ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 09h:32 | Atualizado: 02/08/2018, 11h:37

Coordenadora do DCE diz que críticos ao movimento estudantil são pessoas leigas

Aos 23 anos, estudante Danifan Madalena é uma das líderes estudantis da UFMT e fala sobre estigmas

Rodinei Crescêncio

Danifan Madalena

 

Na história recente do país o movimento estudantil universitário brasileiro se transformou em um importante foco de mobilização social. Desde as décadas de 1960 e 1970, a capacidade de mobilizar expressivos contingentes de estudantes para participarem da vida política do país foi de extrema importância para os rumos da sociedade, como o fim da ditadura, as Diretas Já! e as manifestações de junho de 2013. No entanto, tal movimento é vítima de estigmas de parte da opinião pública. Para falar sobre isso, o conversou com a estudante de Letras Danifan Madalena, que aos 23 anos é uma das coordenadoras do Diretório Central dos Estudantes (DCE) na UFMT. Na entrevista, a jovem fala sobre o preconceito contra o movimento e da importância desta representação para a conquista e preservação de direitos.

Confira os melhores trechos da entrevista:

Desde quando você é coordenadora do DCE e o que fez despertar interesse  pelo movimento?

Faço parte da coordenação desde 2016, na gestão Recomeçar. Este ano continuei na coordenação. Meu interesse surgiu quando entrei na universidade e entendi que os direitos e conquistas foram alcançados em nossa sociedade com a luta. Alguns dos meus professores participaram do DCE na época em que eram estudantes. Me inseri no Centro Acadêmico na Faculdade de Letras, como presidente da gestão “O cortiço”. Entrei como cooperadora e com meses de ajuda e muito trabalho em equipe viram meu esforço de estar junto com todos e me colocaram na coordenação geral.

Atualmente, quais as maiores dificuldades para o movimento estudantil nas instituições?

Acredito que a maior dificuldade do movimento estudantil atualmente são as questões político-partidárias. A ideologia partidária é necessária, porém faz com que o movimento se rache. Existem outros fatos, a falta de representatividade do movimento nas decisões políticas ou a dormência do movimento quando tudo está certo. O movimento para quando não se tem nada para lutar ou defender.

Arquivo Pessoal

Danifan Madalena

No 3º ano da Faculdade de Letras da UFMT, Danifan é uma das coordenadoras do DCE e pontua que ideologias políticas prejudicam movimento estudantil

Em sua opinião, qual a importância dessa representatividade para a conquista e preservação de alguns direitos?

É de extrema importância. O movimento estudantil é sinônimo de conquistas e garantia de direitos. Não somente dentro das instituições de ensino, mas na sociedade. É por meio da organização estudantil que a maioria, senão todos, os direitos e conquistas foram alcançados em nossa sociedade. O voto aos 16 anos, recursos do pré-sal para a educação, o Plano Nacional de Educação e outros. Um dos ganhos sociais que mais marcou a história do movimento estudantil brasileiro foi a Diretas Já.

Por que acredita que a central de estudantes é taxada com alguns preconceitos, principalmente, quando ocorrem ocupações e greves nas instituições?

Falamos por todos os estudantes. Quando ouvimos algo contra o movimento, percebemos pessoas leigas, sem entendimento da necessidade de estar na luta, sejam elas as ocupações, greve, entre outros meios. São armas de instrumento que há muito tempo foram usadas. Vimos resultado nas últimas ocupações. Acredito que o sucateamento do ensino público não é uma ação espontânea, oriunda simplesmente de uma “crise econômica”. É de um governo golpista querendo privatizar as universidades.

Por que a esquerda, neste caso, parece tão complementar nas causas estudantis?

Essa afirmação provém da história. Os principais líderes e defensores estudantis defendiam a nação, a educação, a soberania nacional. E esses princípios são princípios de esquerda. A UNE é dirigida pela esquerda, mas especificamente pela UJS e pelo PCdoB há 30 anos.

Aas lutas travadas pelo movimento estudantil tem princípios da esquerda

Danifan Madalena

Isso, de alguma forma, prejudica ou favorece o debate e a imagem desses movimentos?

Seria uma resposta bem complexa. Resume no fato de que as lutas travadas pelo movimento estudantil tem princípios da esquerda. Vale ressaltar também que a direita não consegue se apossar da liderança desse movimento, porque, historicamente, não traduzem aquilo que o movimento estudantil trava em suas batalhas.

Acredita que existem interpretações errôneas sobre as pautas? Falta participação dos estudantes?

Neste ano os estudantes da UFMT nos surpreenderam. A maioria dos estudantes foram contra o aumento da alimentação e quando o DCE puxou assembléia geral, 90% dos discentes votaram sim para greve. Nesse processo pudemos observar a unidade, pois é algo que todos seriam prejudicados. Nessa trajetória de luta de greve, muitos estudantes cresceram politicamente. Muitos não sabiam da existência do Consepe (Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão) e Consuni (Conselho Universitário). Foi de luta e resistência e conhecimento dos problemas gerais dentro da Universidade.

E em relação ao sucateamento do ensino público?

O sucateamento do ensino público não é uma ação espontânea, oriunda de uma “crise econômica”. É um projeto neoliberal que visa privatizar o ensino público. Desmantelando as bases que ainda mantém a qualidade do ensino, investidores, em sua maioria estrangeiros, tomaram conta desse meio e lucram em cima da necessidade do povo se educar. A qualidade que já não é boa, tende a piorar. Esse processo atinge outra áreas como, por exemplo, a saúde. O Hospital Universitário Julio Muller está com a administração de empresas terceirizadas e de saneamento.

Como avalia o trabalho da reitora Myrian Serra até o momento?

Logo se ausentou pelo seu estado de saúde. Com sua ausência o reitorado ficou nas mãos de pessoas inexperientes, observamos os ocorridos dentro da universidade, da falta de comunicação com os estudantes. O DEC teve grande dificuldade nos diálogos. A equipe atual está perdida nas sua relações institucionais, muitos burocráticos e assim dificulta o dia a dia na universidade, mais do que é preciso.

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Comentários (7)

  • Rogério Cavalli | Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 22h24
    14
    0

    Falta de assunto, hein Rdnews! Só pode, para entrevistar essa nulidade Esquerdopata bolivarianus.

  • alexandre | Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 16h21
    19
    2

    não leigo é quem segue a ideologia de esquerda sem questionar nada ? ditadura de esquerda, do proletariado, é ditadura do mesmo jeito.a propaganda da esquerda pé bem diferente do mundo real, vide venezuela e Nicaragua.

  • alexandre | Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 12h29
    20
    2

    movimento estudantil, massa de manobra das esquerdas, quem estudou na Federal conhece o discurso, alguns vão pro mercado de trabalho, amadurecem e esquecem o PT, outros nunca amadurecem do discurso da década de 80, nos contra eles, viva Che ...que virou viva lula..

  • alexandre | Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 12h23
    19
    2

    peteba, psol, pco do B. soberania ? então manda a Bolivia devolver a refinaria da petrobras, que o lula deu...

  • JEFERSON MATOS | Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 11h56
    20
    2

    PELAMORDEDEUS O DCE ARREBENTA COM A UFMT. É LUGAR DE GENTE QUE NÃO QUER ESTUDAR E SÓ QUE VIVER LÁ DE AJUDAS E BOLSA POR 10 ANOS SEGUIDO SEM TERMINAR O CURSO QUE COMEÇOU.

  • Benedita da Silva | Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 10h14
    27
    1

    Futura candidata a vereadora, deputada, como velho discurso das zelites, é o DCE hoje é o eco da esquerda festiva, radicalizada no movimento estudantil e parte do movimento docente. Para quem coordena este diretório central, massa de manobra dos chamados partidos de esquerda, com repertório e narrativas ultrapassadas, não surpreende no atual contexto do DCE, que já foi mais democrático.Sua argumentação e frágil, mas mostra que aluno hoje na UFMT só quer direitos e não deveres. Um museu de novidades, o tempo passou na janela, só o DCE não viu

  • Chacal | Quinta-Feira, 02 de Agosto de 2018, 10h08
    24
    3

    Movimento estudantil e nada são a mesma coisa, tempo perdido com discursos utópicos de adolescentes sonhadores.

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