi alguns comentários que eu só havia ganhado porque meu pai, supostamente, seria fazendeiro (risos). Também ouvi comentários de que por ser loira eu não representaria a beleza de Mato Grosso, mas aqui, durante a colonização, houve uma miscigenação muito grande entre índios, negros e espanhóis. O norte do Estado foi todo colonizado por descendentes europeus, não só aqui, mas no Brasil todo isso aconteceu. A mulher, de uma forma geral, nasceu para quebrar paradigmas e padrões, independente de onde ela venha e como ela tenha nascido, sempre vai estar sujeita a algum tipo de questionamento ou preconceito. Graças a Deus minha família me preparou muito bem para isso. Como já fui para outros países, notei que lá fora também existe preconceito com brasileira e com o tempo aprendi a lidar com essas situações. Nós, enquanto mulheres, temos que estar preparadas para o que vier acontecer neste trajeto, porque,  infelizmente a sociedade nos testa e impõe muita coisa. Estamos sempre sujeitas a julgamentos e muito desmerecimento.

Mário Okamura

MissMT2019

Rdsocial fez cobertura completa do Miss Mato Grosso, na semana passada; na imagem, a miss 2018 Caroline Back passa a coroa para Ingrid Santin

Sendo uma profissional já bem sucedida na sua área, o que te motivou a entrar em um concurso de miss?

Me formei em Gestão de Recursos Humanos e lidar com pessoas foi me acrescentando. Entrei no concurso para divulgar meu projeto social com dependentes químicos, que já existe há dois anos. Vi no Miss uma porta para visibilidade e conseguir espaço para falar sobre isso e expor para as pessoas. Realmente me ajudou muito, hoje consigo voz para falar não apenas sobre mim, mas por eles. O projeto se chama Arco Iris, na Casa Esperança, que foi fundada em 1999. Levamos entretenimento, carinho, atenção e uma palavra amiga. Eles criam laços com a gente. Nosso objetivo também é mostrar que a sociedade pode aceitá-los. Eu e meu namorado criamos tal projeto, ele ainda era muito pequeno, mas tem tomado proporções maiores. Escolhemos essa casa de apoio, mas antes de escolher, fizemos uma ronda por outros lugares que também precisam de ajuda na cidade. No entanto, lá foi um dos lugares que percebemos a necessidade de mais apoio, justamente por se tratar de ex-dependentes químicos, que estão tentando se restabelecer – sofrem muito preconceito.

Você viajou muito, mas resolveu voltar para o Estado. O que te cativa tanto por aqui?

Minha mãe é empregada doméstica e meu pai caminhoneiro, viemos morar em Mato Grosso principalmente por causa dele. O Estado sempre foi um grande exportador e importador, então ele veio trabalhar com o caminhão. Apesar de já ter viajado muito, sempre volto para cá, gosto muito daqui. Além das riquezas e paisagens naturais, Mato Grosso é um grande pólo de agronegócio e falo que se alguém tem interesse em ganhar dinheiro, aqui é o melhor Estado do Brasil para isso. Acredito que ele está em constante crescimento e vai crescer muito mais.

No último ano debates sobre política aqueceram as redes sociais, o país foi noticiado pelo mundo com algumas polêmicas e talvez isso seja pautado entre as perguntas no Miss Brasil ou Universo. O que você pensa sobre?

Mário Okamura

MissMT2019

Ingrid Santin desfila com coroa e faixa de Miss MT 2019

Eu vejo muita conversa e pouca ação, muitas criticas por melhorias e poucas coisas feitas por nós, enquanto sociedade, para mudar nossa realidade. Claro que a política precisa melhorar e muito, mas sou a favor de que independente dos lados que se quer representar, todos esperamos o melhor. Muita coisa pode partir da gente, isso é muito comum em outras culturas, mas no Brasil não é tão freqüente. Por este mesmo motivo criamos o projeto, por acreditar que podemos fazer nossa parte para melhorar o mundo.

Mato Grosso é um dos líderes em violência contra mulher e estamos entre os recordes de feminicídio do país. Diante das estatísticas, acredita que a luta das mulheres é legitima e que o país ainda é machista?

Falta dar apoio para essas mulheres, porque, infelizmente, isso ainda é mínino por meio do poder público. Além disso, falta informação e se a gente fala disso, ainda fala pouco. O medo é constante, quantas mulheres não denúnciam e no outro dia são mortas? É algo que talvez vá demorar para ser mudado, porque o Brasil é totalmente machista e não só isso, machista e racista, além de inúmeras outras coisas – é toda uma cultura que precisa ser mudada. Temos que começar por nós e agora, mas também educando nossos filhos e nossos netos,  para serem pessoas melhores e diferentes, porque são as novas gerações que vão nos levar adiante. Tudo parte da educação e isso também conta com o que você aprende dentro de casa, se é ter empatia e ajudar ou ficar calado.

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Comentários (2)

  • JOSÉ | Sexta-Feira, 22 de Fevereiro de 2019, 18h19
    2
    3

    MISS MATOGROSSENSE É UMA PARANAENSE(SEM QUALQUER TIPO DE DISCRIMINAÇÃO, POIS NO PARANA, ASSIM COMO SANTA CATARINA ESTÃO AS MULHERES MAIS LINDAS DO PAÍS), MAS ENTÃO, PODERÍAMOS ELEGER COMO MISS BRASIL, UMA VENEZUELANA, UMA VEZ QUE A VENEZUELA(POR INCRÍVEL QUE PAREÇA), É O PAIS QUE POSSUI AS MULHERES MAIS BONITAS DA AMÉRICA DO SUL, INCLUSIVE VÁRIAS DELAS JÁ FORAM MISS UNIVERSO, 07 VEZES E O BRASIL SÓ 02. ME DESCULPEM AI MAS, PRA MIM MISS MATO GROSSO TEM QUE SER MATOGROSSENSE ASSIM COMO MISS BRASIL, TEM QUE SER BRASILEIRA, SIMPLES ASSIM. É OU NÃO É??? SE ELA FOR MISS BRASIL, TODOS IRÃO DIZER: A NOVA MISS BRASIL É A PARANAENSE..... NINGUÉM VAI NEM LEMBRAR DE MT, ESPORADICAMENTE, RARAMENTE IRÃO DIZER: ""ELA REPRESENTA OU ELA É MISS MATO GROSSO,,,,"" POR OUTRO LADO, ''''A PARANAENSE INGRID, ESTÁ DE PARABÉNS POR SER REALMENTE LINDA E DEMONSTRAR NÃO SER UMA JOVEM FÚTIL, MAS, PORÉM, ENTRETANTO, NÃO É MATOGROSSENSE. NESSES CASOS FALAR QUE É DE CORAÇÃO NÃO VALE, TEM QUE SER MATOGROSSENSE SANGUE PURO DE ORIGEM, ASSIM COMO A MISS PARANAENSE DEVE SER SANGUE PURO DE ORIGEM DO PARANA. DA BAHIA BAIANA, DE GOIÁS, GOIANA, DO RIO, CARIOCA, DE MINAS GERAIS, MINEIRA E ASSIM POR DIANTE.É O QUE EU PENSO.

  • Luh | Quinta-Feira, 21 de Fevereiro de 2019, 18h04
    6
    0

    Isso ai Menina Linda! Além de linda muito inteligente. Sucesso,Sucesso

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