ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 17 de Outubro de 2019, 13h:39 | Atualizado: 17/10/2019, 13h:52

Militantes da ignorância, diz presidente da UNE sobre a equipe de Bolsonaro - vídeo

Iago Montalvão esteve em Cuiabá, visitou UFMT, e fala sobre o que chama de perseguição ao movimento

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Iago Montalv�o

 

O presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Iago Montalvão, que esteve em Cuiabá nesta semana para mobilizar os acadêmicos da UFMT contra os cortes de bolsas de pesquisa por conta do contingenciamento imposto pelo MEC, assumiu a entidade em pleno Governo Bolsonaro,  que considera o movimento estudantil como um inimigo a ser derrotado. E não fugiu a tarefa de enfrentá-lo. Em entrevista ao , disse que considera o presidente da República e seus ministros como “militantes da ignorância” e acredita que o movimento estudantil pode ajudar a derrotá-los nas eleições de 2020, abrindo caminho para mudar os ocupantes do Palácio do Planalto em 2020. A exemplo de outros que passaram pela presidência da UNE, não descarta fazer carreira política, mas diz que isso é uma construção coletiva. Também defende que a carteira estudantil paga, ao contrário do que preconiza a MP editada pelo governo federal, garante a autonomia das entidades estudantis.

Leia os principais trechos da entrevista:

 O que te despertou para a política e para o movimento estudantil?

Eu sempre fui interessado. Desde a escola participei do grêmio estudantil. Estudei numa escola pública federal da UFG em Goiás e sempre participei muito. Eu participava das passeatas, nas manifestações. Quando entrei na universidade, a primeira coisa que me chamou atenção foi o centro acadêmico, que era um espaço para me organizar politicamente, participar dos debates, fazer alguma coisa. Eu sempre quis fazer alguma coisa pelo nosso país, pela educação e no movimento estudantil eu encontrei o espaço para dar minha contribuição para sociedade.

Você assumiu a presidência da UNE em pleno Governo Bolsonaro, que é declaradamente inimigo do movimento estudantil. Como você encara essa tarefa?

De fato, esse é um dos momentos mais difíceis na história da nossa entidade, principalmente depois da redemocratização, quando tivemos momentos de dificuldades e momentos de pautas propositivas. Hoje, estamos num momento de pauta totalmente defensiva, de resistência. Muito pouco a gente consegue apresentar de luta por avanços. Por outro lado, você tem uma disposição de reagir e se organizar. Neste ano, os estudantes foram fundamentais e protagonistas em lutas históricas. Aconteceram atos muitos grandes, os estudantes fizeram passeatas e foram para as ruas apresentar seus trabalhos, falar com a população. Se por um lado é muito difícil os ataques, por outro há disposição de se organizar para resistir. O maior desafio nosso é conseguir abarcar toda essa disposição de resistência, organizar os estudantes e propor saídas para essa crise que se dá por culpa de um governo que quer destruir a educação, entregando para a iniciativa privada e não como dever do Estado. Precisamos denunciar esse governo e resistir por meio do diálogo com a população.

Dayanne Dallicani

Iago Montalv�o - Presidente da UNE

Iago Montalvão, presidente da UNE, em entrevista exclusiva do Rdnews;. ele esteve em Cuiabá nesta 4ª, quando se reuniu com lideranças na UFMT

O Governo retaliou a UNE com a MP da Carteira Estudantil que tirou a principal fonte de financiamento da entidade. Como vocês receberam essa medida?

Desde a campanha eleitoral, o Bolsonaro chamava os centros acadêmicos de “ninhos de rato”. Depois o ministro da Educação veio a público dizer que as universidade federais só têm balbúrdia. De forma recorrente, tratam os estudantes e os que participam do movimento estudantil como vagabundos, maconheiros. Então, sempre teve esse comportamento de criminalização do movimento estudantil que é parte histórica da educação, sempre presente. Agora, para tentar atacar a estrutura das entidades, não só a UNE, mas os DCEs e centros acadêmicos que se financiam através da carteira para suas atividades políticas e festivas de forma autônoma, sem receber nada de governos ou empresas, editaram essa MP. Nós fizemos um manifesto com centenas de centros acadêmicos e temos reforçado nossa luta. Vamos entrar no âmbito jurídico para mostrar que essa é uma postura inconstitucional. Ele usa a Medida Provisória que é um instrumento de urgência, de relevância, para perseguir o movimento. Estamos indo para o Supremo questionar essa situação.  

O presidente da Câmara Rodrigo Maia sinalizou que vai deixar a MP caducar. Isso é um compromisso com a democracia?

O Congresso tem se preocupado em vários outros temas. Mesmo sendo conservador, o Congresso entendeu que essa MP é uma medida de ataque a democracia e não topa ir tão afundo no reacionarismo como o Governo Bolsonaro.

O movimento estudantil sempre produziu grandes lideranças políticas para o Brasil, inclusive ex-presidentes da UNE. Em quais deles você se espelha?

Eu me espelho um pouco em todos os presidentes que passaram pela presidência da UNE. Todos foram peças importantes na construção da história da entidade e democracia neste país. Todos foram importantes na luta pela educação e da juventude. Se fosse para escolher, eu escolheria dois que são meus conterrâneos, nascidos em Goiás, que são Aldo Arantes e Honestino Guiamarães. Aldo Arantes fez parte de um momento importantíssimo da história que foi a Rede da Legalidade e as Reformas de Base no Governo João Goulart e a defesa da democracia na ameaça do golpe militar e que continuou resistindo durante a ditadura. E o Honestino que é para nós um baluarte que entregou sua vida na repressão da ditadura,  num momento de perseguição política e que o movimento estudantil era um dos principais focos. Eu me referencio em todos os estudantes que lutaram, não só os presidentes.

A atuação dos partidos políticos no movimento estudantil é bastante questionada. Você é militante da UJS, que é ligada ao PCdoB. Os partidos de fato comandam as entidades?

O movimento estudantil é uma escola política, mas é sobretudo uma escola da democracia, em que você aprende a lidar com pessoas que têm pensamentos diferentes. A própria universidade é um ambiente democrático, de diversidade de pensamento. É o que se faz na política, lidar com a diversidade. A UNE não poderia ser outra coisa senão uma entidade aberta a essa pluralidade. Todo o estudante, seja ele organizado ou independente, com ou sem matriz ideológica, pode participar, escrever chapa no congresso ou apresentar proposta de resolução. Eu avalio que a esquerda se sobressai porque a direita não consegue crescer onde há espaço para pluralidade, justamente porque têm um comportamento autoritário.  

Dayanne Dallicani

Iago Montalv�o - Presidente da UNE

Iago Montalvão fala do desafio de liderar movimento estudantil

Você sonha, após a passagem pela presidência da UNE, em seguir carreira política?

Minha vida será sempre de militância política, mas eu não arriscaria dizer com o que. Assim como toda minha trajetória, estarei sempre pronto a assumir as tarefas que me forem dadas coletivamente. Posso ser sindicalista, deputado ou até reitor de universidade. Quero ser professor de economia. Vou estar sempre na luta política, independente do espaço.

A UNE vai participar das eleições do ano que vem com objetivo de ajudar a derrotar o bolsonarismo?

Toda a eleição é estratégica, porque define os rumos da política. As eleições do ano passado estão impactando muito gravemente nosso país. A UNE vai se mobilizar para apresentar uma plataforma como a gente faz tradicionalmente nas eleições. Nós vamos divulgar os candidatos que se comprometerem com essa plataforma, que vão ter compromisso com a educação pública, compromisso com a democracia, investimento em ciência e tecnologia e respeito aos movimentos sociais. Enfim, tudo aquilo que a UNE defende que são os direitos do povo. Queremos vereadores e prefeitos eleitos a partir dessa plataforma.

Você ficou conhecido nas redes sociais pelos enfrentamos com o ministro da Educação. Qual é sua opinião sobre a figura do Abraham Weintraub?

É uma figura nefasta para a educação. Tenho dito que não só ele, mas todos os olavistas que estão no governo, são militantes da ignorância. É uma espécie de militância da ignorância que defende com todo o ardor a ignorância, o obscurantismo, um projeto anticientífico e é por isso que eles querem sufocar a capacidade da universidade pensar fora da caixa que eles querem impor, que é uma caixa de valores conservadores. É um ministério autoritário, neoliberal. É um obscurantismo terrível, assustador. Temos que desmascarar esses caras.

Mesmo liderando parte dos estudantes brasileiros, você sofre muitos ataques nas redes sociais. Como lida com haters?

 Dia após dia está sendo desvendado o esquema que usaram nas eleições e que mantêm a milícia que usam o ódio, o ataque pessoal e as ameaças para tentar intimidar as pessoas. Quando fui eleito, disseminaram uma notícia falsa que teve dezenas de milhares de compartilhamentos, que eu estava na universidade há 15 anos, tinha 33 anos. Como não conseguem vencer o  embate no campo das ideias, tentam desmerecer com mentiras. Isso é muito tóxico. Precisamos respirar fundo, dar as mãos e ocupar as redes para resistir. Mostrar que eles não são tão fortes assim, que tem muito robô dando uma falsa sensação que a direita está dominando o ambiente virtual.

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Comentários (18)

  • sergio | Domingo, 20 de Outubro de 2019, 06h46
    0
    1

    Como diz o título da matéria: MILITANTES DA IGNORÂNCIA!! Somente comentários odiosos e pessoais, pois como afirma o entrevistado, a Extrema Direita não tem argumentos para a construção de um debate sobre os rumos da Educação,a qual está sendo arrasada, e na contra-mão de qualquer exemplo de países que superaram o subdesenvolvimento! Ainda aguardando um único comentário civilizado que discorde do conteúdo da matéria refutando os argumentos do entrevistado.... Enquanto isso, uma república de bananas está tomando forma no território brasileiro..Lamentável!

  • leo rocha | Sábado, 19 de Outubro de 2019, 11h35
    9
    1

    esse site ta cada dia mais esquerdoso, dando moral pra esse cara.

  • José Pedro Pereira Oliveira | Sábado, 19 de Outubro de 2019, 11h03
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    2

    A UNE que ele representa é a que apoia as ditaduras da Venezuela, Bolívia, Cuba e que considera o PT como o único partido que resolveria os problemas do Brasil. Apesar de terem destruído o País.

  • Pablo V | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 22h12
    1
    1

    Pablo V, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Edmalvadeza | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 15h04
    18
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    O cara tem 26 anos e não se formou em nada ainda? Mais um rêmora que quer se encostar no bagre ensaboado do lula. A relevância ficou perdida na história, que com o tempo perdeu o "h" e virou estoria do PT. Enquanto as universidade publicas forem apenas para consumir valores economicos do estado e formarem esse exèrcito acéfalo petista de esquerda, não vai ter função social nenhuma. As faculdades tem que evoluir e produzir matérias e pesquisas uteis para a sociedade.

  • Keops Müller | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 14h03
    26
    1

    Esse jornalista não esconde o viés esquerdista. Primeiro tratou da prisão da professora militante petista como um abuso. Agora entrevista esse militante da extrema esquerda, atribuindo a ele uma relevância que não possui. Esse pessoal da UNE são verdadeiros sanguessugas do Estado (que ajudaram a dilapidar com a corja petista) e adoradores de ditaduras sanguinárias. Acorda RD News!!!! P.S. Vamos ver se vão dizer que meu comentário é agressivo.

  • Dora Aventureira | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 11h39
    22
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    TRabalhar ngm quer né?

  • luiz fernando | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 10h54
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    quem conhece vc sabe da sua luta sucesso amigo

  • luiz carlos da cunha junior | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 10h53
    2
    0

    luiz carlos da cunha junior, Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • claudir | Sexta-Feira, 18 de Outubro de 2019, 10h43
    19
    1

    Mais um estorvo para qualquer governante de boa fé, será que esse cara aí um dia suou no trabalho ? Carregou caixas, pegou busão lotado ? Trocou um pneu furado ? Esse aí, como dizem o linguajar popular... é criado de vó..... e ainda vem determinados veículos de informações dar ouvidos à esse sem futuro que tenta coagir pessoas... sai pra lá capeta !!!!!!!!!

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