ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 21 de Novembro de 2019, 13h:34 | Atualizado: 21/11/2019, 13h:43

Me veem como vice por ser mulher, negra e sem padrinho político, diz Gisela - vídeo

Gisela surpreendeu no pleito de 2018, quando ficou como suplente de deputada com mais de 50 mil votos

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Gisela Simona

 

Depois de estreiar na política com a conquista de 50.682 votos para deputada federal, Gisela Simona se sente apta a participar de outros pleitos em busca de uma eleição. Cotada como uma liderança política em ascenção, a advogada e superintendente do Procon-MT elegeu a defesa do consumidor como sua bandeira. Também se mantém engajada pró-servidores públicos, e, apesar da predileção pelo Poder Legislativo, está disposta a encarar o páreo pelo Poder Executivo da Capital. Apesar do cenário favorável, Gisela afirma sofrer muito preconceito por ser mulher, negra, pouco experiente em política partidária e por não ter um padrinho político. Mas ao mesmo tempo em que essas questões parecem ser um problema, ela avalia que é o que a aproxima da população, que de alguma forma busca renovação

Teu nome foi uma revelação nas eleições 2018, com 50.682 votos, que lhe garantiu a suplência de deputada federal. Quando você tomou a decisão pela política e o que te motivou?

Anterior ao ano passado, eu era aquela cuiabana que tinha até ojeriza da política. Como servidora pública tivemos todo aquele embate da RGA, que eu senti não só como servidora, como também acabei assumindo a presidência no Fórum Sindical, e uma das conclusões que saímos após a greve, é que precisávamos no parlamento federal e estadual, de gente com nosso DNA, que fosse servidor público. Foi aí que surgiu essa vontade. Quando coloquei meu nome foi para ser opção e não sabia que iria ser candidata. Como era uma experiência, e como nunca fui testada nas urnas, se era para ir ao sacrifício, optei por concorrer à federal.

Na sua trajetória enquanto servidora, um episódio que chamou atenção foi tua exoneração da superintendência do Procon. O que pesou para essa decisão do então governador Pedro Taques (PSDB)? Isso também te impulsionou a se engajar na política como forma de mudar o cenário da gestão do Poder Executivo estadual?

Quando fui exonerada não tive justificativa, foi até o que me impulsionou a fazer um desabafo nas redes sociais. Exatamente naquele momento, a gente enfrentava algumas bandeiras pesadas dentro da defesa do consumidor, como a questão do combustível, o transporte coletivo e a energia elétrica que começava a se agravar. Entendo que o cargo comissionado está à disposição do Governo, ele tira e coloca quem quiser sem precisar justificar. Mas acredito que até por uma questão humana, o mínimo era ter avisado, e eu fiquei sabendo apenas pelo Diário Oficial. Isso me chocou muito. Estava claro que existia interesse na minha exoneração, que não era apenas um ato de discricionariedade. Eu fiquei decepcionada, porque eu votei no governo Pedro Taques, por ser da área da Justiça, alguém que foi promotor, o perfil que ele tinha, pensava que era para moralizar e colocar ordem. Naquele momento ainda não tinha intenção de participar da política.

Rodinei Crescêncio

Gisela Simona

A superintendente do Procon-MT Gisela Simona, em entrevista especial na sede do Rdnews ao jornalista Vinícius Bruno, quando fala de eleições

Depois do resultado das eleições, você começou a se enxergar como política e se sente credenciada para outras disputas?

A eleição criou um capital político. Quando analiso números, e percebo que tive 12% dos votos válidos de uma Capital, é algo muito significativo. Eu entendi que de alguma forma as pessoas estavam captando a mensagem que eu gostaria de passar. A forma como fizemos a campanha, de mãos limpas e com pouquíssimos recursos financeiros, prazo curto de tempo sem planejamento prévio, me faz acreditar que existe um grupo muito grande de pessoas que quer a renovação e que quer mudanças, e isso me motivou a ter esperança que é possível mudar. Quando a gente percebe que a política tem a capacidade de mudar os fatos, nos dá esperança.

Seu partido, o Pros, já lhe deu aval para disputar as eleições em 2020, em Cuiabá. É possível montar uma frente de centro-esquerda para disputar essas eleições sob sua liderança?

É possível. Existem dois municípios no Brasil que o diretório nacional do Pros já deliberou e vai ajudar, que é Cuiabá e Fortaleza, e isso me deixa muito feliz do ponto de vista em ter um apoio estrutural para as eleições. O que falta agora são as articulações. Já fizemos uma primeira reunião com os partidos de centro-esquerda, estamos buscando o que temos em comum, como não ser a favor do atual prefeito. Não estamos trabalhando com nenhum compromisso individual de que alguém seja cabeça de chapa. Qualquer decisão neste sentido depende muito de pesquisa. A primeira reunião que fizemos, a deliberação foi para que tenhamos uma análise da conjuntura como está. Sabemos que os maiores partidos têm quase uma obrigação de lançar candidatura nas capitais, pode ser que tenhamos uma dificuldade neste sentido.

E você se coloca como opção para ser cabeça de chapa?

Sinto um preconceito, muitos pensando em Gisela Simona como candidata à vice, seja porque sou mulher, negra, com pouco tempo de vida político-partidária e por não ter um padrinho político. Por outro lado, essas características que, para o meio político gera preconceito, para o povo eu acredito que é que me identifica com eles. As pessoas quando pensam em Gisela Simona acreditam que podem acreditar em mim extamente porque estou fora do padrão tradicional da política. Mas, o Pros tem buscado uma candidatura para majoritária, não para vice, e sim como cabeça de chapa. Por outro lado, temos humildade suficiente para reconhecer se meu nome não for o melhor, estamos prontos para recuar se não for o melhor, mas jamais deixaremos de tentar uma cabeça de chapa seja porque somos um partido pequeno ou porque subestimamos nossa capacidade.

Rodinei Crescêncio

Gisela Simona

Suplente de deputada federal, Gisela em entrevista ao Rdnews, fala sobre articulações para disputar Alencastro

Hoje vemos no Brasil essa polarização política. Se declarar de centro-esquerda é algo arriscado neste momento do país?

Infelizmente essa polarização é péssima, pelo menos eu sou alguém que toma decisões centrada no que é certo ou errado, independentemente dessa polarização, sou perfeitamente capaz de avaliar pontos positivos na gestão do presidente Bolsonaro, e pontos positivos na gestão do ex-presidente Lula, sem achar que não sou nem petista e nem bolsonarista. O país perde muito com essa polarização. O melhor para nós era poder confluir união de direita e esquerda. Muitos não gostam que eu fale isso, mas é razoável, porque precisamos tanto de mudanças e de construir um projeto importante para Cuiabá, que existem pessoas boas de ambos os lados e essa união seria muito saudável.

Hoje um grupo de centro-esquerda vai disputar possivelmente contra duas máquinas. A do governador e do prefeito. Como é possível as chances de vitória?

Acreditando na vontade popular em ter renovação. De fato são duas máquinas, há um peso, mas por outro lado são duas máquinas com desgaste popular grande. Seja na prefeitura com relação moral, do paletó, tem do lado do Governo, desgaste com o servidor público. Nas últimas eleições em Cuiabá, se for analisar porque Emanuel Pinheiro é hoje prefeito, isso se deve muito ao papel dos servidores públicos de maneira em geral. Por isso, que vejo que a competição é igual, por isso até parei de falar que somos a terceira via, nós somos a alternativa. Porque terceira parece que a gente começa menor, na verdade acredito que começa muito igual. Olhando essas três candidaturas se sair, começa em pé de igualdade, não podemos ter a máquina, mas não temos o desgaste.

Como avalia o primeiro ano do governo Mauro Mendes?

O ano de 2019 está sendo muito difícil para todo o Estado, e principalmente para o servidor público. A gente sabe que isso é reflexo da gestão anterior. Sabemos que cortes tem que ser feitos, temos que arrumar a casa, que alguns tem que pagar essa contas. O que dói é que o servidor está tendo que pagar essa conta. Não dá para avaliar o Governo no primeiro ano, mas a gente sente de algumas necessidades que se tem, e que assim como o Governo tem adotado uma questão rígida em relação ao servidor, acreditamos que a sequência é para arrumar a casa mesmo. Dentro desse contexto que num primeiro ano, os atos foram duros.

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Comentários (19)

  • Davi | Sábado, 23 de Novembro de 2019, 19h01
    9
    0

    Não voto na senhora por ser negra ou pobre, mas por falta de serviços prestados, por falta de preparo para o cargo, etc. Quem sabe futuramente a senhora evolua e demonstre o contrário. O mundo não está dividido entre brancos e negros mais, o preconceito atualmente é econômico. Se vc for rico e negro vc é popular. Se vc for loiro e pobre ninguém quer saber de amizade. Essa história de apartheid acabou faz tempo.

  • fabinm | Sábado, 23 de Novembro de 2019, 15h10
    10
    0

    RDNews ao invés de ajudar, acabou de afundar essa senhora, que de bom, muito pouco, mas muito pouco tem em favor de MT. Começa pelo abandono da própria classe, em detrimento de um governo que também, nada faz. Tem um ditado que diz que: "Pra ser candidato à qualquer cargo eletivo, veja primeiro, se tem voto dento da sua casa. Se não tiver na sua própria casa, votos para ir adiante, esquece, que o pau vai ser grande na rua" Pobre senhora oportunista, quem está perdendo é o Procon, a sociedade de MT, que tem alguém que esta despreocupada com a classe e com o povo, só pensa em urnas e votos.

  • Ana | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 19h39
    5
    0

    Ana, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • janete | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 17h26
    15
    2

    nossa essa e ruim aqui no procon, ela sucatiou tudo aqui e no interior infelizmente não dá sou funcionaria concursada vai no interior são poucos que gosta dela um ou dois

  • walter liz | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 15h33
    17
    1

    ficar nesta tecla de ser negra, coitada, juntar com PT,PSOL, da futuro não, a sra ja tem um espaço conquistado independente de cor, pode ter sido dificil ? claro ,nada é facil " para ninguem" nem branco nem negro nem de cor nenhuma, adote uma postura de vanguarda,diferente ,verdadeira , que vá de encontro ao momento politico que vivemos, o povo pode até parecer que não mas se for real ele dara chance a sra. independente de cor.

  • Dilma | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 12h59
    4
    19

    Tem tanta gente que tá comentando asneiras. Gisela, vc é e será a alternativa pois felizmente o povo cuiabano e matogrossense precisa de uma liderança nova sem vícios políticos, sinto muito por ter pessoas aqui q se referem a uma entrevista como essa dizendo q vc se sente vitimizada , ou de mimimi com certeza são apoiadores de algum político. Vai em frente Gisela ! Já te admiramos o não vc já tem da minoria agora corra atrás do sim e sim queremos vc como prefeita.

  • VALERIANO | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 11h53
    17
    2

    VITIMISMO NÃO! Vc acha que gerir uma cidade essa é para amadores?? Não é não, abaixa o numero do salto e vai para cim, mseu futuro pode ser brilhante mas depende de suas atitudes, que até agora não estão boas, não estrague os seus 50mil votos, executivo e não ser mais novidade podem te dar uma surpresa desagradaves

  • alex r | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 11h30
    20
    1

    Quanta arrogância... O sr Taques me tirou sem explicação... Cargo de confiança não tem que dar explicação e o cargo não é seu pra se achar que seria perpetua ... Acreditei que a senhora teria valor como parlamentar pq conhece de leis mas como gestora nunca!

  • Bugre | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 11h19
    20
    1

    Mimimi de vitimista! Já perdeu meu voto.

  • Dos Santos | Sexta-Feira, 22 de Novembro de 2019, 09h54
    5
    1

    Dos Santos, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

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