ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 22 de Agosto de 2020, 08h:13 | Atualizado: 24/08/2020, 07h:50

Diretor do TRE-MT espera bom senso de candidatos para evitar contágio da Covid

Mauro Diogo fala sobre preparativos para as eleições municipais e ao Senado, que custarão R$ 16,7 mi

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Mauro Sergio Rodrigues Diogo

Com o primeiro turno das eleições municipais e a suplementar ao Senado marcados para 15 de novembro, a campanha vai exigir “bom senso” dos candidatos para evitar o contágio pelo coronavírus. A avaliação é do diretor-geral do Tribunal Regional Eleitora (TRE-MT), Mauro Sérgio Rodrigues Diogo, em entrevista ao . Não há proibição para reuniões, comícios, carreatas, distribuição de santinhos e outras atividades de campanha que podem gerar aglomeração. O diretor do TRE-MT ainda cita que existe, sim, um temor que a pandemia afaste mesários e eleitores, mas pondera que a Justiça Eleitoral irá fornecer Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e adotar protocolos baseados na ciência para evitar a disseminação do vírus, especialmente no dia da votação.

Veja os principais trechos da entrevista, feita de forma remota:

Como o TRE-MT está se preparando para a organização do dia da votação, em relação aos cuidados para a não proliferação da Covid-19?

Realmente, nós da Justiça Eleitoral como um todo, estamos, em virtude da pandemia, com uma grande parceria ouvindo especialistas da área. Para a gente ter noção, hoje, temos tido contatos semanais e reuniões com o Hospital Albert Einstein, Hospital Sírio Libanês, com a Fiocruz. Está sendo feito um grande planejamento nacional com epidemiologistas, infectologistas, biólogos, até matemáticos participam desse grupo, para que a gente tenha uma eleição com a maior segurança possível. Nós devemos, até o final deste mês, fechar esse protocolo de segurança das eleições. Por um pedido nosso aqui de Mato Grosso, esse grupo deve também fazer um protocolo específico para as aldeias indígenas, que é uma situação bem delicada. De qualquer forma, nós estamos trabalhando dia e noite, sem achismos. Foi montado esse grande laboratório no TSE simulando praticamente todas essas etapas de votação. Uma primeira etapa já foi definida, que é a exclusão da identificação por digital do eleitor. Os cientistas entenderam que era uma das medidas possíveis de tentarmos eliminarmos a proliferação do vírus, isso já está definido, de modo que não teremos, em razão da pandemia, essa identificação biométrica dos eleitores.

Sem essa identificação biométrica, a Justiça Eleitoral já tem uma perspectiva de quanto tempo o eleitor vai demorar para efetuar seu voto?

Acreditamos que não deve demorar mais que 30 segundos. A ideia desse protocolo é evitar ao máximo o contato do eleitor com o mesário. Estamos pensando nesse protocolo de ter uma bandeja disponível para cada sessão. O eleitor coloca seu documento, de forma que o mesário não tenha que pegar em mãos. Se não tivermos essa bandeja, que coloque o documento na mesa, para que o mesário que vai trabalhar tenha o mínimo de contato possível em relação à preservação da saúde, tanto do mesário quanto do eleitor. Lembrando que também nós estamos, na Justiça Eleitoral como um todo, fechando grandes parcerias com as maiores empresas do Brasil e da América do Sul para doações de EPIs. Está praticamente garantido que tenhamos máscaras descartáveis para todos os mesários, álcool em gel para todos os mesários... se for possível e viável também o face shield (aquelas máscaras de proteção de acrílico) também serão disponibilizadas... e álcool em gel para os eleitores. Vai ser uma operação muito grande.

Existe um temor de que a situação atual afaste mesários e demais convocados para trabalhar no dia da votação?

Bem lembrado. Estamos fazendo campanhas em nível local, regional e nacional. Estamos alertando basicamente o seguinte: sem mesário não tem eleição. Só em Mato Grosso estamos falando de cerca de 30 mil pessoas, é um contingente muito grande, a gente pode dizer que é a maior operação logística do Estado. Aquele eleitor que for do grupo de risco e apresentar algum atestado, alguma situação de que é realmente inviável a participação dele, logicamente nós vamos analisar com todo cuidado, com toda sensibilidade, não queremos expor ninguém, principalmente do grupo de risco.

Mauro, e com relação aos eleitores, o senhor acha que essa situação também pode afastá-los? A abstenção tende a ser maior?

Também é um fator que deve crescer, a tendência é, infelizmente, que cresça essa abstenção. Mato Grosso, e o Brasil como um todo, historicamente nas últimas eleições, essa abstenção tem girado em torno de 20%, 22%, 23%. E neste ano, por conta da pandemia, a tendência é que ela seja aumentada, sim. No momento oportuno a gente vai fazer campanha em relação a isso. Nós tivemos uma experiência recente na França. Em junho ou julho tivemos eleições lá, que é um país bem menor que o nosso, tem cerca de 44 milhões de eleitores, e o voto é facultativo. Ainda assim tivemos uma abstenção bem grande, que girou em torno de 60%. Lembrando que no final de junho nós estávamos com uma curva muito pior e mais ascendente em relação à pandemia. Acreditamos, conforme os especialistas que estão nos ajudando com isso, que a tendência, não só em Mato Grosso, mas no Brasil, é que no final de outubro e início de novembro essa curva esteja em baixa. Mas é uma preocupação sim. Quanto mais eleitores votando, maior a legitimidade do processo, não tenha dúvida disso.

 

Há alguma proibição da Justiça Eleitoral quanto a realização de reuniões políticas, arrastões e comícios durante a campanha, por conta da necessidade de distanciamento social?

Essa questão preocupa. Essas regras de propaganda em geral estão mantidas. Não está proibido reuniões, comícios, carreatas, distribuição de santinhos e tudo mais, mas contamos com o bom senso dos candidatos. O candidato que ainda confia que sair na rua, apertar a mão e dar tapinha nas costas, vai fazer com que ganhe a eleição, eu acredito que deve rever seus conceitos.  Acredito que reuniões virtuais é o caminho. Nessa linha de evitar aglomerações, teve uma mudança em resoluções do TSE, flexibilizando as convenções partidárias (de 31 de agosto a 16 de setembro), permitindo a realização de forma remota e virtual. Um avanço muito grande. É facultativo, mas incentivamos que os partidos façam essas convenções de modo virtual.

Reprodução

Mauro Sergio Rodrigues Diogo

Diretor-geral do TRE-MT, Mauro Diogo, durante entrevista remota aos editores Mikhail Favalessa e Airton Marques, quando falou sobre eleições

Qual o valor fixado para gasto com as eleições municipais deste ano? O fato de a suplementar ao senado ser realizada em conjunto deve aumentar esse valor?

No início do ano nós tínhamos a previsão da realização das eleições suplementares ao Senado no dia 26 de abril. Na época, provocamos o TSE em relação a isso e havia um orçamento separado das eleições municipais. Esse orçamento do pleito ao Senado estava em torno de R$ 13 milhões. Em virtude da pandemia, tivemos a suspensão dessas eleições e remarcação para 15 de novembro, junto com as municipais. Por ser uma eleição em todo o estado, não havia sentido realizar um pleito em novembro e outra depois.  Nós já devolvemos ao TSE esse orçamento. Então, teremos uma economia de R$ 13 milhões. Hoje sobrou, para que façamos as eleições unificadas, o orçamento que seria só para as eleições municipais, R$ 16,7 milhões. Se dividirmos esse número pela quantidade de eleitores (2,3 milhões), teremos uma média de R$ 7,60 por eleitor. É um pouco abaixo das eleições de 2018. A gente está fazendo essa grande economia, eliminando pleitos distintos. O orçamento é enxuto, mas será suficiente.

O senhor citou as doações de álcool em gel e EPIs, qual a estimativa de economia?

Nós temos uma estimativa em nível nacional. O TSE estima que receberá doações em torno de R$ 60 milhões. Essas empresas estão contribuindo com a democracia.

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Comentários (5)

  • luiz alberto | Domingo, 23 de Agosto de 2020, 20h18
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    Espero bom senso do eleitores em seu voto. Parabéns pela ótima entrevista.

  • Marcio | Sábado, 22 de Agosto de 2020, 22h17
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    A grande maioria dos nossos políticos nem sabem o que significa bom senso !!

  • Diego | Sábado, 22 de Agosto de 2020, 20h50
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    Vergonha falar em bom senso, O coro vai comer e aglomeração e circulação do vírus.. parabéns por organizar as regras

  • Joao paulo campos | Sábado, 22 de Agosto de 2020, 20h12
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    Bom senso??? Vcs resolvem fazer eleições em plena pandemia e pedem bom senso dos candidatos? Quem deveriam ter bom senso são vcs do TRE e os Deputados e Senadores que resolveram fazer a eleição este ano, agora aguentem, eleição vale tudo! Vcs que são os responsáveis.

  • Gutemberg Abreu | Sábado, 22 de Agosto de 2020, 09h21
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    O bom senso em campanha politica nunca foi respeitado, se não for pelo rigor da Lei os candidatos irão para as ruas e irão fazer comícios e reuniões com churrasco e distribuição de dinheiro vivo, que sempre aconteceu aqui em Alto Garças. o certo é proibir palanques e aglomerações.

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