ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 04 de Abril de 2020, 11h:30 | Atualizado: 04/04/2020, 11h:50

Padre valoriza prece virtual, confissão drive thru e ciência, contra Convid-19

Em tempos de pandemia, líder católico fala sobre formas da Igreja se reinventar para chegar até as pessoas

padre entrevista da semana

Em tempos de pandemia, muita gente recorre à fé e acredita até que doenças, como a transmitida pelo coronavírus, seja um sinal do fim dos tempos. A igreja, no entanto, tenta se reinventar - já que as celebrações presenciais também tiveram de ser adiadas por decreto do Governo seguindo a recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS). Por isso, o conversou com um represetante da igreja e que é bastante ativo na Capital, o Padre Carlos. Ele falou sobre as missas on-line, confissões por sistema de drive thru e uma interpretação diferenciada sobre os duelos entre a igreja e a ciência através dos séculos. Confira os melhores trechos da entrevista!

Confira os melhores trechos da entrevista:

Em tempos de igrejas vazias pelas restrições de contato neste período, como a Igreja Católica pode se reinventar para chegar até a vida das pessoas?

Em tempos de pandemia, estamos unidos como um só corpo (sociedade humana)

O caminho que explodiu recentemente foi o virtual por meio das mídias sociais. Confirmando mais uma vez  a necessidade de falarmos em plataformas digitais das novas gerações a partir das demandas atuais como as lives pelo Instagram. Também cresceu nos últimos dias o caminho ordinário dos sacramentos, mas isso demandou coragem para sermos criativos no exercício pastoral, como as confissões drive thru. Por fim tivemos atitudes corajosas e, em algumas cidades brasileiras, as igrejas foram abertas, respeitando o distanciamento social. Alguns caminhos são bem interessantes.

Essas pandemias provocam reflexões e para muitos é um sinal. O senhor concorda? Acredita que o mundo não será o mesmo, após o coronavírus, e que é momento de avaliar nossas condutas?

Com o desarranjo propiciado pela pandemia, propiciou-se um contexto favorável para pensarmos a finitude e finalidade existencial. Pergunta-se qual o sentido da vida, mas devemos nos recordar que o ordenamento do cosmos prevalece e sustenta-nos em meio aos desafios da pandemia. 

Propiciou-se um contexto favorável para pensarmos a finitude e finalidade existencial

Há historicamente uma certa disputa entre ciência e Igreja. A ideia de que o fiel precisa ir contra a ciência é algo do passado ou está presente na vida das pessoas hoje em dia, mesmo neste momento em que as pesquisas servem para orientar a conduta da população?

De fato tal percepção explodiu, após a Navalha de Ockham, abrindo uma fenda nessa questão ao ponto de que ainda pensamos a Idade média como um tempo que foi contraponto "às luzes da razão". Por outro lado, essa bifurcação pós Idade Média e o Renascimento, como um retorno ao homem, fora do eixo de um sadio diálogo. A Igreja tinha feito o retorno aos gregos e posteriormente tentou-se sobretudo, com processo filosófico, fazer o mesmo, mas sob o primado exclusivista da razão. Uma saída madura a partir do âmbito eclesial é recorrer ao maior pensador católico: são Tomás de Aquino. Nele percebemos a razão e a fé são duas partes de um mesmo pulmão. Mesmo que pareça incrível, vale dizer que podemos chegar a Deus apenas pela filosofia. Para esse autor, uma flor pode nos remeter a Deus. As ciências em seus escopos estudam objetos específicos que visam chegar em comprovações que nos permitam pautar nossas vidas devido à validade dos resultados dos experimentos. Tais leis sustentam não apenas nossas vidas, como também, o cosmos em sua beleza, esplendor e fulgor. Assim percebemos que são campos de conhecimento distintos. A pergunta que roça nosso intelecto: "E quem criou as leis que sustentam o mundo?" Deixo ao caro leitor essa convocação intelectual.

padre entrevista da semana

Em termos de solidariedade, por exemplo, no combate ao Covid-19, qual o papel da Igreja e dos fiéis para com a sociedade?

Estamos unidos como um corpo e o Papa nos conduz na barca da Igreja. O papa Francisco desde o início do seu governo convida-nos a olhar o mundo a partir das periferias existenciais. A aplicabilidade dessa perspectiva em meio à pandemia alcança, sejam as crianças, os idosos, os moradores de rua, os despatriados por força pandêmica, os desempregados e os que vivem na informalidade que estão vulneráveis. A Igreja, como mestra e perita em humanidade, deve estar na fronteira sempre. Devido à própria lógica interna da sua vocação, que émamar até o último suspiro como Cristo crucificado. Deixo como mensagem, que cada um em suas igrejas domésticas se comprometam a responsabilizar-se pelo outro, pelo mundo e pela vocação sob o eixo do versículo "(...) quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não enxerga. (1 Jo 4, 20)".

Muitas pessoas estão com medo e outras milhares sofrendo com a pandemia, fome e outros percalços. Que mensagem pode deixar para essas pessoas?

Desejo que permaneçam unidos ao Cristo até ás últimas consequências. Abraçando o Calvário que o bom Deus nos permite em seu infinito amor. Temos a dificuldade espiritual as igrejas com portas fechadas, mas o arcebispo tem-nos ensinado a olhar a igreja como "igreja doméstica", que é nosso lar, nossa família. Nesse espaço devemos ser criativos, seja em contemplação, adoração, meditação, serviços domésticos, fraternidade, leitura, pesquisas, esportes, solidão fecunda, descanso, avaliação da nossa caminhada de fé, clima de retiro interior e outras. Enfim, amor concreto e encarnado com aqueles que estão ao nosso redor.

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