ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 05 de Dezembro de 2020, 07h:15 | Atualizado: 05/12/2020, 09h:13

Prefeito eleito diz ter dificuldades para acessar dados e não descarta auditorias

Miguel garante que manterá bastante diálogo durante a sua gestão e ressalta base coesa na Câmara

Rodinei Crescêncio

Miguel Vaz_Raio X

A experiência política do prefeito eleito de Lucas do Rio Verde (a 350 km de Cuiabá) Miguel Vaz, entrevistado da semana pelo , é permeada de revés. Isso porque já foi vice-prefeito de Lucas de 2012 a 2016 na gestão Otaviano Pivetta. Mas, quando a chapa se repetiu para tentar reeleição, foram derrotados por Luíz Binotti por apenas 242 votos, diante de uma polêmica envolvendo questionamentos sobre o registro de candidatura às vesperas do pleito. Mas, tudo não passou de fumaça e a Justiça Eleitoral acabou referendando a legalidade no registro de Pivetta. Quatro anos depois, em 2020, Miguel vence o pleito contra Binotti que também tentou à reeleição. Nesta entrevista, o recém-eleito conta que enfrenta dificuldades na transição para obter informações e promete analisar os contratos com bastante transparência. Miguel também quer deixar o passado para trás e disse que pretende buscar apoio de parte do grupo de Binotti como o deputado federal Neri Geller (PP) e o senador eleito Carlos Fávaro (PSD). Os desafios para 2021 são a retomada segura das aulas, por conta da Covid-19, e reduzir o deficit habitacional.

Leia os principais trechos da entrevista feita por videochamada:

Como está o processo de transição com o prefeito Luiz Binotti, afinal, o processo eleitoral foi bastante acirrado?

O processo de transição está caminhando, mas numa velocidade menor do que eu gostaria. Teve pequenos problemas com as informações do site, algum problema técnico. Eu pessoalmente não estou acompanhando. Tem um coordenador que é o Aluízio Bassani e ele está fazendo isso. Mas, já temos algumas informações, ainda preliminares, e a gente espera que na próxima semana consiga ter todas as informações em mãos.

Durante o processo, surgiram denúncias, algumas trazidas pelo seu aliado, o vice-governador Otaviano Pivetta, o senhor pretende fazer auditorias e dar continuidade a essas investigações?

As investigações eu não sei se já estão em curso ou não. Eu pretendo analisar todos os contratos e, claro, deixar com toda transparência, deixar claro, aquilo que estiver em condições normais de seguir, a gente vai seguir normalmente. E, aquilo que a gente tiver alguma dúvida, a gente passa para auditoria e isso toma o caminho que precisa ser tomado.

O que muda com o retorno do grupo, do qual o senhor faz parte, para a prefeitura? Qual o perfil que pretende implementar para administrar Lucas?

Temos um déficit de habitação popular bastante acentuado aqui em Lucas do Rio Verde e precisa tratar disso logo, de imediato

Miguel Vaz

O perfil cada um tem o seu e o meu perfil é ser ouvinte e manter bastante diálogo com as partes, com os servidores, com a comunidade e também com as áreas de saúde, educação e segurança pública. Muito diálogo, planejamento e ação. Da mesma forma com a Câmara. A gente teve a satisfação de eleger a maioria, nós temos cinco (vereadores). É um grupo coeso, tenho certeza que dá para fazer um grande trabalho com muito diálogo na Câmara, esse vai ser o caminho. Até porque a minha experiência como vice-prefeito, quando ocupei o cargo de prefeito em exercício por algumas vezes, foi dessa forma que atuei, conversando, dialogando e executando os projetos.

Em relação à Câmara, a gente percebe uma relação tumultuada entre o atual prefeito e a Câmara, o que está faltando, faltou diálogo?

Eu não tenho dúvida de que faltou diálogo, eu não teria dúvida que através do diálogo a gente resolve as questões com o Legislativo. É um poder independente e tem que ser respeitado. A melhor forma que eu entendo é dialogar com a Câmara. Apresentar os projetos, debater os projetos e ouvir também que as coisas sempre têm um desfecho melhor. O que precisa é não perder tempo porque quatro anos passa muito rápido. Tem que ajustar o que precisa ajustar e seguir em frente para entregar aquilo que você assumiu compromisso.

Qual o primeiro grande projeto ou ato a partir de 1º de janeiro?

Olhando para serviços essenciais, nós temos um desafio que é a Educação, que vamos construir um plano. Não sabemos se a volta às aulas será 100% presencial ou parcial. Isso é o primeiro desafio porque logo no finalzinho de janeiro começam as aulas e a gente tem que estar preparado, inclusive com os profissionais da educação para que o serviço não pare. Então, eu considero como prioridade a educação, a gente tratar disso como primeiro plano, paralelamente com a área de Saúde. Porque os servidores da saúde, normalmente no final do ano, têm os contratos que acabam, e tem que cuidar disso para que não se interrompa serviços essenciais. Agora, como grande projeto e grande desafio, nós temos alguns, principalmente da área da habitação. Temos um deficit de habitação popular bastante acentuado aqui em Lucas do Rio Verde e precisa tratar disso logo de imediato, formar as parcerias com o governo federal e com o governo do Estado e mais o Poder Público municipal para que isso seja uma das prioridades porque a gente tem um compromisso ai bastante ousado para os próximos 4 anos.

Em relação a questão econômica, Lucas está posicionado em um local estratégico, com algumas perspectivas de ferrovia. Pensando nos efeitos da Covid-19, planejamentos e projetos, o que fazer para potencializar o desenvolvimento econômico e geração de empregos?

Eu tenho recebido novos investidores com a intenção de investir ainda mais aqui, inclusive na agroindústria.Desenvolver, por exemplo, a cadeia do algodão. Temos apenas o algodão em caroço, onde é extraída a pluma. Então, basicamente é exportada a pluma do algodão. Tem o interesse de construir a primeira fase dessa cadeia, que é a fiação. É uma expectativa que temos e outros investimentos na industrialização da carne bovina. O município precisa estar aberto, como teve por muitos e muitos anos. Aberto para receber grandes investimentos. E o próprio luverdense tem um perfil muito empreendedor, eu mesmo participei de vários projetos aqui da transformação da matéria prima primária em produtos de valor agregado. O município tem que ter um ambiente propício, adequado e receptivo. Não pode ter um ambiente hostil, tem que ser acolhedor para que os empreendedores venham até Lucas e continuem investindo. Nós já somos uma referência na agroindústria e eu, nestes meus 4 anos, quero trazer mais indústrias para Lucas.

Rodinei Crescêncio

Patricia_zoom_miguel

O fato de estar próximo ao vice-governador traz algum benefício, já teve alguma conversa com o governador Mauro Mendes no pós-eleição?

Minha relação com Otaviano (Pivetta) é muito estreita, então, logo que eu assuma, quero fazer uma visita no gabinete do vice e, provavelmente, do governador para mostrar os nossos projetos, em especial o da habitação e outros da saúde. Nós temos que ampliar o hospital São Lucas, que é uma filantropia e o Estado pode e  deve ser parceiro desse projeto para que se torne uma referência aqui, então daria um salto bem significativo na área de saúde e poderíamos atrair novas especialidades para Lucas. Vejo com muito otimismo isso. Temos aqui de Lucas um deputado estadual Silvio Fávero, um federal Neri Geller e, agora, um senador eleito Carlos Fávaro. Ainda que não tenham sido apoiador, são eleitos, são luverdenses e eu vou buscar sim sentar com eles, dialogar e buscar recursos para melhorar as condições de infraestrutura de Lucas do Rio Verde.

Sobre o presidente da República e suas políticas, está indo bem? Pretende buscar recursos em Brasília?

Quero fazer viagens para Brasília, quando entender importante. Sempre tem os convênios e isso requer viagens a Brasília, projetos para trazer esses recursos para cá para fazer mais infraestrutura. Já fiz isso muitas vezes, eu costumo dizer que não sou marinheiro de primeira viagem, tenho uma certa experiência em Brasília na busca por recursos.

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Comentários (1)

  • Davi | Domingo, 06 de Dezembro de 2020, 09h20
    2
    3

    Binotti perdeu por causa do apoio de Carlos Fávaro e o Abílio perdeu por causa do apoio público de um governador rejeitado.

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