ENTREVISTA ESPECIAL

Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018, 16h:43 | Atualizado: 16/11/2018, 08h:14

Opinião da população sobre a gestão de Taques já foi dada nas urnas, avalia Zaque

Promotor de Justiça Mauro Zaque foi responsável pela denúncia conhecida como Grampolândia Pantaneira

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Mauro Zaque Raio X

 

O promotor de Justiça Mauro Zaque foi nome recorrente no noticiário político e policial nestes quatro anos que se passaram. Seja pela atuação no Governo ou pelas denúncias feitas e investigações tocadas contra a administração do governador Pedro Taques (PSDB), de quem tinha relação de proximidade, mas hoje nutre sentimento de decepção. O ex-secretário recebeu a equipe do na sexta passada (09) em seu gabinete no MPE. Ostentando em placas e troféus a série de homenagens pelo o que fez na Segurança Pública, o ex-secretário falou sobre expectativas frustradas e atuação contra a corrupção. Apenas evitou tecer avaliação direta sobre o Governo Taques. Segue a avaliação das urnas, onde o tucano foi derrotado neste ano.

Leia os melhores trechos da entrevista:

O senhor participou de um momento de grande expectativa em MT, que foi o início do Governo Taques. Na época, o que fez o senhor decidir se afastar da promotoria e assumir a Sesp?

Acreditava no projeto e que iria haver uma mudança. Como tinha conhecimento na área de segurança, pensei que poderia contribuir com a sociedade. Foi o que tentei fazer no período.

O senhor, no entanto, ficou pouco tempo, menos de um ano. Se arrependeu da sua decisão de participar do staff?

Não me arrependi. Foi uma experiência válida. A partir do momento que eu percebi que não era mais aquele projeto que acreditava e apoiei, decidi sair.

Logo após deixar a Sesp, o senhor passou a ser considerado como “inimigo público” do Governo, por conta da denúncia dos grampos ilegais envolvendo membros do Estado. Se sente como pivô de uma das principais crises da Gestão Taques?

Não me sinto pivô, pois não mandei ninguém grampear alguém, não coordenei, nem ouvi áudio ou coadunei com esse tipo de conduta. Se alguém é pivô é aquele que mandou fazer e se beneficiou. Fiz o que achava certo e hoje eu faria, exatamente, a mesma coisa.

ERodinei Crescêncio

Mauro Zaque

Em entrevista em seu gabinete, promotor Mauro Zaque diz que não se arrepende de ter integrado o Governo Taques e não se vê como pivô de crise

O senhor, ao denunciar os grampos, agiu com vingança? Já que teria avisado Taques sobre a conduta irregular de Paulo Taques (primo e ex-chefe da Casa Civil do tucano) e do Coronel Zaqueu (ex-comandante da PM)...

Não é que pedi a saída deles. Na condição de secretário de Segurança e, então, amigo do governador - alguém que gozava da confiança dele -, falei que com esse esquema escandaloso não tinha outro caminho se não, no mínimo, afastar as pessoas para poder apurar. A partir do momento que Taques entendeu que não deveria afastá-los, eu percebi que quem estava sobrando ali era eu. Já havia avisado que não ficaria em um grupo que praticasse esse tipo de violência contra a sociedade. Isso não traz mágoa, pois, se ficar demonstrado na Justiça, o que eles fizeram foi contra a sociedade.

Qual o sentimento que o senhor tem diante do fato de ter avisado Taques sobre a conduta do ex-secretário Paulo Taques e nada ter sido feito? Lembrando que, depois, ele chegou a ser preso...

O fato é que as urnas rejeitaram o atual projeto

Mauro Zaque

Isso não é satisfação para ninguém. Não conheço detalhadamente os fatos pelos quais o primo do governador foi preso e então não posso opinar. Mas, acho que a Justiça está apurando e vão chegar a uma conclusão. Eu só espero que cheguem logo, seja para absorver ou condenar.

O senhor acredita que a não eleição do governador também seja uma resposta a estes erros do Executivo?

Eu não sei. Como eu não tenho essa habilidade política, fica difícil avaliar. O fato é que as urnas rejeitaram o atual projeto. O povo entendeu que não era a melhor solução e escolheram outro.

Já de volta ao cargo no MPE, o senhor instaurou uma série de investigações contra o Governo, como a que resultou na Operação Catarata. Acredita ser impossível um governo sem corrupção?

Não é impossível. É preciso romper com esse circulo vicioso que impera na máquina pública. Em que a pessoa comete um ato de corrupção e não é punida na medida exata que deveria ser. Tem que ter cadeia e tomar patrimônio. Também é importante termos em mente que para termos um governo sem corrupção, não basta só punir, mas amadurecer como cidadão. As mudanças vêm de baixo para cima.

Não teme que todas essas investigações tocadas pela sua promotoria sejam vistas como ações de retaliação?

É regra para quem é objeto de investigação desviar o foco do que se investiga. É comum entre os investigados deixar de responder aquilo que são acusados e atacar quem acusa. Para evitar esses tipos de comentários é preciso fazer o trabalho de maneira certa, como faço há 20 anos. Ninguém vai agradar todo mundo, mas todas as noites eu deito e durmo com a consciência tranquila. Se a pessoa fizer tudo certo no poder público, não será objeto de investigação. Sou titular de uma promotoria de defesa do patrimônio público, com a missão de investigar a corrupção.

Qual a opinião do senhor sobre a administração Taques?

Depois que sai do Governo fiz questão de não me envolver com política ou com a administração. Não tenho uma opinião formada. Única coisa que digo é que minha opinião não tem muita importância neste cenário. A importância maior é a opinião da população, que já foi dada no 1º turno das eleições.

Rodinei Crescêncio

Mauro Zaque

Mauro Zaque, em entrevista ao Rdnews, responde perguntas relacionadas a atuação de Pedro Taques, de quem nutre sentimento de decepção

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Comentários (1)

  • Carlos | Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018, 11h26
    4
    2

    Parece que existe uma história sobre três férias anuais, pode falar sobre isso!

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