ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 20 de Fevereiro de 2020, 13h:39 | Atualizado: 20/02/2020, 13h:56

Não sou o chaveirinho, mas a palhaça dos héteros, diz Grampola após polêmicas veja

Grampola se destacou como transformista e hoje arranca risos com seus áudios ácidos no WhatsApp

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Grampola Pratini

Uma das primeiras drags conhecidas de Mato Grosso é Grampola, que hoje, aos 41 anos, ainda consegue ser polêmica e arrancar gargalhadas por seus áudios e opiniões que afrontam o senso comum. Já foi a miss drag nos anos 2000, com uma personagem “sincera” enquanto encarnada por Michel Platini. O ex-transformista acredita não sofrer tanto preconceito por não se tratar mais de uma “bichinha de bairro”, mas um artista que cativou seu respeito, como ele mesmo define. Em uma das gravações em que mais repercutiu sua fama, foi um que criticou quem esquece de levar a cota de cerveja ou carne para as festas que organiza. Entrou em detalhes com a reportagem que neste dia, antes de chegar a chácara onde ocorreu um dos eventos, contou  25 mercados, além de 70 conveniências e bares pelo caminho. O que lhe deu argumento para rebater quem chega sempre sem as cotas nos lugares e disse que esqueceu ou não encontrou local para comprar sua parte no caminho.

Confira os melhores trechos da entrevista:

O que mudou em ser drag naquela época e ser uma drag hoje em dia?

Naquela época, enrolava em uma toalha de mesa e estava lindo. Hoje, para ser drag, as pessoas te cobram muito. Porém, no meu ponto de vista, o que mais importa em uma drag não é o glamour e sim ela ser autêntica. Os heterossexuais, que são também os que contratam essas apresentações, não se importam muito com o glamour, mas que você faça eles rirem. Sou uma drag caricata. Na minha época usava saias rodadas de tule, umas cabeças de pena, e estava tudo certo. O que precisa ainda para ser uma boa drag é essencialmente o talento. Até porque, hoje em dia, tem muita drag que nem deveria começar, porque pelo amor de Deus.

Já sofreu preconceito por ser drag, mas além disso, homossexual?

A partir do momento que você se assume homossexual você sofre preconceito. Antigamente, acho que o preconceito era maior. Hoje em dia também sei lidar bem com minha orientação. Só digo que a dor maior não é a da rua, porque quando você sai de casa, já sabe que vai estar propício a sofrer. O mais dolorido é ver a família da gente fazer isso e não nos apoiar. Já passei isso com minha família. Só que deixei de ser um veadinho de bairro, onde as pessoas apedrejavam, e hoje sou a Grampola, um artista. Se eu fosse aquela bichinha de bairro sofreria mais preconceito. Acredito também que a gente só consegue respeito, respeitando as pessoas também, é uma troca.

Rodinei Crescêncio

Grampola

Popularmente conhecido como Grampola, Michel Platini durante entrevista exclusiva à jornalista Mirella Duarte, na sede do grupo Rdnews

Já chegou a ser criticado por algum posicionamento polêmico?

Ano passado fui muito criticado na "Parada Gay", disseram que eu era contra a parada. Falei que não sou contra a parada, sou contra algumas pessoas que vão à parada. Vamos lá pedir respeito? Então temos que respeitar.  Não adianta impormos certas coisas. Porque não ir todo mundo de branco pedindo a paz ou ir de preto, de luto pelos que estão morrendo? Acho que ir pelado é desnecessário. A gente lida com famílias tradicionais na rua, daí vêem as pessoas na parada de forma tão feia e baixa e diz “ta lá aquele veado”.

Acha que por também ser um personagem pode ser aceito em núcleos em que outros sofreriam preconceito?

Já presenciei uma cena que estava numa roda de amigos heterossexuais e eles criticaram um gay que passou e fizeram chacota. Daí eu questionei, “vocês estão xingando ele e eu sou igual ele, perceberam?”. Eles disseram que não, porque eu sou a Grampola. Acho que porque respeito o espaço deles também, isso acontece. Uma outra vez na casa de um empresário, fui com mais dois gays jogar vôlei e passando por ali, ele me chamou e disse, se você for subir lá na casa, eu não quero que entre os dois. Fiquei assustado e perguntei o motivo, era porque ambos foram bem femininos e de micro shorts. Ele me disse para eu não levar a mal, que eu o conquistei, pois soube respeitar sua casa e família, mas eles não. Hoje entro em casas, famílias, meios e rodas que outros homossexuais não entram.

Rodinei Crescêncio

Grampola

Aos 41 anos, Grampola deu entrevista exclusiva ao Rdnews e falou sobre trabalho como transformista e os áudios que arracam risadas no Whats

Tem um termo que já usaram com você, que é “chaveirinho de hétero”. Por que acha que usaram este termo?

Não é que sou chaveirinho de hétero, é que respeito os héteros. Querem a Grampola perto deles. Eu já sei o que sou. Não sou chaveirinho, sou a palhaça dos héteros. Eu quem levo a alegria para eles. Pessoas fazem chás e eventos para levarem a Grampola e alegria onde não têm. Isso também porque eles não tem acesso as outras gays. O engraçado não é o que me define, pelo menos não é 100%, e sim o respeito.

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Comentários (5)

  • Carlos | Domingo, 23 de Fevereiro de 2020, 08h18
    3
    0

    Até q enfim um equilíbrio, parabéns! Eu posso ser contra e respeitar, mas a pergunta é: Os homossexuais aceitam a contrariedade?

  • Paulo Barth | Sexta-Feira, 21 de Fevereiro de 2020, 15h49
    7
    0

    Muito bem pontuado Grampola!

  • ser VG | Sexta-Feira, 21 de Fevereiro de 2020, 12h09
    11
    0

    CONHEÇO A GRAMPOLA PLATINI É UMA EXECELHENTE PESSOA DE BOM CORAÇÃO MUITO LEGAL

  • Marcos | Sexta-Feira, 21 de Fevereiro de 2020, 08h46
    3
    12

    a resposta pra pergunta do chaveirinho de hétero só comprovou que: é mesmo chaveirinho de hétero.

  • JHOY | Quinta-Feira, 20 de Fevereiro de 2020, 18h24
    17
    0

    FALOU TUDO. SE CONVIDO UM AMIGO HETERO PRA IR NA MINHA CASA E ELE COMEÇA A DAR UMA DE MACHÃO, GOSTOSÃO, É CAPAZ DELE SER COLOCADO PRA FORA NA BASE DA PORRADA. SE LEVO UM AMIGO GAY E ELE COMEÇA A TER ALGUNS MODOS INCONVENIENTES, ELE SERÁ CONVIDADO A SE RETIRAR. AGORA, SE LEVO UNS AMIGOS PRUMA FESTA EM MINHA CASA E ELES, SEJAM HETEROS, SEJAM GAYS, QUE CONTAM PIADA, FALAM DE POLITICA, TRABALHO, FUTEBOL, MODA, ESPORTES, DANÇAM, CANTAM, DÃO RISADAS, PODEM ATÉ TOMAR TODAS, MAS NÃO TEM ATITUDES OU COMPORTAMENTO INADEQUADOS, QUE FOGEM DO SENSO COMUM DO RESPEITO, CONVIVÊNCIA, ALEGRIA, SERÃO SEMPRE MUITO BEM VINDOS E CONVIDADOS.

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