ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 30 de Maio de 2019, 13h:37 | Atualizado: 30/05/2019, 14h:49

Lançando 2º livro, João Emanuel bomba no Instagram mostrando sua vida pós-prisão

Após presidir Câmara, mas acabar preso, o advogado fala da relação de fé em Deus e vida fora da cadeia

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Jo�o Emanuel

 

Após sair do regime fechado para o semiaberto, o advogado e ex-presidente da Câmara Municipal, João Emanuel Moreira Lima, vem se dedicando a escrever livros sobre o que considera ser o amor divino. A nova atividade chama atenção nas redes sociais – no Instagram já são 355 mil seguidores no momento em que esta reportagem é escrita, em 29 de maio. João Emanuel ficou 883 dias no Centro de Custódia da Capital (CCC). O tempo foi suficiente para a produção de duas obras e gestação de uma terceira, ainda sem data nem título para lançamento. “Você só pode amar” e “Você é o amor” são as duas primeiras partes da trilogia com a qual o ex-vereador pretende compartilhar seus aprendizados com o sofrimento pelo tempo na cadeia. O advogado não pretender atuar na área por enquanto. Sua carteira da OAB foi cassada em Mato Grosso e um recurso ao Conselho Nacional da Ordem segue pendente. A atividade nas redes sociais, conta ele na entrevista, começa a render contratos e pode se tornar atividade profissional em breve. Juridicamente a situação do ex-presidente da Câmara ainda não é definitiva. Pelas penas atuais, João Emanuel tem pouco mais de nove anos de prisão a serem cumpridos, com saída do semiaberto marcada para 1º de agosto de 2022.

Confira os principais trechos da entrevista:

O senhor está lançando seu segundo livro, sendo que os dois foram escritos durante seu tempo na prisão. De onde surgiu essa necessidade de escrever?

Os dois livros foram escritos dentro da cadeia. "Você é o amor" e "Você só pode amar". É uma trilogia sobre contos poéticos e poesia, nos quais eu quero somente falar de amor. As pessoas me perguntavam sempre "porque você não escreve uma história da sua vida?" e foi aí que eu decidi escrever o amor. Porque no sofrimento, você tenta entender porque sofre, porque todos nós sofremos. Com uma reflexão interior muito grande, você entende que sofre para trazer paciência, para trazer esperança, que por sua vez traz essa paz dentro do coração. Isso se transforma em amor, que é Deus. Deus é amor. O motivo desse título, "Você é o amor', é porque eu acredito que todos nós temos a centelha divina dentro de nós. Nós somos material de Deus e propriedade dele, então nós também somos amor. Você tem que se amar. Em um primeiro momento, você tem que amar a Deus e depois amar ao próximo como a ti mesmo. Então, você tem que curar você mesmo, procurar os buracos emocionais, os momentos traumáticos, que se transformam em pesar na sua vida. Uma experiência que não é tão legal [...] Como a minha de ficar três anos preso, foi uma experiência traumática. Mas você começa a colocar um alicerce para se tornar uma pessoa forte emocionalmente.

O senhor vem falando muito sobre Deus, nos livros, mas também em entrevistas e nas redes sociais. Como foi esse processo? Antes da prisão, o senhor já tinha isso presente na sua vida?

Eu tinha me afastado de Deus, não ia à igreja, não fazia oração. Quando você vai preso, fica sozinho, 24 horas por dia trancado, então você começa a pensar que tem que ter uma razão para tudo isso. Lá, sim, eu fui buscar uma comunhão com Deus. Fiz a Faculdade Nacional de Teologia. Mas vão falar, "ah, virou fanático, virou crente". Não é isso. É estudar o fenômeno Deus, que é uma crença em algo maior que nós, crer naquilo que você não consegue ver. Às vezes as pessoas ficam preocupadas com o que vai acontecer daqui 10 anos. Eu daria um conselho para o João de 30 anos atrás. Falaria: "olha, você vai sofrer, mas precisa entender como vai crescer com o sofrimento". E para mim o dia que marcou isso foi 26 de agosto de 2016, quando comecei a de fato estudar a fundo a Teologia. Eu tenho mestrado e doutorado em Direito, sou formado em Administração e Pedagogia com ênfase em educação infantil, e procurei a Teologia. Mas não falando de uma forma fanática, de uma forma pessoal, para que eu conseguisse passar isso para as pessoas.

Reprodução

Voc� � o Amor Jo�o Emanuel

Contra capa do 2º livro de poemas de João Emanuel, "Você é o amor", lançado nesta semana; ele deve lançar um 3º

O senhor tem diversas condenações e ainda responde a outros processos na Justiça. Se arrepende dos crimes e acredita que esse tempo que passou preso foi suficiente para cobrir, digamos assim, o dano causado?

Existe a verdade processual e isso eu não tenho como negar. A doutora Selma [senadora e ex-juíza da 7ª Vara] cumpriu o papel dela. Ela achou elementos no processo para fazer a minha condenação, então eu não posso ser hipócrita e me fazer de vítima. Não tenho que dizer se me acho culpado. Eu fui condenado pela Justiça, fiquei preso, e depois disso houve um recurso para o tribunal, e o tribunal entendeu que deveria reduzir a pena, foi reduzida, eu paguei parte na cadeia, mas continuo pagando. Não significa que esteja em liberdade. Estou em regime semiaberto. Estou com tornozeleira eletrônica, com várias restrições, sou monitorado 24 horas por dia. Não estou em liberdade, não acabou o cumprimento da pena, muito pelo contrário. Estar com tornozeleira é uma das medidas que funcionam para o semiaberto [...] fiquei no regime fechado, passei para o semiaberto, mas continuo tendo que ir ao Fórum todo mês para justificar minhas atividades, tenho que ir na Central de Monitoramento por várias vezes para confirmar que estou em lugar certo e sabido [...] eu não posso fechar os olhos para isso. Com relação a arrependimentos, eu confesso, com toda humildade, que errei, sim. Eu errei em ser presidente. Eu acredito que naquele momento eu não tinha me preparado para ser presidente. Mas naquela hora eu achei que estava. É uma função mais administrativa que qualquer outra coisa.

Preparado em que sentido? O que faltou?

Eu vou falar de coração: faltou maturidade. Faltou maturidade para falar não, para colocar com mais ênfase a minha forma de administração nova e tudo o mais. Mas assim, eu não estava preparado para recepcionar todo dia os outros 24 vereadores, discutir assuntos administrativos, questão de colocação de cargos dentro da Mesa Diretora, eu não estava preparado para administrar o Poder Legislativo cuiabano. Essa é a verdade. E principalmente naquele momento em que o vice-prefeito tinha saído para a Assembleia e eu acabei sendo vice. Então, virou um cargo muito cobiçado, muito visado, as pessoas queriam estar lá, foi uma eleição de presidente muito disputada. Teve quebra de vidro lá no dia da votação... brigas dentro da Câmara. Isso é lastimável. Isso não deve acontecer dentro de um Parlamento. E num Parlamento que tenha um presidente que pode contornar tudo isso fora das lentes do Plenário, melhor, é mais saudável.

Na época o senhor estava em um relacionamento com a hoje deputada Janaina Riva e tinha apoio do pai dela, José Riva. Como senhor lê o cenário em relação a isso, colaborou para ser mais visado, como o senhor acabou de falar?

Eu era visado desde quando fui presidente da Companhia de Habitação por entregar um grande número de casas [...] os próprios colegas viam um potencial em mim, acredito que isso chamou bastante atenção. Até o Riva [...] ele é o avô dos meus filhos, foi uma pessoa importante enquanto eu estive preso, deu muito suporte para os meus filhos, é um avô carinhoso, amoroso, uma pessoa preocupada com o que os netos estão fazendo, eu tenho muito a agradecer por isso. Em relação a aquele momento, o erro foi meu. Exclusivamente meu. Eu deveria ter falado, "olha, não vou [...] e vou tocar um mandato bem legislativo, sem a participação administrativa". Eu que deveria ter feito isso. Ele não influenciou, não disse o que eu deveria fazer ou não, em nenhum momento.

O senhor sempre foi presente na vida dos filhos - José Riva Neto e Sophia Riva. Durante o tempo preso, como foi essa relação? Como o senhor levou isso?

Um dos maiores pesares que tenho, e não tem coisa no mundo mais importante [...] Ninguém quer ver o filho visitar o pai na cadeia, porque ele tem que sair às 16h da visita e te ver continuar trancado dentro da cela. Isso causa uma imagem muito ruim. Eu não forçava em nenhum momento a ida das crianças . Eles iam só quando queriam e achavam que deveriam ir, quando a saudade estava tremenda, e eu preferi segurar isso no meu coração, e isso é uma dor. Me perguntaram (nas redes sociais), qual foi o sentimento quando saiu da cadeia de ver eles? Eu falei "você já ficou no mirante esperando o sol nascer e quando você fica lá, entre 5 e 5h15, vai aguardando o sol nascer, foi exatamente essa sensação que eu tive". Foi como se eu visse a escuridão sair e o sol nascer. Eles foram essa luz, essa força e intensidade, a potência que tem o sol representou a primeira vez que eu revi os meus filhos fora da cadeia.

Reprodução/Instagram

Jo�o Emanuel

No seu perfil no Instagram, João Emanuel responde perguntas inusitadas de seguidores

Agora fora da prisão, o senhor está lançando seu segundo livro... Além de escritor, vai voltar a atuar como advogado?

Agora estou focado na parte de escritor, estou trabalhando numa pequenina propriedade rural da família, me dedicando exclusivamente à literatura. E eu achei interessante, por mexer nas mídias sociais essa semana foi uma coisa incrível. Eu tive um acréscimo de quase, sei lá, 40 mil seguidores por conta de toda essa conversa do livro e tudo o mais. E eu fui até convidado por uma marca de chá [...] uma marca de chá bacana, vende até no Big Lar, para fazer postagens dela, me fizeram até uma proposta de contrato. É coisa pequena, coisa bem humilde, para eu postar todos os dias entre as 20h e as 21h, eu vou ganhar um percentualzinho, um valorzinho pequeno mensal para fazer essas postagens. Achei isso legal, acho que pode ser potencializado.

Seria uma espécie de blogueiro?

É [...] eles me chamaram de influencer, digital influencer, eu nem sabia o que era isso. Mas eu aceitei e vou começar a fazer logo, logo as postagens”

E a que o senhor credita todo esse interesse na sua vida mesmo depois desse período conturbado?

Acredito que a minha participação na política à época trouxe essa atenção, teve mídia nacional, Fantástico, recheio de Veja, Domingo Espetacular. Isso contribui para as pessoas quererem saber o que eu estou fazendo, como é a vida depois da cadeia, como era a vida dentro da cadeia [...] as perguntas, ontem até zerou o meu máximo de perguntas. Na primeira vez tinham sido 1.500 perguntas, ontem foram 1.696 perguntas, não consegui responder todas, mas toda terça às 20h eu vou abrir o canal e vou estudar fazer uma live, responder ao vivo as perguntas das pessoas. Estou bem empolgado com essa parte e o lançamento dos livros. Vamos vender pela internet para o mundo inteiro, colocar ele digital e em meios físicos, estou com bastante expectativa para essa parte de escritor.

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Comentários (8)

  • Moacir | Sábado, 01 de Junho de 2019, 18h01
    0
    1

    Moacir , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • anabel | Sábado, 01 de Junho de 2019, 10h56
    4
    1

    o ruim de tudo isso nem é o cara ser um mala que é, porque isso todo mundo ja sabe, o pior sao sites dando maior enfase para um cara desse, todo dia vejo reportagem desse cidadao, realmente esta existindo uma inversao de valores nessa cidade, os bandidos sendo protagonista de tudo, porque o rdnews nao vai la no hospital do cancer ver tantos voluntarios fazendo um baita servico social e faz reportagens com eles e mostra o outro lado do mundo para as pessoas, mais nao fica fazendo markenting para bandido

  • nelson | Sábado, 01 de Junho de 2019, 09h06
    1
    1

    nelson, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • astasia | Sábado, 01 de Junho de 2019, 08h51
    1
    0

    astasia, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • marta | Sexta-Feira, 31 de Maio de 2019, 15h49
    4
    1

    leiam o livro mentes perigosas que vocês irão entender o que ocorre com esse cidadão e tb entender um pouco sobre o ser humano.

  • Luciano | Sexta-Feira, 31 de Maio de 2019, 09h03
    13
    2

    Aonde vamos parar, um picareta desses, condenado, deveria estar preso, fica com esse sorriso congelado debochando da sociedade

  • PAULO LOPES | Sexta-Feira, 31 de Maio de 2019, 08h38
    1
    1

    PAULO LOPES , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Paulo Barth | Quinta-Feira, 30 de Maio de 2019, 18h19
    12
    20

    Parabéns João Emanuel, todo mundo tem direito a uma segunda chance... Muito bom saber que esta em outra área e que isso te inspira para ventos bons!

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