ENTREVISTA ESPECIAL

Quinta-Feira, 04 de Julho de 2019, 14h:08 | Atualizado: 04/07/2019, 14h:31

Se retirar incentivos em MT, quem pagará mais caro é o consumidor, diz Buzetti veja

Empresária afirma que os governos em MT foram burros, pois não atrairam indústrias estratégicas

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Margareth Buzetti

 

Presidente da Associação das Empresas do Distrito Industrial de Cuiabá (Aedic), Margareth Buzetti critica a atitude do governador Mauro Mendes (DEM) em querer reinstituir os incentivos fiscais e ao mesmo tempo rever as alíquotas do ICMS. A empresária do ramo de recauchutagem de pneus aponta que sem incentivos, Mato Grosso não tem indústrias. Pelo mesmo motivo, o Distrito Industrial, que deveria ser local de competitividade, não desfruta desta característica. Margareth, que participou da equipe de transição do Governo Mauro em 2018, pontua de forma clara, que o governador por ser empresário industrial deveria saber que não se mexe em incentivos já estabelecidos.

Confira os principais trechos da entrevista:

O governador Mauro Mendes (DEM) está sendo criticado pelos setores econômicos por enviar de última hora o PLC para reinstituir os incentivos fiscais em Mato Grosso antes de 31 de julho, prazo estipulado pela legislação federal. Quais riscos essa medida pode trazer para o setor industrial?

Temos dois riscos. O primeiro é que a convalidação dos incentivos precisa ir senão ficamos na ilegalidade. E o segundo risco é que se está mexendo nos percentuais dos programas nos quais todos os beneficiados já tem contrato, com previsão de investimento em cima desse percentual. Quando se fala em insegurança jurídica, e o governador que é empresário deveria saber bem disso, não se deve mexer em contratos pré-afirmados e assinados.

A insegurança jurídica já ronda o setor empresarial há muito tempo. O próprio Prodeic, que é o mais notório em MT, já foi utilizado como barganha para corrupção e foi massacrado por isso. E agora os programas de incentivos tendem a ficar menos atrativos. Isso pode significar perdas de indústrias no Estado?

Com certeza. Nós já perdemos durante o governo Pedro Taques várias indústrias. Eu não sei qual foi a intenção da Sefaz, e eu acho muito ruim isso, o porquê mandar junto com a convalidação a reforma tributária. Os outros Estados enviaram projetos com poucas linhas, aqui não, são 79 páginas. Aí cada tributarista interpreta de um jeito, como que vou saber como a Sefaz vai interpretar?

Rodinei Crescêncio

Margareth Buzetti

Margareth Buzetti durante entrevista especial ao Rdnews, 2ª

O Distrito Industrial em tese deve ser uma zona de fomento para verticalização da produção econômica. O Distrito em Cuiabá pode ser considerado um espaço atrativo e com competitividade?

Hoje, não. A indústria sem incentivo não sobrevive em Mato Grosso. Eu sou favorável à guerra fiscal. Quero saber como vai funcionar isso em um Estado que não tem consumo, que está há 2 mil km de tudo. Vai industrializar o quê? Eu digo que os governos em Mato Grosso foram burros, porque não atrairam indústrias estratégicas. Para se ter ideia, o consumo de agroquímicos movimenta R$ 10 bilhões por ano, e nós não temos nenhuma fábrica aqui, a única que tinha em Rondonópolis fechou e foi embora. Falta política de incentivos para a indústria.

O Governo negocia a perenidade no fornecimento do gás natural boliviano. Há pelo menos 20 anos que o tema vem se arrastando de forma claudicante.  Dessa vez essa fonte energética vai trazer uma nova fase para a produção industrial em Cuiabá?

O Governo está no caminho certo, que é a possibilidade de se associar com os bolivianos para mandar esse gás pra cá sem passar pela Petrobras. É o caminho ideal para nós. Uma indústria que tinha consumo de R$ 25 mil em GNV está pagando R$ 80 mil em energia. No governo passado me pediram para fazer um levantamento das indústrias que vão querer o gás, eu falei não, faz o contrário, traz o gás, forneça por um prazo médio sem interrupção. Hoje se eu for fazer esse levantamento, nenhuma empresa vai querer para não ter insegurança. A mudança não é uma coisa fácil, é radical.

A discussão em torno da chegada da ferrovia até Cuiabá tem se intensificado nos últimos meses. A Rumo, empresa concessionária da Ferronorte, já demonstrou que existe viabilidade. Se o modal chegar até a Capital, o que significará para o setor industrial?

O Estado precisa de todos os modais de transporte, senão ficamos fora do crescimento econômico. A ferrovia até Rondonópolis já traz vários contêineres/mês de produtos consumidos em Cuiabá. Se o trem chegar aqui traz a possibilidade de vir indústrias que não viriam para Cuiabá, porque vai baratear o frete. Vai ser importante não só para a Capital como para toda a baixada cuiabana. Hoje a logística tem um custo enorme. O Prodeic auxilia neste sentido, porque a empresa que frui de 90% do incentivo passa a ter apenas o custo da logística. Por isso precisamos desmistificar os incentivos, porque se retirar, quem vai pagar mais caro é o consumidor.

Margareth Buzetti fala dos desafios do Poder Público para investir na indústria:

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Comentários (4)

  • Pedro Assis | Domingo, 07 de Julho de 2019, 08h14
    1
    0

    Tem rever mesmo, nos o povo não comemos soja! E pagar, já pagamos a muito tempo.

  • Consumidor | Sábado, 06 de Julho de 2019, 17h04
    2
    0

    chegar de incentivo/sonegação fiscal! Prefiro pagar mais caro e recolher os devidos tributos ao agente publico! chega de engordar essa casta com dinheiro publico! O retorno no preço final é nenhum... pura enganação!

  • Pedro | Quinta-Feira, 04 de Julho de 2019, 22h52
    3
    0

    O que tem que ser feito é avaliar as empresas que detém os benefícios, mas não dão o retorno esperado por parte do governo, que abre mão dos tributos. E ainda tem aquelas que, mesmo tendo direito a redução no montante a ser recolhido, ainda sonegam, vendem notas fiscais, promovem, em conluio com pessoas desonestas, esquemas que terminam por dar prejuízo ao Estado. Além do que benefícios fiscais não devem durar para sempre. É temporário, para atender demandas. O governo pode suspendê-los ou modificá-los quando for necessário

  • santos | Quinta-Feira, 04 de Julho de 2019, 15h13
    4
    2

    Não Como Soja, 70% do que consumo vem da agricultura familiar.

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