ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 20 de Junho de 2020, 09h:48 | Atualizado: 20/06/2020, 09h:49

Fazendo quimio contra câncer, prefeita fala da incerteza sobre disputar reeleição

Thelma de Oliveira foi entrevistada de forma remota e falou sobre ações de combate a Covid-19

Dayanne Dallicali/Arte/Rdnews

Thelma de Oliveira

Em meio ao combate da Covid-19, a prefeita de Chapada dos Guimarães, Thelma de Oliveira (PSDB), começou uma luta pessoal: o tratamento contra um câncer de mama, descoberto em março deste ano. Após passar por uma sessão de quimioterapia, a tucana ainda tem pela frente outras três, e ainda não sabe se irá enfrentar a campanha pela reeleição. Tucana com longa carreira política, demonstra grande dificuldade de se afastar da vida política. Quanto as ações contra o novo coronavírus, a gestora demonstra preocupação com a arrecadação da prefeitura que, segundo ela, já teve queda de 90%, desde que o setor do turismo foi atingido diretamente, por conta da necessidade do isolamento social. Com 23 casos confirmados e 2 óbitos, a prefeita ressalta que a luta agora é para manter o município no patamar “moderado” no sistema de classificação de risco das cidades de Mato Grosso, em relação a Covid-19.

Confira os melhores trechos da entrevista feita por meio de videoconferência:

No início da pandemia, em março, a senhora chegou a fechar o comércio, depois reabriu. O que levou a tal decisão?

Quando a pandemia começou, ninguém sabia, exatamente, do que estávamos tratando. Deixou todo mundo em pânico. Houve uma pressão forte por parte da população para que se fechasse a cidade, numa tentativa de impedir pessoas de fora. Determinamos o fechamento, deixando apenas o comércio essencial. Depois, nós fomos nos informamos, formamos o comitê de enfrentamento a Covid-19 (formado por representantes de diversos setores, como do Executivo e Legislativo municipal). Nesse grupo, foi definido critérios de prevenção, que devem ser adotados por cada casa e estabelecimento comercial. Permitimos a reabertura, ao mesmo tempo em que ocorreu reforço da equipe de fiscalização. Foi um processo de aprendizado aos gestores e população, pois estamos aprendendo a lidar com essa pandemia.

Reprodução

Thelma de Oliveira

A prefeita Thelma de Oliveira (PSDB) durante entrevista remota com o jornalista Airton Marques, quando falou do combate à pandemia da Covid-19

Então, neste momento, o comércio funciona seguindo essas regras?

Sim. Após o novo decreto do Governo (que criou um sistema de classificação de risco quanto ao coronavírus), nós estamos adotando critérios de crescimento da contaminação, taxa de ocupação dos leitos clínicos e de UTIs para a doença na rede pública e também pelo número de casos ativos. Como o município está classificado como moderado, vamos continuar com o comércio funcionando, com todas as restrições, como estava fazendo antes. Nossa luta agora é não sair desse patamar.

Chapada tem uma preocupação grande com a situação da Saúde de Cuiabá. Por qual motivo?

Nós temos uma UPA que foi inaugurada em 7 de março - ela passou 10 anos fechada e Deus nos iluminou, pois deixei de realizar diversas outras coisas para inaugurá-la, e nem sabia que viria a pandemia. Pela unidade, só podemos estabilizar os pacientes, temos um leito de isolamento e tentaremos montar mais um. Mas, a nossa orientação pelo Ministério da Saúde é que devemos estabilizar e fazer a regulação em Cuiabá e Várzea Grande. A partir do momento que estabilizamos e caso o paciente precise de um leito de UTI, temos que mandar paras esses dois municípios. Nosso trabalho é limitado, mas nos esforçamos para que não haja necessidade de enviar pacientes.

Chapada tem o turismo como sua principal fonte de renda. Como fica a arrecadação do município neste período, em que este setor parou de funcionar?

Acredito que nossa queda de arrecadação já chegou a 90%. Dentro das pousadas e outros setores, chega a 70%. Não tem como isso não acontecer em um município como o nosso, que depende da vinda dos turistas. Por isso que não podemos fechar o comércio de uma vez. É uma cidade que depende do serviço.

No início do mês a senhora anunciou a descoberta de um câncer de mama. Como foi essa descoberta?

Em 4 de novembro eu tive uma trombose no braço esquerdo e fui para a UTI. Fiz uma cirurgia e me curei. Mas, os médicos ficaram intrigados, pois não é normal ter uma trombose no braço, normalmente é na perna. Começaram um processo investigativo para descobrir o que teria gerado essa doença. Após vários exames, foi detectado esse câncer, fiz biópsia, e a cirurgia no dia 27 de março. Levei um susto, claro, pois sou uma pessoa extremamente saudável e ativa. Mas, Deus não dá nenhuma carga que não se consiga carregar. Isso começou quando perdi o Dante (ex-governador que morreu em 2006). Éramos um casal político e, de repente, ele foi embora. Na época, acreditei que minha vida política havia acabado, mas as pessoas não deixaram. Diziam que precisava continuar o legado de Dante. Agora, tenho mais uma luta, além de todas já existentes na prefeitura. O município não tem um mamógrafo. Então, agora, minha luta, com o apoio dos deputados estaduais, é trazer um mamógrafo para o município, pois o índice de câncer de mama é grande. Vou desenvolver um programa para as mulheres de Chapada que não tem as mesmas condições que eu, uma mulher privilegiada. Vai ser meu grande desafio daqui para frente.

O início do tratamento ocorre próximo ao período eleitoral. A senhora pode desistir de buscar a reeleição?

Não tenho condições de, por vontade própria, falar que quero ou não ser candidata à reeleição. Já fiz a primeira quimioterapia e vou fazer mais três. Depois, faço novos exames e, se os médicos entenderem que isso será suficiente, passo para o processo de acompanhamento por mais cinco anos. Independentemente de qualquer coisa, sou partidária. Mesmo que eu não possa ser candidata, apoiarei o candidato que dê continuidade ao trabalho que tenho feito. Vai ser uma decisão a ser tomada em várias frentes: o PSDB, os médicos e a família. Nesse momento não tenho como afirmar o que vou fazer.

Existe algum nome que pode substituí-la?

O partido tem. Muitas vezes, a gente fica trabalhando um nome único, mas o partido tem outras opções. Neste momento, ninguém se coloca à disposição, por respeito ao eleitor. Muitas famílias perdendo parentes e amigos. Não discuto eleição, pois minha cabeça deve estar focada na questão da Covid-19, assim como nesse momento particular, de tratamento contra o câncer.

Existe projeto no Congresso para adiar as eleições de outubro para 2022, prorrogando também os mandatos de prefeitos e vereadores. A senhora concorda?

O que me preocupa é o processo eleitoral como um todo. Me lembro de uma eleição unificada e foi uma confusão danada. Sou a favor de adiar, mas não tenho uma opinião formada quanto a unificação (com as eleições gerais). Acredito que isso é muito complicado.

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Comentários (2)

  • Coelho | Sábado, 20 de Junho de 2020, 20h11
    7
    0

    Senhora tem grande nome sai da política vai cuidar da SAUDE VAI VIVER

  • Amigos Leais | Sábado, 20 de Junho de 2020, 16h49
    6
    2

    Amiga Thelma , reflita e decida o seu futuro, se depender dos seus verdadeiros amigos, ESQUEÇA disputa eleitoral, mandato, sucessão,Partido, aliados, Municipio de Chapada e Estado de MT: cuide da sua saúde, faça direitinho o pesado tratamento quimioterapia que irá enfrentar, cure a sua doença, e viva mais um pouco a sua vida. O povo e a politica, é muito INGRATA, muitas vezes el deixa voce, quando mais voce precisa dela, então aproveite esta chance, Tenha fé em DEUS e na Virgem Maria, procure a CURA e viva a sua vida, oque voce tinha que fazer pelo povo já fez. Obrigado amiga Thelma de Oliveira.

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