ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 24 de Outubro de 2020, 09h:30 | Atualizado: 24/10/2020, 11h:32

Hoje é fácil bater no PT, mas o combati quando ele comandava país, diz Medeiros

Rdnews continua entrevistas com candidatos ao Senado: Medeiros diz que no Twitter é “UFC total”

selo elei�es 2020

Vice-líder do Governo Bolsonaro, o deputado federal José Medeiros (Podemos) sonha com o retorno ao Senado, onde surgiu politicamente em 2014, ao assumir a cadeira do ex-senador Pedro Taques (Cidadania) – então eleito governador. Lembrado principalmente pelas discussões pessoais e virtuais contra petistas nacionais, o candidato ao Senado destaca sua familiaridade com as redes sociais, principalmente o Twitter, plataforma em que fica praticamente 24h conectado. Defendendo as pautas bolsonaristas no Congresso, aposta que a retomada econômica e social no pró-pandemia passa, por exemplo, pela regularização fundiária. Alvo dos ataques de candidatos que representam a mesma linha ideológica, Medeiros defende que antes votar em outro direitista do que o eleitor dar seu voto para um concorrente da esquerda.

Dayanne Dallicani/Arte/Rdnews

Jos� Medeiros raioX

Confira os principais trechos da entrevista gravada de forma remota na segunda (19):

O senhor já foi senador por 4 anos, quando substituiu o ex-governador Pedro Taques. Nesse período, qual ação o senhor destacaria para justificar uma volta ao Senado?

Estive representando o estado em sua plenitude. Tenho dito que o senador precisa ser do Mato Grosso e não de segmentos, tem que representar toda a sociedade e os municípios e não regiões. E tem que ser um senador que não tenha dono, que seja a voz dos anseios e necessidades do estado. Quando estive no Senado, fui essa voz e estive entre os 10 melhores do país. Estive entre os mais produtivos e estou no meu melhor momento para ajudar. Melhor posicionamento, não é prepotência ou arrogância, é que pelo fato de estar na vice-liderança do governo Bolsonaro e o único reconduzido pela proximidade que tenho com os ministros, Mato Grosso pode se beneficiar muito.

O senhor ganhou destaque por conta dos ataques feitos aos colegas petistas, em um período que crescia o antipetismo no país. O senhor acredita que tal movimento já perdeu força?

O mandato não pode te ruma bandeira só, porque fica manco, monotemático

José Medeiros

Todo mundo está batendo no PT, mas eu combati o PT quando ele dominava o Congresso Nacional e ainda estava na presidência e quando ninguém ousava falar em impeachment, eu falei. Quando ninguém ousava bater em Lula, eu falei dos desmandos de seu governo. Hoje, todos batem, isso é fácil. Mas a bandeira do meu mandato são as necessidades do estado. Sempre fui um senador de causas, mas as rotinas de demandas se apresentam de acordo com o momento político e econômico. Sempre fui um defensor, junto de Ana Amélia, Magno Malta, Caiado e Bolsonaro, da vida, combatendo aborto e liberação das drogas. Isso nos costumes, valores, pilares que sustentaram a sociedade até hoje, valores de nossos pais e avós. No estado, defendi a agricultura, do pequeno ao grande e fui responsável pela lei que ajudou na regularização fundiária e deu 80% no crédito fundiário. Muita gente recebe o título por ações que fiz no Senado. O mandato não pode te ruma bandeira só, porque fica manco, monotemático.

O senhor também adora uma discussão nas redes sociais e é muito presente, principalmente no Twitter. Quando foi que o senhor viu que a internet seria uma boa ferramenta para se fortalecer?

O que ocorre é que muita gente entrou nas redes por causa da política. Eu posso dizer que quando as redes foram surgindo eu fui entrando. Trabalhava com informática quando a internet não tinha ainda a tela colorida do Windows. Entrei no Twitter, Orkut e Facebook logo no começo. Foi muito natural. Como estava muito acostumado aos debates antes de ir para a política, foi difícil perder o costume. Minha assessoria fica louca comigo porque, às vezes, não cai a ficha que “você é um senador”, “você é deputado”. A coisa, do jeito que vem, vai. As redes me ajudaram muito, pois o mandato acaba sendo uma atuação 24h. Já resolvi problema do estado às 2h da manhã, conversando com ministro no WhatsApp. Às vezes coloco um tweet e recebo um telefonema do ministro. Por exemplo, postei uma foto do Pantanal pegando fogo e era meia noite, aí o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente) ligou e perguntou “o que é isso?”. Eu falei: “Ministro estamos precisando de ajuda”. E foi quando acabou vindo aquelas aeronaves e ele decidiu vir aqui em MT e começou toda a ajuda ao Pantanal, através do Twitter. Recebo críticas de pessoas que não estão acostumadas, estão no modo analógico e mandam eu sair do Twitter e ir trabalhar. Eu digo que estou trabalhando e a pessoa devia aprender, eu não tenho culpa se alguns não se capacitaram. Para mim foi natural, sou da geração que nasceu com as tecnologias. Lógico, o pau come. Eu apanho e bato, é UFC total.

O Congresso debate duas reformas prometidas pelo Governo Bolsonaro: a tributária e administrativa. Qual é a mais urgente e que deve ser tratada primeiro?

O ideal era definir primeiro a reforma administrativa para ter o tamanho do estado que nós queremos, o que a sociedade quer. Queremos um estado maior para que tenha mais atendimentos, serviços à população? Queremos um estado menor para que tenha menos servidores, gastos e com isso menos impostos? Não dá para ter menos impostos e mais serviços. Não tem como fazer milagre, a matemática é exata. Vejo gente querendo fazer a reforma administrativa e começa demonizando o servidor. E número de servidor depende da demanda de serviços. Se for ver, pelo tanto de serviços que o Brasil tem hoje, muitas categorias estão com déficit. Se for pegar a categoria de peritos do INSS, muitos locais não têm e precisa de mais. Agora, se for fazer a reforma tributária primeiro, eu penso que é o que vai acontecer, como vai ficar isso? Define a tributária e como vai fazer a administrativa? E se a administrativa ficar maior do que a tributária permite? O que está se discutindo é facilitar a vida das empresas que querem gerar emprego e mudar o cenário da insegurança. A bancada vai ter que ficar atenta para não deixar Mato Grosso para trás.

O Congresso também debate as ações do pós-pandemia. Caso eleito, o que o senhor pretende propor no Senado para retomar o crescimento econômico e salvar famílias que voltaram para a miséria?

É uma pauta muito importante. A decisão de muitos prefeitos e governadores foi não olhar para a economia. O presidente (Jair Bolsonaro) sempre disse para olhar para os dois lados porque se a pessoa não morre de Covid-19 acabaria morrendo de fome. Nós votamos o auxílio emergencial e só até dezembro já vai para R$ 620 bilhões. É um rombo jamais visto e o país não tem mais como continuar pagando tal auxílio. Mas a gente sabe que ao terminar, mais de 20 milhões de brasileiros vão ficar sem emprego e à mercê da própria sorte. Está se tentando achar uma fonte de custeio para o Renda Cidadã. Eu sugeri, em um café da manhã com o presidente, criar e gerar receita porque ninguém aguenta mais impostos. Defendo, principalmente, a regularização fundiária. Disse ao presidente que isso vai trazer um milagre na economia. A gente vai dobrar a arrecadação. O cara vai pegar um investimento, investir na propriedade e gerar emprego. Outro ponto importante é gerar um ambiente agradável ao empresário que quer gerar emprego. Hoje você paga um salário ao funcionário e outro ao governo, isso é matar a galinha dos ovos de ouro. É preciso acabar com isso.

O presidente disse que acabou com a Lava Jato, pois a corrupção acabou. Dias depois, o senador Chico Rodrigues, vice-líder de Bolsonaro, foi pego com dinheiro na cueca. A corrupção realmente acabou?

Ele é um parlamentar do DEM, não está como ministro, é um vice-líder, faz a interlocução com o Congresso, mas não tem nada a ver com o governo. Isso foi uma coisa lá no estado dele, logo que o presidente soube o afastou e ele vai responder perante a lei. Não vejo como um ato de corrupção do governo. O presidente fez uma ironia porque vinha aquele blábláblá de que ele estava acabando com a Lava Jato e não tinha nem como explicar, porque seria explicar o óbvio, que não tem como um presidente acabar com uma coisa de outro órgão, que tem autonomia. Como ele cortou a “boquinha” da Globo, sai tudo que é coisa. Acusam nós, parlamentares que apoiam o governo, de fakenews e o governo pegou e fez aquela ironia.

Muitos direitistas e bolsonaristas se disseram traídos pelo presidente, após Bolsonaro ser visto abraçando o ex-presidente do STF, ministro Dias Toffoli, em reunião com os demais chefes de poderes. O senhor avalia tal aproximação como traição?

O presidente está simplesmente cumprindo com a Constituição na qual diz que Executivo, Legislativo e Judiciário são poderes independentes e harmônicos entre si. Um cumprimento, um abraço, faz parte da harmonia entre os poderes. Tem muitos que vieram como apoiadores do presidente, mas que são pessoas que nunca estiveram acompanhando a política e vieram de forma muito sectária e não entendem que o presidente tem que ter interlocução entre os poderes. Não significa que quando um deles errou, o presidente tenha compromisso com o erro. Ele não pode levar para o lado pessoal e não conversar. Eu mesmo tenho feito oposição ao governador Mauro Mendes, mas sempre o cumprimento. Não é pessoal. Com pouco tempo os apoiadores do presidente vão compreender que isso não muda a linha dele na administração.

Dayanne Dallicani

Jos� Medeiros

O deputado federal e candidato ao Senado, José Medeiros, durante entrevista remota com os jornalistas Airton Marques e Andhressa Barboza

Nessa eleição suplementar em MT, muitos tentam colar na imagem do presidente, para conquistar o eleitorado. Na visão do senhor, a briga está sendo para ver quem é mais bolsonarista do que quem termina com mais votos?

Espero que a disputa seja pelo perfil, por quem possa defender o Brasil, o Estado, tenha mais conteúdo, por quem possa, realmente, defender este governo no parlamento. Creio que o eleitor vá fazer a decisão por isso. Agora, se a escolha fosse somente por isso, seria subestimar o eleitor e ele é muito inteligente, perspicaz, gosta do presidente e vai querer alguém que possa ajudar. Eu não tenho feito este tipo de disputa, tenho dito que sou vice-líder e candidato do Bolsonaro sim. Se eu disser que sou da oposição, estou mentindo, se disser que sou independente, estou mentindo. Então, eu digo que sou do Bolsonaro sim, porque se eu chegar (no Senado) vou ser de apoio ao governo.

Apesar de candidatos da esquerda, o que vemos é uma troca de farpas entre os nomes da direita. Isso não favorece candidatos contrários ao Bolsonaro?

A própria bíblia diz que a casa dividida não para em pé. Eu tenho defendido que candidatos fiquem unidos e não se abatem. Infelizmente, isso não tem acontecido. Eu tenho apanhado mais que massa de pão, mas faz parte do embate e eu toco a campanha, não faço ataque. Quando me perguntam, eu digo que se não forem votar em mim, que não votem no PT.

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Comentários (6)

  • JONAS | Segunda-Feira, 26 de Outubro de 2020, 07h03
    1
    0

    AGORA VAI CHORAR. O MITO NEM LIGOU PARA VC, NEM OS MITINHOS. VC JÁ VIU USAR PAPEL HIGIÊNICO 2 VEZES

  • Bea | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 16h19
    10
    2

    Não passa de um puxa saco, seu lugar está guardado na lama da história, ex-senador sem voto.

  • Aldo | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 11h28
    16
    3

    Sim, combateram o PT, e destruíram as leis trabalhistas. Hoje estamos vendo a teajedia que deu isso, um país em ruínas.

  • Revoltado | Domingo, 25 de Outubro de 2020, 11h17
    12
    2

    Num País democrático deve ter oposição para o bom andamento, ter isso como única bandeira é falta de propostas e projetos para o País. Esse é um político desqualificado

  • Marco Antonio Moura | Sábado, 24 de Outubro de 2020, 19h30
    19
    1

    Só mesmo em tempos de políticos sem propostas, como o deputado Medeiros, é que combater um partido em específico é importante para construção de políticas públicas. A única coisa que ele fez no congresso até hoje foi "combater". Fazer provocações levianas lara se manter nos holofontes. O PT tem importância na vida política deste indivíduo pretencioso porque ele nao tem proposta, tem apenas um arsenal pronto para atacar a qualquer custo.

  • Mauro | Sábado, 24 de Outubro de 2020, 15h48
    20
    2

    Só d7as cousas qye esse cara ssve fazer: puxar i saco do miliciano e agredir o PT. Gente assim é escória da humanidade.

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