ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 10 de Outubro de 2020, 08h:15 | Atualizado: 12/10/2020, 09h:04

Leitão: não sou candidato dos barões do agro, mas dos 90% que precisam de ajuda

Rdnews continua entrevistas com candidatos ao Senado: Nilson Leitão defende redução de gastos públicos

selo elei�es 2020

Após experiência como vereador, prefeito e deputado federal, Nilson Leitão (PSDB) tenta (novamente) ser senador. Nas eleições suplementares de 15 de novembro, trabalha com o objetivo de reconquistar os 330 mil votos recebidos em 2018 (quando ficou em 5º lugar para a senatoria) e ampliar tal votação, para superar seus concorrentes. Ex-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o tucano tem forte ligação com o agronegócio, mas garante não defender os chamados barões, que acumulam maior parte da riqueza do setor no país. Um dos líderes do anti-petismo enquanto esteve na Câmara Federal, o candidato defende o enxugamento da máquina pública para retomar o crescimento da economia, principalmente no momento pós-pandemia. Em entrevista exclusiva ao , o político afirmou que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) fez uma revolução na política brasileira e está governando da forma que se comprometeu a governar durante a campanha.

Confira os melhores trechos da entrevista gravada de forma remota na segunda (5):

Dayanne Dallicani/Arte/Rdnews

Nilson Leit�o Raio X

O senhor tem forte apoio do agronegócio. Ser considerado como um candidato do agro não limita a possibilidade de representar outros setores do estado e do país?

Esse rótulo do agro não foi dado por mim, mas eu também represento o agro. O estado tem sua peculiaridade muito forte na economia que é o setor do agronegócio e quando fui deputado, defendi aquilo que o estado tinha maior demanda. Não sou produtor, mas assumi bandeiras que precisam ser resolvidas, como a questão fundiária, indígena, ambiental e trabalhista. Mas presidi comissões e CPIs em várias áreas, tenho 5 leis vigentes em dois mandatos, tem gente que está com 10 e não tem isso. Liberei recursos para todos os 141 municípios de MT, não deixei nenhum de fora.

Na sua visão, qual reforma é a mais urgente: tributária ou administrativa?

Elas não podem andar separas, mas adiantaria um pouco mais a reforma administrativa porque isso é como a casa, você precisa cortar os gastos, em uma crise econômica, e depois buscar mais recursos. A partir disso você pode arriscar uma política tributarista. Tenho uma proposta no Legislativo de reduzir a quantidade de deputados e senadores. Isso daria uma economia de até R$ 5 bilhões. Mas tem que estender para o Judiciário e Executivo.

Uma preliminar da reforma tributária apresentada pelo ministro Paulo Guedes no Congresso não inclui dois dos principais impostos que oneram o comércio em estados e municípios, ICMS e ISS. Qual avaliação que o senhor faz dessa reforma?

Entendo que o ministro Paulo Guedes quis fazer por partes, resolver primeiro sem precisar ir para o Congresso. É uma opção, mas o que está sendo, de fato, discutido não é a proposta dele. Tem outra proposta que foi idealizada pelo economista Bernardo Appy, que está com o relator, o deputado federal Agnaldo Ribeiro (PP-PB), e que está tomando corpo e é muito prejudicial para todos. Pode ter um aumento de imposto de até 25% e para o agro pode chegar a 14%. Vem na contramão. Não é momento de discutir reforma tributária, porque os governadores estão com os caixas apertados. Em todos os casos tem problemas.

Sobre a proposta de redução do número de deputados e senadores, o senhor realmente crê na possibilidade de aprovação?

A conta é simples, os EUA têm 100 milhões de habitantes a mais que o Brasil e tem três ou quadro vezes o nosso orçamento anual, mas lá tem 465 deputados federais e aqui tem 513. Então, não justifica pela representatividade. Senadores, lá tem 64 e aqui 81. Só aí já tem uma argumentação tanto por população como por economia. Dizer que vai reduzir a representatividade é conversa fiada.

Reprodução

Andhressa Barboza, Airton Marques e Nilson Leit�o

O candidato ao Senado Nilson Leitão (PSDB) durante entrevista remota ao Rdnews conduzida pelos jornalistas Andhressa Barboza e Airton Marques

Qual a avaliação que o senhor faz da Gestão Bolsonaro? Ele não cria muitas crises desnecessárias? A relação dele com os chefes dos poderes legislativo e judiciário teve momentos de muita tensão. Acredita que ele precisa melhorar essa articulação com o Congresso e o STF?

A presidente Dilma Rousseff também tinha uma relação conturbada, brigou com Eduardo Cunha e depois com o Rodrigo Maia. Os Poderes precisam ter uma relação harmoniosa, mas tem seus conflitos. O que mudou foi o estilo do presidente. Tivemos o Fernando Henrique, o Lula e Dilma, cada um com seu estilo. O Michel Temer era um pouco mais politizado.  Já o Bolsonaro veio para trazer uma mudança radical na política e está cumprindo sua proposta, mesmo que não concordem. O Maia teve desconforto, mas aprovou tudo que o presidente enviou à Câmara, a mesma coisa no Senado. Tanto que ninguém imaginava aprovar a Reforma da Previdência com apenas 6 meses de mandato sem nenhum barulho, sem ninguém na rua, sem movimento sindical.

Bolsonaro melhorou sua popularidade a partir do momento que começou a pagar o auxílio emergencial e hoje quer dar uma nova roupagem para programas assistenciais de distribuição de renda, como o Bolsa Família. Não é uma incoerência, já que tais programas geraram duras críticas aos governos petistas?

Isso não é uma inovação para essa geração. E quando cria isso, você entende que uma parte da população precisa ser socorrida e foi criado o Bolsa Escola, o Vale Gás, ainda na era de Fernando Henrique. O PT vem, juntou tudo isso em um pacote só e fecha a porta de saída, mantém isso como algo permanente para a pessoa receber pelo resto da vida. Não tem governo de direita ou esquerda que vá romper com isso enquanto o Brasil não reduzir a desigualdade social, criar uma classe média brasileira. Vou dar um exemplo do agro, 84% da renda da agropecuária brasileira está nas mãos de 10% apenas. Eu sou candidato desses 90% do agro que precisa de políticas públicas.

E de onde o Governo deve tirar dinheiro para bancar o Renda Cidadã?

Na minha opinião, é exatamente na reforma administrativa, na redução da máquina pública. Começa tudo por aí. Tem muitos gastos desnecessários no serviço público brasileiro. É um exagero, gasta-se dinheiro com qualquer coisa. Sempre digo: para que tem uma estrutura enorme do Ibama no estado e uma enorme da Sema no estado para atender o mesmo produtor, o mesmo dono de posto de gasolina, o mesmo dono de empresa ou indústria, para fazer o mesmo serviço. Por que não ter uma cooperação técnica e cortar pela metade os gastos que estão aí? Se for somando as continhas, sobra dinheiro para atender os mais pobres e ajudar o Brasil a sair dessa carga pesada.

Em caso de vitória, o senhor deve entrar no Senado no momento em que o Congresso debate como retomar a economia e retirar milhares de famílias que voltaram para a extrema pobreza durante a crise da Covid-19. O que fazer?

Alguns temas emergenciais devem ser feitos com urgência. Qual o objetivo do pós-pandemia?  A retomada da economia. Não pode mais recuperar quem morreu, infelizmente nós perdemos mais de 3 mil vidas só em MT, é lamentável, mas a economia precisa ser recuperada urgente. As vidas não podemos recuperar, mas empresas a gente pode. Minha proposta é a ideia de que não é inteligente cobrar de quem está quebrado e deixou de gerar emprego. É bem melhor fazer a remissão dessa dívida para o pequeno e o microempresário. Ele vai ter o nome limpo e acesso ao crédito. Depois disso, estender para a indústria um programa de subsídio e financiamento para retomar o crescimento e a desoneração na folha por 365 dias. Hoje, é 22% de imposto sobre a folha, aí reduz isso para 8% ou 7% para que empresa mantenha o emprego ou recontrate o funcionário que foi demitido durante a pandemia. Se a pessoa estiver empregada, ela não vai precisar receber os R$ 600. Ela vai pagar imposto também e o Brasil volta a ter uma retomada. Pelo pequeno e o médio vai ter essa retomada e o restante é o adiamento da dívida que já existe, inclusive de pessoa física, dívida com habitação, automóvel e assim por diante, deixar o brasileiro respirar e o país voltar a crescer.

Em 2018, você ficou em 5º lugar na disputa pelo Senado e agora enfrenta concorrentes daquele pleito, como conquistar mais votos?

Voto você não tem, você teve. Tem que conquistar tudo de novo, um por um, eu não arranco com 330 mil votos, quem fez 400 mil votos também não. É outro cenário. Já tive 130 mil votos como deputado federal, fui o mais votado. Já fui prefeito duas vezes e fui bem votado. Tenho por onde arrancar, mas não são os 330 mil. Agora, quem fez 400 e não teve votação anterior é só de proposta e mensagem que vai conquistar tudo isso. É uma eleição nova, diferente. O apoio político é importantíssimo, estou muito bem apoiado com dois senadores, Jayme Campos (DEM) e Wellington Fagundes (PL) e mais de 100 prefeitos me apoiando. Estou apostando na minha atuação na política, no Congresso e já estive lá por anos, fui líder partidário e de setores, enfrentando temas que sempre foram polêmicos. O Senado Federal é a Câmara alta e acredito que o eleitor vai prestar atenção que é preciso alguém que tenha utilidade já no primeiro dia. Não é porque sou mais ou menos inteligente, falo de utilidade mesmo, de saber ligar a máquina e andar, no primeiro dia de mandato. Acredito que sou competitivo, mas quem decide é o eleitor.

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Comentários (10)

  • Aldo | Segunda-Feira, 12 de Outubro de 2020, 10h33
    0
    0

    Tem bancada do agro, bancada da bala, bancada evangélica, só quero saber onde está a bancada do povo, que paga uma enorme carga de tributos para manter todas estas castas do poder. A população tem que votar em quem representa a maioria.

  • Ronaldo Araújo | Segunda-Feira, 12 de Outubro de 2020, 10h23
    0
    0

    Esse merece óleo de peroba

  • Moreira | Domingo, 11 de Outubro de 2020, 17h32
    5
    0

    Esse Leitão é mais um analfabeto funcional na política. Vai ser fritado à Pururuca.

  • Sandro | Domingo, 11 de Outubro de 2020, 16h44
    0
    0

    Sandro, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • alexandre | Domingo, 11 de Outubro de 2020, 15h09
    4
    0

    Não votar em candidatos do agronegócio.

  • Eleitor | Sábado, 10 de Outubro de 2020, 17h40
    18
    2

    Esse candidato na eleição passada disse que nós da baixada cuiabana somos preguiçosos, vocês ainda votarão nele?.

  • Amaral antunes | Sábado, 10 de Outubro de 2020, 16h14
    17
    1

    Credo. E nojento. Esse é o cara do trabalho escravo.

  • Eleitor | Sábado, 10 de Outubro de 2020, 15h09
    17
    1

    Ninguém tem duvida disso senhor Leitão de que o senhor é candidato do agronegócio e não candidato a senador da republica para representar o Estado e sua gente. O senhor quer ser eleito para representar os barões. Entretanto, o senhor sabe que só terá os votos dos barões que não passa de uns duzentos votos. Mato Grosso é um Estado rico e com sua gente pobre e trabalhadora e essa gente não vai mais votar em ricos ou representantes desses porque esses só gostam de pobres para elege lós e depois de eleito eles legislam apenas para os ricos e contra os pobres. Nós pobres e trabalhadores vamos aproveitar a chance e eleger um candidato que represente os trabalhadores e os candidatos que representam a nós são : Procurador Mauro e Valdir Barranco.

  • Carlos Bolsonarisra CPA 2 | Sábado, 10 de Outubro de 2020, 10h50
    21
    1

    Leitão é candidato 100 por cento parasita social.

  • mario | Sábado, 10 de Outubro de 2020, 10h06
    18
    1

    quem precisa de ajuda é o povo e não a turma do agronegocio, que só ganha dinheiro, te mque legislar para o bem do povo e não para determinada classe, o meu voto não vai ter.

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