ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 02 de Maio de 2019, 12h:31 | Atualizado: 02/05/2019, 17h:18

Pole Dance não é só para prostitutas, diz instrutora do esporte sensual - veja vídeo

Rodinei Crescêncio

Raio x paula souza

 

Foi-se o tempo em que “dançar no poste” era coisa de stripper. A prática serve para malhar o corpo e, ao mesmo tempo, elevar a autoestima, além de apimentar a sua relação. O Pole Dance, como conhecemos atualmente, tem influência de diversos países como França, Canadá e Estados Unidos. Sua origem está ligada ao Mallakhamb, uma prática indiana do século XII, que consiste em fazer atividades feitas em um poste de madeira (com o auxílio ou não de cordas), e é uma ramificação da Yoga.

No Brasil, a atividade começou a ganhar mais adeptos em 2006 e em 2009 foi criada a Federação Brasileira de Pole Dance (FBPOLE) com o objetivo de disseminar a prática como uma atividade física, um esporte.

A atividade corporal da “Dança no Poste” ainda é vista por muitas pessoas como unicamente uma prática erótica - uma arma de sedução. Por isso, sofre muito preconceito. Quem fala sobre isso é a educadora física Paula Santos, que há pelo menos oito anos ensina a arte em Cuiabá. A reportagem do foi até o estúdio dela conferir.

Confira os melhores trechos da entrevista.

Todos esses desafios que ela está sobrepondo e que consegue isso reflete para a vida

De onde surgiu o Pole Dance e como ficou tão associado à prostituição?

Surgiu como uma técnica indiana que é feita em um mastro de madeira e somente os homens praticavam. A segunda lenda é de ter origem circense. As mulheres nos intervalos durante as apresentações usavam as barras do circo para realizar as acrobacias ou até para sensualizar. Então, dizem que a origem do Pole Dance veio dessas duas modalidades. Mas ele tem essa conotação de erótico, sensual, pelo fato de que nas boates as mulheres usavam saltos e normalmente são muito altos durante as danças e utilizavam as barras como apoio. Em muitas coreografias soltamos as mãos em coreografia dançante, sempre soltamos as mãos. O Pole entrou nas boates para isso e ficou com essa conotação erótica, exótica e sensual.

Qualquer um pode praticar?

Sim, é para todos e universal. Hoje há campeonatos para crianças. Não tem idade. O que antes chamavam de vovó, hoje são as Pole Vovós. Antigamente as mulheres mais velhas eram conhecidas por fazer bolos, bolachinha na cozinha e agora já não. Hoje muitas crianças quando mostram suas avós, mostram fotos delas praticando Pole Dance. Em Cuiabá não trabalhamos com o Pole Infantil, mas existem turmas em outros lugares do Brasil que trabalham e inclusive com foco em campeonatos. Não tem idade, qualquer pessoa pode fazer. Não precisa ter força ou flexibilidade. Na aula trabalhamos o fortalecimento e existe toda uma preparação. Um exemplo é quando um aluno chega aqui sem qualquer tipo de preparo. Alongamento, antes de tudo antes, para depois começarmos a desenvolver os exercícios na barra. Em caso de patologia, pedimos para consultarem um médico e, se ele liberar, pode vir.

pole dance

No esporte, que também é uma arte, o corpo desliza no poste

Sendo dona a única academia na cidade, como você trouxe o Pole Dance para Cuiabá?

A autoestima vem da ideia de superação, pois em cada aula é um exercício diferente, você consegue perceber que conseguimos nos superar

Na época eu trabalhava em academia e uma vez veio um workshop para Cuiabá e ficou todo mundo encantado. Muita gente começou a ligar na academia perguntando sobre as aulas. Como eu já tinha um interesse, procurei no Estado todo para saber e em uma dessas ligações uma mulher perguntou se eu sabia se tinha aula de Pole Dance em Cuiabá. Eu, em uma sacada disse, não tem, mas vai ter. Se você deixar o seu telefone, assim que abrir eu ligo. Essas primeiras pessoas que peguei os telefones se tornaram minhas primeiras clientes quando abri o studio. Fui para São Paulo, fiz o curso e em seguida o Rio de Janeiro para aproveitar vários workshops interacionais. Com isso acabei formando várias outras pessoas que abriram outras unidades no interior.

Quais os benefícios dessa atividade?

É uma atividade alternativa. Algumas pessoas brincam que é uma terapia. Mas eu costumo falar que é pole-terapia. Quando a aluna chega, já vai relatando qual é o desejo dela. Sempre pergunto: o que você busca com o Pole Dance? Em 90% dos casos, é assim. Eu quero força, quero definição muscular, emagrecer. As pessoas vêm com todo um requisito físico que ela quer alcançar. Mas, com o passar das aulas, começam a entender que a parte física é uma consequência dos exercícios e da rotina de treinos e que o Pole vai muita mais além de uma “puxada”, de um fortalecimento, acrobacia ou uma inversão e ficar de cabeça para baixo. Com isso ela começa a entender que todos esses desafios que ela está sobrepondo e que consegue isso reflete para a vida. Tive um caso de uma aluna que começou a fazer aulas que tinha depressão, veio fazer por recomendação da psicóloga e alguns meses depois a própria psicóloga veio até o estúdio e me falou que queria conhecer o lugar e saber como é uma aula, porque acompanhava há dois anos essa paciente e ela não estava tendo evolução e com um mês de aula quase deu alta para ela, porque está muito bem. Queria saber qual era o poder do Pole. Então, ele proporciona muito mais que benefícios físicos, mas um benefício emocional sem tamanho. A autoestima vem da ideia de superação, pois em cada aula é um exercício diferente, você consegue perceber que conseguimos nos superar, o beneficio físico é só uma consequência causada pelos benefícios emocionais.

Eu sabia que existia esse desejo das mulheres e vi isso como uma oportunidade

Você já sentiu algum preconceito quando contou que era uma professora de Pole Dance?

Quando decidi dar aulas de Pole, tinha 27 anos e era casada. Tive que terminar um relacionamento de sete anos, porque ele me disse que não era para eu fazer isso, porque não era coisa de mulher de família. Pediu que eu escolhesse: ou eu ou o Pole Dance. Eu disse: ok! Peguei minha malinha e vazei. Fui fiz o curso, montei um estúdio na minha casa, ganhei o premio Sebrae de Mulher empreendedora, me casei de novo. Mas a principio sofri preconceito dentro da minha própria casa, quando fui falar com meus pais. Contei que ia fazer curso e dar aulas e minha mãe questionou: mas, filha, isso não é coisa de moça de família. E o meu pai a mesma coisa. Fui e mostrei um vídeo de um campeonato e com isso mudou tudo de figura. Desta vez, vieram me falar: mas, filha, isso é muito perigoso. O que não era coisa de moça de família virou algo perigoso. Ao mesmo tempo, recebi o incentivo deles para fazer o curso e, quando voltei, fui buscar parceiros e todos me questionavam. Mas você vai dar aula somente de Pole Dance? Tipo só isso? Quem vai querer fazer aulas de Pole Dance em Cuiabá? Mas eu já sabia como era o mercado e quanto de pessoas tinham o interesse, inclusive eu, na modalidade. Então não dei um tiro no escuro, de querer trazer algo novo, que não existia, sem ter noção total de mercado. Eu sabia que existia esse desejo das mulheres e vi isso como uma oportunidade.

Veja vídeo e um pouco da dança

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