ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 06 de Junho de 2020, 08h:19 | Atualizado: 06/06/2020, 08h:36

Presidente da CDL relaciona aumento de infectados a oferta de testes da Covid veja

Nelson Soares afirma que crescimento do coronavírus não se deve apenas a reabertura do comércio

Dayanne Dallicali/Arte/Rdnews

Nelson Soares Jr

Nelson Soares Júnior tem guiado, enquanto presidente da CDL Cuiabá, os interesses do empresariado na Capital, mas, diferente do que alguns possam imaginar, durante a crise provocada pela Covid-19 e seus impactos na economia, acredita que a junção da sociedade, iniciativa privada e governamental tem sido fundamental para seguir em frente. Ele conta que apesar da curva ser crescente e o comércio reaberto neste momento, a estratégia foi acertiva, pois fez com que o município ganhasse tempo para ter mais leitos, hospitais e estrutura no tratamento do coronavírus, caso haja um crescimento do número de infectados. Ele ainda revela que 2020 é um ano perdido segundo as últimas pesquisas do setor, mas que o Brasil deve recuperar o fluxo econômico já no primeiro semestre do próximo ano. O presidente ainda elogia as medidas tomadas pelo prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), ao revelar que tudo que o gestor decidiu foi de forma técnica, tentando cuidar da saúde da população e economia do município.

Confira os principais trechos da entrevista realizada de forma remota:

Reprodução

Nelson Soares Jr

Nelson Soares em entrevista remota com os jornalistas Airton Marques e Mirella Duarte

O fechamento do comércio na Capital durou pouco mais de um mês. Qual o resultado visto até então?

No primeiro momento, a gente ficou com uma certa resistência em aceitar a medida que ele estava tomando e ao longo do tempo pudemos verificar que isso (fechamento do comércio) foi importante no controle da elevação da curva (de infectados). O comércio sentiu como nunca havia sentido antes. Ao longo do tempo, o prefeito foi sensível e, dentro do que ele julga ser a abertura com respaudo técnico da área de saúde, foi reabrindo paulatinamente as atividades. Não estão todas liberadas. O que aconteceu é que a gente acompanhou a curva de contaminação versus números de mortos e uso da capacidade instalada de aparelhos hospitalares. Daí, a gente viu que Cuiabá está hoje, mesmo que tendo elevação desses números, entre as capitais com menor índice (de contaminados) por mil habitantes. Lógico que vamos deixando um rastro pra trás que ninguém gostaria, tanto da parte daqueles que perderam os seus familiares quanto das empresas que não conseguiram voltar. Mesmo com a abertura do comércio não teríamos uma recuperação de vendas nem próxima daquilo que era a pandemia, mas pelo menos você tá aberto a um recurso novo.

Há uma previsão de quando o comércio vai se recuperar?

Nossa previsão era retornar aos níveis de pré-pandemia no segundo semestre de 202. Hoje, a gente já pode começar a pensar no primeiro semestre de 2021. O ano de 2020 é um ano perdido, muito difícil que a gente consiga (recuperar) nesses meses que vem pela frente, ainda sob efeito da pandemia e com curva ascendente no Brasil. Mas a gente espera que nos próximos meses, com o início da diminuição da curva, as atividades vão se oxigenando e vão conseguindo ter um espaço maior na sobrevivência.

Quando o comércio foi reaberto, Cuiabá registrava 126 casos confirmados de infectados, com uma morte. Hoje, os casos de infectados subiram para 1037, com 16 óbitos. O aumento de infectados foi de 723%. O senhor vê uma relação entre o aumento de casos com a liberação do comércio?

Em todos os lugares que tiveram abertura teve um crescimento nessa curva. Com exceção de Santa Catarina. Creio que o aumento da quantidade de testes é que está provocando sabermos com mais antecedência. O que nós defendemos desde o início é testar, pois a partir do momento que você começa a testar e identificar um possível contaminado, principalmente os assintomáticos, você tem um controle. As duas coisas (reabertura do comércio e aumento dos testes) colaboram para que tenhamos esse aumento. O prefeito Emanuel estava muito seguro que isso poderia acontecer e trabalhou medidas concomitantes com o aumento do número de leitos, e a chegada de novos atendimentos. Então, o número de teste e a reabertura do comércio é o que contribui para que se tenha este crescimento.

O senhor acredita que foi correta a decisão da prefeitura de fechar o comércio logo no início da pandemia, quando os casos eram baixos, e afrouxar as medidas de isolamento quando a curva das contaminações estava começando a subir?

Como é que você consegue aliar a proteção da saúde da população com a proteção da economia da população? O prefeito foi sempre aberto e dialogou com todos os setores, justificou as medidas que estava adotando. Não podemos só olhar o lado do comerciante e criticar o prefeito, pois ele fechou o comércio e não deveria ter fechado. Mas também não podemos critica-lo por ter aberto quando a curva engata a ascendente. Todas as ações do prefeito foram tomadas com respaldo técnico. Não estou garantindo que está correto, mas pelo o que está acontecendo, imagino que em um resultado melhor do que se continuasse paralisado ou se não tivesse fechado no início.

O comércio estaria preparado para um lockdown, caso fosse necessário reforçar o isolamento social, para achatar a curva de contamidados e mortos?

Conversamos muito com o prefeito e chegamos a conclusão de que se há um risco muito maior a saúde da população, independe da atividade econômica, é lógico que o Emanuel vai decretar lockdown. O que estamos fazendo enquanto entidade é dizer que a responsábilidade é de todos. Se conrtinuarmos não isolando o grupo de risco, vai correr o risco da curva aumentar e não sobra outra alternativa. Ninguém está preparado para fechar, mas se ocorrer, o comércio e população vai sofrer ainda mais.

Os comerciantes foram obrigados a se reinventar. Qual o legado que essa pandemia vai deixar?

Algumas coisas a gente já pode constatar por meio das pesquisas que nós fizemos. A primeira delas é que algumas atividades que passaram a ser executadas no home office demonstraram ser mais efetivas que no próprio local de trabalho. Isso é um comportamento que vai mudar o perfil da sociedade empresarial. O segundo ponto é o delivery. Muita gente que tinha desconfiança em adquirir passou a comprar, assim como quem não podia sair de casa passou a usar o delivery e encontrou um caminho novo, que ele não usava e se deu bem. O empresário hoje esta olhando com muito cuidado pra esses novos perfis do consumidor, principalmente o virtual. Outra mudança é o horário de funcionamento do comércio em Cuiabá. Isso também está gerando um comportamento diferente no pico do horário das compras. O que a sociedade vem experimentando é o avanço das redes sociais e outras, certamente virão outros tipos de uso no mercado.

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Comentários (6)

  • Maria | Domingo, 07 de Junho de 2020, 18h18
    1
    1

    Certíssima Eva Reis! Esse sr é coveiro, carrasco ... o lucro dos empresários não pode parar mas os trabalhadores podem colocar a vida a prêmio!

  • Frederico | Domingo, 07 de Junho de 2020, 08h30
    2
    3

    Eva, eta ódio saindo pelas ventas. É gente ou é fera ?

  • Antonio | Sábado, 06 de Junho de 2020, 23h43
    0
    4

    Muito bem colocado!

  • Eva Reis | Sábado, 06 de Junho de 2020, 17h23
    9
    2

    Que testagem se refere o presidente da CDL? Nem empresário é, ele não tem empresa, está certo garantir sua mamata nas entidades, CDL e Sindipetroleo. Só espero que seja homem para não mentir. Não existe teste pra fazer, não aumentaram os números de teste. Tenho amigos com sintomas de Covid e não conseguem fazer teste, tem servidor da PCE querendo fazer o teste por já ter dois casos positivos lá no presídio e nem o governo tem pra fazer. Então senhor Nelson seja homem e assuma o F...que os senhores defensores da economia deram pra vida humana.

  • Francisco Santo | Sábado, 06 de Junho de 2020, 13h30
    2
    7

    O bom senso de sempre, parabéns Nelson pela diferença nesse absurdo de decisões políticas.

  • Amaral antunes | Sábado, 06 de Junho de 2020, 08h38
    6
    3

    Aparece tanto especialista de araque, esse é mais um.

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