ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 09 de Janeiro de 2020, 14h:00 | Atualizado: 09/01/2020, 15h:39

Milena faz diário sobre tratar a depressão e cria podcast com histórias de mulheres

Mostrando que dá pra fazer, Milena mora em Cuiabá e já passa dos 300 mil seguidores no Twitter e Insta

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Milena Carolina Santos

 

Milena é uma jovem ativa em suas redes sociais e sua criatividade em todas elas fez cativar inúmeros seguidores. Ela cursou Filosofia por um período, mas trancou o curso e segue como maquiadora profissional. Entre suas redes sociais, o que provavelmente mais chama atenção dos internautas foi o quadro que chamou de "Dá Pra Fazer", no Instagram. Nele, basicamente, ela mostra como reformar a casa com materiais improvisados e improváveis, muitos deles, com bom resultado e que dão certo. Outra rede que a garota chama atenção, é o Twitter, onde relata fatos rotineiros do dia a dia de maneira bastante divertida. Nos últimos meses, ela também lançou um podcast, mídia que ganha espaço no país, e funciona como uma espécie de radio virtual. No programa, Milena entrevista personagens mulheres com profissões diversas, além de falar de temas atuais com uma pegada mais humorada. Ela trata da depressão, e fez um diário para seus seguidores entenderem como funciona este processo, já que a rede social e seus seguidores foram fundamentais para ela perceber que precisava de ajuda.

Confira os melhores trechos da entrevista:

Como foi início e qual foi à rede social que começou a fazer sucesso na internet?

No Twitter. Comecei postando meu cotidiano e fui percebendo que as pessoas estavam me dando atenção. Eu trabalhava no mercado da minha família e contei como era trabalhar no caixa de super mercado. Como o mercado fica no Pedra 90 e lá tudo é bem bairrista, são sempre os mesmos clientes, funciona como se fosse uma cidade pequena. A primeira história que bombou mesmo, no entanto, foi a de uma hamburgueria que me entregava lanches todos os dias, mas um determinado momento começou a me enviar mensagem com pesar, dizendo que não poderia mais fazer a entrega, pois eu morava no Pedra 90. Eles me mandaram uma mensagem como se estivessem terminando um namoro comigo, relatei isso no Instagram e foi muito engraçado.

É diferente a forma como você se expressa em cada rede social? Como funciona essa divisão de conteúdos?

A forma que me expresso e posiciono nas redes também é diferente, no Twitter, por usar uma foto ilustrativa, sinto que tenho mais liberdade na escrita. As pessoas tendem a levar menos a sério o Twitter, no entanto, ele tem filtros mais potentes contra discursos de ódio. Exemplo, se seu amigo disser que vai “matar” você, mesmo que seja brincadeira, ele remove seu comentário. Por um lado, isso é bom, porque não permite ameaças, mas por outro inibe que façamos algumas gracinhas. Já no Instagram, por ser meu rosto, sei que as pessoas vão associar tudo o que eu disser comigo. Nessa rede o público é diferente, e tudo começou quando comecei a reformar lá em casa. A comunicação do Twitter é mais imediata também, tudo que você posta satura muito rápido, pois é muita gente falando a mesma coisa ao mesmo tempo. Algo que estava muito legal pela madrugada, no outro dia é um assunto chato. No Instagram tenho um público que quer me ver fazer reforma. Essa ideia funcionou muito bem, porque faço reforma a partir de materiais absurdos ou que teriam outras funções, mas dão certo no fim das contas. Às vezes, não dá certo de inÍcio, e eu até gosto, pois vira um desafio.  No momento, estou tratando a depressão e as reformas foram essenciais para eu descobrir que não estava bem, porque não conseguia terminar nada e ficava procrastinando.

Rodinei Crescêncio

Milena Carolina Santos

Sorridente, Milena (wwwmlna) concedeu entrevista exclusiva na sede do Rdnews, quando falou sobre redes sociais

Qual o horário perfeito para gravar e como concilia isso com a rotina da sua família?

Prefiro acordar de madrugada e gravar no silêncio, não gosto de expor minha família e também de tirar a liberdade deles interagirem na casa como quiserem. Esse tipo de conteúdo do Instagram, o de reformas, também é muito trabalhoso.

O podcast surgiu através de alguma ideia incomum de “empoderamento” feminino, como reformar a própria casa?

O podcast surgiu a partir das reformas. Com o “Dá Pra Fazer” entrevisto mulheres com profissões diversas, que contam como é a rotina e a superação de desafios. Cada profissão é diferente uma da outra, não precisa ser uma profissão muito inusitada. Todas elas têm histórias para contar. Aqui em Cuiabá, ainda não me sinto confortável para usar o termo feminismo na cara das pessoas. Acho que elas criam um bloqueio, então prefiro falar de assuntos que são pautas feministas, que mostram o talento e o poder das mulheres, mas sem usar a palavra. Acho que consigo alcançar um público muito maior dessa maneira.

Você tem haters?

Não tenho. Acho que é diferente quando alguém discorda de mim e ataca a minha opinião, do que quando me ataca. Exemplo foram às eleições, e no Twitter tem muito disso. Acho que também, se alguém me odiar, quando descobrir que moro no Pedra 90 vai desistir de ir até lá e fazer algo comigo. É muito longe (risos).

Rodinei Crescêncio

Milena Carolina Santos

Milena em entrevista conta como utiliza seus perfis para tratar depressão

Você relatou que passa por um processo de tratamento no seu Instagram, tratando a depressão, como tem sido isso?

Meus seguidores perceberam e me ajudaram muito nesse processo, por isso resolvi dar um tempo e tratar a minha depressão. Fiz um diário para contar como está sendo meu tratamento para os seguidores. Desde então, percebo que os seguidores estabilizaram, eles não crescem lá. No entanto, quem já seguia, ficou. Para fazer reforma, tenho que estar bem. Uma das reformas que mais deu repercussão foi a da cabeceira que fiz para minha mãe, que usei estofado, cola quente e papelão. Não tem relação com ensinar, mas sobre tentar fazer.

O que pensa sobre campanhas como o "Setembro Amarelo", que tentam debater essa idéia da depressão não ser mais um tabu?

Não gosto do Setembro Amarelo, acho que essa campanha acaba sendo muito mais sobre as pessoas que deveriam ajudar sobre quem sofre a depressão. Tiram o foco de quem precisa. A depressão ainda é um tabu, existe muito julgamento sobre quem passa por essa doença. Não querer fazer nada, chorar quase toda hora, não sentir apetite ou estar sendo pressionado a fazer algo que antes era simples, mas que agora não consegue. Cheguei ao ponto de estar fazendo as coisas e parar pra chorar. Quando voltei a gravar, estava com voz e cara de choro, eles perceberam. Não dá para eu fingir felicidade sem estar bem, sou transparente e muita gente me apoiou ao tratamento, veio me falar da coragem em falar sobre isso no Instagram.

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Comentários (1)

  • Jean | Terça-Feira, 14 de Janeiro de 2020, 10h42
    1
    1

    Ola, achei o conteúdo muito interessante e informativo, podendo ajudar muitas pessoas que passão por este problema e se quiser conhecer outro tipo de conteúdo: Vencendo a Depressão em 21 Dias, te libertando de tudo Aquilo que te Paralisa Programa com Garantia! Acesse este link e aproveite: http://bit.ly/vencendoadepressaoem21diasss

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