ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 11 de Julho de 2019, 14h:20 | Atualizado: 11/07/2019, 16h:46

Líder da Assembleia de Deus diz: quanto mais evangélicos com Bolsonaro, melhor

Rubens Siro fala de inimigos que tentam derrubar Bolsonaro e que deturpam "tudo aquilo que é bom"

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Rubens Siro de Souza

 

Com uma hora de espera para entrevistar o pastor Rubens Siro de Souza, a reportagem ganhou um tempo para fazer filmagens internas e aéreas do maior templo religioso da América Latina, o Grande Templo, da Assembleia de Deus. Criada há 107 anos, por conta de uma profecia, se tornou, através dos anos, na maior igreja evangélica do país. O local tem capacidade para 22,5 mil pessoas e mil vagas de estacionamento, e também resguarda em suas estruturas uma escola, uma rádio e uma faculdade, no intuito de propagar o evangelho. Em silêncio, a equipe percorre os corredores e nota fiéis espalhados pelo espaço, alguns ajoelhados com as mãos unidas ao rosto, expressando a fé do que os une ali. Outros, trabalhando em setores diferentes do Grande Templo. Quando atende a reportagem, em uma sala modesta e com fila de espera de fiéis que aguardam para compartilhar ao pastor as demandas, ele mostra uma feição simpática e dá as boas vindas. Revela que ao todo, em Mato Grosso, existe mais de 3 mil igrejas, o que representa mais ou menos 400 mil fiéis, entre membros e os que seguem a palavra, mas ainda não foram batizados. O pastor ainda acredita que os crentes precisam se fazer amigos de Deus e não do mundo ou atos que os aproximem das trevas. Isso porque, dentro dos seus princípios, a bíblia defende que um homem de bem, com moral, e que trabalha pela palavra de Deus, está apto para assumir um cargo político. Sendo assim, mesmo que a igreja se coloque isenta nas articulações eleitorais, para ele, quanto mais evangélicos assumirem cargos políticos, melhor para o país.

Confira os melhores trechos da entrevista:

O presidente Jair Bolsonaro criticou decisões do STF, como a criminalização da homofobia, e já adiantou que irá indicar um ministro "terrivelmente evangélico". O senhor concorda que o Supremo precisa se tornar mais conservador na discussão de pautas de costumes?

Acho que sim. O STF é composto de grandes homens, escolhidos a dedo e pessoas que representam o país na parte jurídica em que nós, até certo ponto, confiamos neles. Mas, às vezes, eles pendem para um lado que os brasileiros não estão querendo. Nós somos conservadores. Achamos que a disciplina é necessária em meio a sociedade e da nossa família brasileira. Para que nossos jovens e crianças tenham um futuro mais rigoroso do que está tendo. Porque a irreverência tem tomado conta, filhos não obedecem seus pais, professores, querem viver na libertinagem. Então, é por isso que nosso presidente Bolsonaro tange para um lado que é necessário, mas o povo não entende. Deus pode mudar para melhor nosso Brasil, independentemente do que pensa cada cidadão.

Bolsonaro é o primeiro presidente eleito com apoio maciço e declarado dos evangélicos e ao menos quatro dos 22 ministros de sua equipe seguem, declaradamente, a religião. Como avalia essa representação política?

Se tem pessoas evangélicas lá para ajudar é muito bom, porque eles tem conhecimento de causa. Quanto mais evangélicos, melhor. Então, o inimigo das nossas almas, que é Satanás, peleja para deturpar tudo aquilo que é bom. Tudo que Deus fez de bom, o inimigo usa as pessoas para deturpar, enganar, falsificar e inventar mentiras. A tal da fake news existe por causa disso, as pessoas inventam as coisas uma das outras para poder denegrir, e nós precisamos de uma seriedade maior. Vejo o Jair Bolsonaro como um homem sério, mas existe uma ala que quer derrotá-lo, para continuar fazendo o que querem no fim dos tempos. O movimento dos espíritos das trevas quer deturpar tudo e acabar com o ser humano.

Como distinguir o que é treva no cenário político?

As trevas são os homens eleitos e colocados onde estão para melhorar a vida da nação, mas alguns pensam apenas neles e não no povo. Faz alguma coisa para o povo, mas pensando neles primeiro. O Brasil precisa de uma melhoria nesse sentido, é um país democrático e todos têm seus direitos, mas existe um preço.

Como avalia esses seis meses de governo Bolsonaro? A Assembléia de Deus está de acordo com pautas, como a facilitação ao acesso as armas?

Todos têm seu direito de ir e vir, mas para tudo existe um preço. Para alguns, isso será cobrado não nessa vida. Jair Bolsonaro não estava pregando paz, mas pregando justiça.

Rodinei Crescêncio

Rubens Siro de Souza

Pastor Rubens Siro de Souza durante entrevista ao Rdnews, em sua sala, no Grande Templo, da Assembleia de Deus, fala sobre religião e política

Como o senhor vê a ascensão de evangélicos na política em MT? Política e religião se misturam?

A Assembléia de Deus está neutra no cenário político regional. Qualquer pessoa pode se candidatar, mas agora não com o apoio da igreja. A igreja está fora disso. Política e religião não se misturam.  

Tal inserção de líderes evangélicos na política não é uma tentativa de doutrinação da população?

Cada pessoa tem seu pensamento e faz o que quiser, mas a doutrinação não existe. Não aceitamos misturar política e religião ou permitir que pessoas venham interferir com a igreja. A igreja é um jardim fechado. Por isso, temos um estatuto que requer a moral, para ser um crente em Jesus, ele tem que ser um servo de Deus com a vida sempre melhorando e com uma vida cada vez mais santificada e pura.

Rodinei Crescêncio

Grande Templo

Imagem áreae do Grande Templo da Assembleia de Deus, localizada na av. do CPA, em Cuiabá; é o maior templo da América Latina e marco religioso

O senhor já elogiou algumas ações do prefeito Emanuel Pinheiro, como a inauguração do novo Pronto-Socorro e criticou opositores, como o vereador Abílio, que é da Assembléia de Deus. Nas eleições de 2020, a Assembléia de Deus irá apoiar a reeleição do prefeito?

Não vamos fazer como fazíamos, se ele quiser vir ou qualquer político quiser vir nos visitar e dar a sua fala, pode vir. Não como político, mas para dar sua saudação. Temos por obrigação dar nosso voto, mas cada um vota em quem quiser. O distúrbio de uma eleição não vale à pena e não ganhamos nada com isso. A igreja tem o lado social, mas não recebemos nada de prefeitura, Governo ou União. Os políticos não ajudam em nada, depois dos votos eles esquecem. A igreja sobrevive pela oferta de dizimo dos irmãos. Ajudamos pessoas na escola, faculdade, carentes pela sociedade beneficente evangélica, seja com cestas, cobertores com uma bíblia dentro, e outras campanhas.

Qual a avaliação que o senhor faz dos primeiros meses da gestão de Mauro Mendes no Governo? Ele enfrenta resistência de servidores e agora de setores produtivos por conta dos incentivos fiscais. Acredita que as medidas são corretas?

Existiu a muito tempo atrás grandes problemas financeiros e isso repercutiu no inicio da gestão de Mauro Mendes, ele ficou meio perdido e sem saber o que fazer com a parte financeira. Não acredito, e acho que isso é um pouco de alegoria por parte dele, mas tem muita coisa para fazer. Por ter declarado, no início, que o Estado estava em calamidade, agora mesmo se entrar muito dinheiro vai ficar segurando para não dar o braço a torcer. De certa forma, então, ele está em dificuldade sim.

No vídeo, Rubens Siro fala sobre sucessão ao pai, o pastor Sebastião Rodriguez, no comando das Assembleias no Centro Oeste, e outros assuntos

 

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Comentários (14)

  • saco cheio | Domingo, 14 de Julho de 2019, 14h15
    0
    1

    ranço de evangélico

  • Paulo | Sábado, 13 de Julho de 2019, 22h12
    1
    1

    o pastor não disse pra ninguém que tem que fazer parte da igreja dele para ser salvo. ele está defendendo a penas as regras que a igreja impõe. agora se quiser fazer parte claro que precisa concordar com os regimentos de livre e espontânea vontade

  • Valdemir | Sábado, 13 de Julho de 2019, 19h47
    1
    0

    Valdemir , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Realista | Sábado, 13 de Julho de 2019, 17h08
    2
    1

    Todo esse povo que defende que o estado deve ditar o comportamento dos seus cidadãos devia se mudar para as repúblicas e reinos teocráticos do islã. O Brasil não tem vocação para ser um estado teocrático. Aqui é multicultural. Cada qual com suas crenças dentro de suas siglas religiosas e ponto final.

  • Rondonopolitano | Sábado, 13 de Julho de 2019, 12h23
    5
    0

    Ouça a música de Raul Seixas, pastor João e a igreja invisível. Aí sim vcs poderão concluir o que eu quero afirmar a respeito da ala evangélica.

  • HELO | Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 20h23
    9
    1

    SEMPRE ACREDITEI QUE, O QUE TORNA O HOMEM, UM HOMEM BOM OU MAU É O CARÁTER E NÃO A RELIGIÃO ...

  • HELO | Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 20h17
    2
    1

    PEDRO, O QUE VOCÊ DESCREVE NÃO É O BRASIL, MAS O INFERNO COM TODOS ESSES DEMÔNIOS .KKKKKKKKK

  • josé ribamar | Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 15h55
    10
    2

    Romário tinha uma frase emblemática para esse líder! "Você calado é um verdadeiro poeta".

  • elias | Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 13h06
    9
    1

    Misericórdia desses fundamentalistas

  • Catolica com muito orgulho | Sexta-Feira, 12 de Julho de 2019, 11h38
    11
    2

    "Perdoe ele...ele não sabe o que fala..." Coitado

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