ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 21 de Novembro de 2020, 08h:33 | Atualizado: 23/11/2020, 16h:56

Produtor é quem decide se calendário é bom, diz novo presidente da Aprosoja

Fernando Cadore foi eleito com apoio do atual presidente, Antônio Galvan, que foi alvo do MPE

raio x fernando cadore

Após um ano polêmico para a diretoria da Aprosoja, o presidente eleito da Aprosoja, Fernando Cadore, não foge do debate e fala abertamente sobre os processos judiciais que instituição responde sobre o plantio de soja em período não permitido pela legislação, visando a produção de sementes. Destaca a relação com a China, maior comprador dos grãos produzidos no país, e afirma que é necessária harmonia e diplomacia no trato internacional. A visão se estende aos EUA que acaba de eleger Joe Biden, defensor de mudanças na questão ambiental brasileira para preservar a Amazônia. Cadore assume o cargo para dirigir a Aprosoja no triênio de 2021 a 2023.  

Confira os principais trechos da entrevista:

A vitória da sua chapa veio em meio a um momento turbulento onde o atual presidente Antonio Galvan teve certo desgaste devido a processos judiciais. Qual a expectativa com o próximo mandato, o senhor que é hoje vice-presidente da Aprosoja?

A eleição encerrou, a entidade é uma só e representa 7.200 produtores o que no universo de produtores rurais é uma quantidade gigantesca. É difícil para quem não está envolvido no setor entender o que significa este número, mas para quem está sabe que isso é gigantesco em qualquer lugar do mundo. É uma responsabilidade muito grande para nós, diretoria eleita, fazer com que a vontade desses produtores seja convertida em ações e pleitos e tocados à frente. Esse é o papel que cabe ao presidente eleito: trabalhar para que os anseios da base sejam levados pela entidade.

entrevista com Fernando Cadore

O presidente eleito da Aprosoja, Fernando Cadore, foi entrevistado por vídeoconferência

Qual será a participação do presidente Antônio Galvan na próxima gestão? Ele vai ser um conselheiro para o senhor?

Até dezembro ele está como presidente e depois ele vai compor o quadro de ex-presidentes e, em nossa entidade, os ex-presidentes são chamados de conselheiros consultivos. Então, como outros presidentes, ele vai compor o conselho e esse será o papel que ele terá. Nossa gestão vai se pautar na base, a Aprosoja tem uma capilaridade gigantesca e isso se reflete no legado de cada lugar. A diretoria vai dar voz a isso. Galvan vai participar ali nas reuniões do conselho, mas as decisões serão da diretoria eleita.

Como o senhor avalia a relação atual do país com a China, principal comprador dos grãos produzidos em MT? Sobre os EUA que elegeu um novo presidente, Joe Biden, o senhor acredita que pode ter impactos para o Brasil, uma vez que ele tende a priorizar o mercado interno? Biden já falou da Amazônia como essencial, o senhor acredita que MT pode ser prejudicado se não seguir uma pauta ambiental de preservação?

A relação entre Brasil e EUA é muito harmônica e independe de quem estiver à frente do país e me refiro à questão produtiva. A Aprosoja Mato Grosso lidera hoje os produtores de soja do mundo. Estamos à frente da Aliança Mundial dos Produtores de Soja que é composta por Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Canadá. Eu e nossos diretores que estamos à frente neste triênio temos uma relação amena e pacífica, tentando fazer mercado porque existe mercado para todos os países. Tem consumo para todos. Buscamos políticas de aceitação dos nossos produtos.

Do ponto de vista ambiental também buscamos trabalhar, acho que a política do Biden não vai interferir muito entre nós aqui. Obviamente tem a questão ambiental, o discurso do Biden é um pouco diferente, as estamos tranquilos em afirmar que o nosso estado é extremamente sustentável e a gente trabalha dentro do código florestal.

A China é nosso principal parceiro comercial da soja, então como qualquer outro parceiro, precisa ser preservado e tratado com respeito, dada a importância que tem. Não é só na soja, pois a China vem despontando para ser importadora de milho, uma cultura que a gente precisa tirar do Estado, pois a gente não consume tudo o que produz. Tem que ser uma relação harmônica e respeitosa, não só MT, mas o Brasil hoje é dependente da China para exportações não só de soja, mas da carne bovina, minério de ferro.

Uma das principais polêmicas da atual gestão foi em relação à Calendarização da Soja que permitiria o plantio durante meses de vazio sanitário com a finalidade de produzir sementes, o senhor vai dar continuidade a esta pauta?

Se me permite, o vazio sanitário nunca foi discutido. A Aprosoja e os produtores respeitam, que é o período que não pode haver soja de 15 de julho a 15 de setembro. O que se discute é em 2015 criou-se uma calendarização que se sobrepõe ao vazio sanitário. É uma barreira sanitária travestida de limitação de plantio, sem pesquisa e sem consultar o produtor rural. Quando se tem uma decisão em detrimento ao setor econômico, você vai desagradar quem usa daquilo. O pleito que tem sido tocado por esta gestão, não é algo da pessoa do presidente ou da diretoria, ela é a tradução de uma demanda. O setor, a grande maioria, não aceitou essa imposição. A não ser que o produtor mude de ideia e entender que essa calendarização foi boa para ele, aí a entidade vai parar. Mas, caso o nosso produtor continue achando que foi uma decisão injusta e impositiva, a entidade tem e deve continuar o pleito independente do presidente. Tanto que também foi pauta da chapa que perdeu a eleição, continuar com a calendarização.

Ele não tem beneficiado ou deixado de beneficiar o setor do ponto de vista da segurança jurídica. É um governo aberto ao direito à propriedade o que é uma premissa de países democráticos. Essa visão por si só faz com que nossa classe apoie o presidente

Fernando Cadore

Tem sim uma questão judicial, mas estamos tratando dos trâmites legalmente, a entidade tem trabalhado dentro do que o produtor precisa. Exemplo de que a gente está no caminho que o produtor pede, é que fomos eleitos.

Como o senhor avalia a gestão de Mauro Mendes já que o setor teve embates com o governador em propostas importantes como o Novo Fethab e os incentivos fiscais? O senhor entende que o produtor rural foi prejudicado na atual gestão do governo do estado?

Cabe a nós levar as demandas do setor ao governador. É natural que as demandas sobre o Fethab e os incentivos fiscais sejam pauta porque mexem na renda do produtor e a gente não via isso revertido em infraestrutura que era um papel do Fethab. Somos um gigante em produção e um anão em infraestrutura.

A gente não é contrário e nem favorável a nenhum governo, mas como cidadãos, a gente tem que cobrar as políticas públicas e vamos continuar cobrando.

Como o senhor avalia o governo do presidente Jair Bolsonaro? Ele tem ajudado o setor?

Ele não tem beneficiado ou deixado de beneficiar o setor do ponto de vista da segurança jurídica. É um governo aberto ao direito à propriedade o que é uma premissa de países democráticos. Essa visão por si só faz com que nossa classe apoie o presidente. É claro que, como todo governo, a gente também vai levar sugestões e, quando precisar, vamos fazer críticas. O papel do governo federal é muito parecido com outras instâncias de governo e estamos ali para ser parceiros.

O setor ainda precisa de muita coisa, como armazéns no Estado. Essa é uma demanda que vamos levar ao governo federal. Mato Grosso só tem capacidade para armazenar 50% do que é colhido, é um problema porque imagine um desacordo comercial ou qualquer coisa que iniba a saída desse produto, onde é que vamos colocar esses milhões de toneladas que a gente colhe?

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Comentários (4)

  • Orlandir Cavalcante | Segunda-Feira, 23 de Novembro de 2020, 09h18
    2
    0

    O verdadeiro Governador de Mato Grosso ... eles ditam as pautas para Mauro Mendes e calendários de votações na ALMT. A ultima determinação para o MAuro mendes e ALMT é a reforma administrativa

  • Agricultor MT | Domingo, 22 de Novembro de 2020, 19h27
    1
    4

    Parabéns Fernando! Defendendo muito bem nossa classe

  • Realista | Domingo, 22 de Novembro de 2020, 09h47
    6
    2

    Incrível a arrogância desse senhor. É um barão bem à moda dos barões do café paulista, hoje felizmente todos falidos e constantes apenas nos romances com suas mirabolantes ações de opressão. Espero que o MPE e Justiça façam alguma coisa contra essa desrespeitosa afirmação

  • Eleitor | Sábado, 21 de Novembro de 2020, 15h07
    8
    5

    Pela fala desse senhor tenho certeza que a Aprosoja terá grandes problemas com a Justiça de Mato Grosso porque na visão desse senhor os produtores diga se de passagens os "barões do agronegócio" podem tudo inclusive desrespeitar as leis do nosso Estado... Espero que a Doutora Ana Luiza Peterlini esteja como sempre atenta aos movimentos desses barões do agronegócio representados pela aprosoja...

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