ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 31 de Outubro de 2020, 08h:13 | Atualizado: 31/10/2020, 08h:26

Sub judice,Taques diz nunca ter roubado e demonstra mágoa com os ex-aliados - leia

Rdnews entrevista candidatos ao Senado: Taques questiona se ter candidatura barrada foi decisão justa

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Na fé de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) irá lhe garantir o registro de candidatura na eleição suplementar ao Senado, o ex-senador e ex-governador Pedro Taques (Solidariedade) afirma que, apesar da condenação por suposto uso eleitoreiro da Caravana da Transformação em seu mandato no Palácio Paiaguás, não é um político ladrão. Em entrevista exclusiva ao , questiona se o indeferimento de sua candidatura foi uma decisão justa. Apesar de considerar ter sido um melhor senador do que chefe do Executivo estadual, ressalta que teve mais bons resultados do que ruins. Desacreditado politicamente após ter quebrado tradições ao não se reeleger em 2018, o ex-tucano demonstra mágoas com antigos aliados, como o ex-vice-governador Carlos Fávaro (PSD) e o ex-deputado federal Nilson Leitão (PSDB), seus principais adversários nessa campanha. Por fim, reforça que mesmo sem a candidatura deferida, terá seu nome e número nas urnas no dia 15 de novembro.

Dayanne Dallicani/Arte/Rdnews

Pedro Taques

Confira os principais trechos da entrevista gravada de forma remota com o candidato:

Candidato, em 2018 o senhor não conseguiu se reeleger governador, algo incomum em Mato Grosso. Qual foi o sentimento do senhor ao deixar o Palácio Paiaguás?

O sentimento é de quem cumpriu com o dever naquele momento histórico, de quem buscou fazer a coisa correta. Sobre perder a eleição, faz parte da democracia, o cidadão é soberano, ainda bem que temos eleições, na política você não só ganha. Nenhuma mágoa, o cidadão sabe o que faz, ele que vota, quem não quiser perder, que não venha disputar eleição. Fui procurador da república e estudei. Fui senador e depois governador porque naquele tempo era uma missão substituir uma quadrilha que roubou o estado. Em 4 anos a União não repassou R$ 1,5 bilhão para saúde. Agora, o presidente Jair Bolsonaro repassou R$ 1,5 bilhão em 4 meses - foi ele e não um candidato que mente que foi ele. Carlos Fávaro (PSD) diz que foi ele, desrespeitando o presidente. Isso mostra a diferença do momento histórico.

O senhor tenta no TSE reverter decisão do TRE-MT, que indeferiu sua candidatura por inelegibilidade, levando em consideração uma condenação por conduta vedada aplicada pelo uso eleitoreiro da Caravana da Transformação na eleição de 2018. Se sente de alguma forma perseguido?

Sou candidato e nunca roubei um real. Tenho certeza que os leitores sabem de casos absurdos de políticos que roubaram. Tem candidato ao Senado que foi preso, outro tem dois homicídios nas costas, sendo processado, e eu não roubei nada. O que fiz foi começar um programa em 2016, fiz 2017 e tive um parecer da PGE para continuar em 2018, e antes do período vedado, foi em maio a última, 70 mil pessoas que não eram enxergadas, passaram a enxergar*. Não me arrependo, respeito a decisão do TER-MT, mas fui condenado a uma multa de R$ 50 mil e entrei com recurso com efeito suspensivo. Quero expressar meu respeito aos juízes do TRE, ao MP, mas vou recorrer. O ex-governador Silval Barbosa roubou R$ 1 bilhão e fez um acordo de R$ 80 milhões e tem 10 rádios no interior. Isso é justo? É razoável? Eu fui condenado a R$ 50 mil e não posso ser candidato.

*Nessa resposta, Taques cita o assassinato de dois empresários de São Paulo, em 2004, do qual Júlio Campos foi acusado como mandante; o caso prescreveu

Mesmo que consiga reverter e manter sua candidatura, acredita que eleitoralmente, foi prejudicado pela decisão?

Estamos há 15 dias das eleições, serei senador porque acredito no eleitor. Tenho recebido telefonemas, WhatsApp do estado todo, de gente dizendo que está comigo. As pessoas começam a comparar com outros candidatos. Sou favorável à estabilidade do servidor e vou votar por ela na reforma administrativa. O candidato do governador (Carlos Fávaro) não é favorável à estabilidade. Aliás, ele foi contra eu pagar o RGA quando era vice-governador. Ele foi contra eu manter os ganhos salariais dos professores da lei nº 510. Foi contra manter a alíquota da previdência. Cada um escolhe o que deseja.

O senhor acredita que a população vai considerar apenas os anos em que esteve no Senado ou também quando comandou o Executivo estadual? Somando os dois, o senhor tem mais resultados bons do que ruins?

Quando saí do Senado para ser governador, foi por uma missão. Se tem pontos positivos ou negativos, o eleitor avaliou e não fui reeleito. Mas não tenho nenhuma preocupação sobre o que fiz como governador, não me envergonho disso. As 70 mil pessoas que não enxergavam, vou me arrepender delas? As 40 mil famílias que receberam o Pró-família, vou me arrepender delas? As 40 escolas em tempo integral, vou me arrepender? As escolas militares? O aumento salarial dos professores que recebiam R$ 2,2 mil e passaram a receber R$ 4,2 mil? Eu não me arrependo disso. Tenho certeza que fiz a coisa certa. É só comparar. Tem chapa que tem candidato processado por homicídio e eu com multa de R$ 50 mil e não tenho dinheiro para pagar, porque fui procurador da república, senador, governador e tenho o mesmo patrimônio. Outros entram na política e são donos de rádio, de TV, fazendas, bois, eu não mudei e servi ao estado.

O senhor volta a falar na chapa adversária, mas essa chapa já foi seu grupo político, foi filiado ao PSDB, teve apoio do Nilson Leitão (eram do mesmo partido), teve apoio de Júlio também. Não seria uma incoerência criticar agora que estão em palanques diferentes?

Em 2014, eu fui candidato ao governo e o senador Jayme Campos era (candidato à reeleição) e desistiu no caminho. Em 2018, você acha que Nilson Leitão me apoiou? Eu tenho amigos no PSDB e o problema não é o partido. Eu não quero falar mal de candidato. É só comparar com outros candidatos. Hoje estou no Solidariedade e mais feliz nesta eleição, porque não estou carregando o mundo nas costas, estou fazendo uma campanha tranquila.

Dayanne Dallicani

Pedro Taques Live

O ex-governador e ex-senador Pedro Taques, durante entrevista remota com os jornalistas Andhressa Barboza e Airton Marques, na quinta (29)

Candidato, o Congresso analisa duas pautas importantes para o Governo Bolsonaro, que são as reformas tributária e administrativa. Qual o senhor avalia como mais importante e por qual motivo?

Não mudo meu discurso de acordo com quem está me ouvindo. Defendo que primeiro tem que ser a Reforma Tributária. Temos três pontos que precisam ser debatidos. Primeiro a simplificação da tributação. Segundo, a tecnologia é muito importante, por exemplo, quando comecei a investigar o Arcanjo, demoramos 3 anos na investigação e hoje demoraria 2 meses. O terceiro ponto é tirar a tributação da produção, pois ela gera emprego e faz a roda da economia girar. A Reforma Administrativa precisa ser pensada sobre o tamanho do estado que precisamos. Falam que precisamos diminuir o tamanho do estado. Mas quando assumi o governo, o estado tinha 1 mil componentes do Corpo de Bombeiros e quando entreguei tinha 1, 4 mil. Vamos diminuir o tamanho do estado na segurança? E os hospitais? E os professores? Vamos diminuir o tamanho do estado onde? Diminuir o tamanho do estado para quem? Por isso eu sou favorável à estabilidade. Se você é contra, vote em outro e não em mim.

Caso o senhor vença as eleições de novembro, vai tomar posse no momento em que o Congresso debate medidas para a retomada do país no pós-pandemia. O que fazer nesse período para salvar a economia e milhares de famílias atingidas pela crise.

Defendo a prorrogação do auxílio emergencial porque ele irriga a economia. É o encanador, o pequeno mercado, isso faz a roda da economia girar. Temos no país 13 milhões de desempregados, tempos que gerar emprego. Bolsonaro determinou às instituições que liberassem dinheiro para trazer microcréditos. Isso é muito importante e as instituições não liberaram a tempo e isso cabe a um senador cobrar. Veja que estou defendendo alguns pontos do presidente, mas algumas pautas dele eu não defendo, como a redução das taxas do etanol americano, eu defendo o etanol nacional.

O senhor teceu algumas críticas indiretas ao presidente Jair Bolsonaro, como quando contestou quem tratou a Covid-19 como uma gripezinha. Qual a avaliação que o senhor faz da gestão Bolsonaro e qual vai ser sua postura no senado em relação ao presidente?

Alguns pontos sobre a pandemia eu critiquei e não mudei de opinião. Para mim, só quem pode receitar remédio é médico, eu não posso receitar. Eu entendo que a pandemia seja grave, sei que o presidente também entende isso, cerca de 150 mil brasileiros morreram. O que faltou foi uma melhor coordenação entre União, estados e municípios. Acredito na ciência, nos profissionais da saúde e não que o político defina o que deve ser feito.

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Comentários (3)

  • Anderson | Domingo, 01 de Novembro de 2020, 21h01
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    /Concordo, O Atalaia, mas o caminho da corrupção para o Taques começou um pouco antes, quando da disputa para o Senado. Nós sabemos do jogo sujo que fizeram para ele se eleger, Em seguida, veio a fraude da ata, beneficiando o desqualificado do Medeiros, ventríloquo do Bozo.

  • mauro | Domingo, 01 de Novembro de 2020, 20h32
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    Foi o pior governador do últimos tempos, prepotente, vaidoso e vingativo...consegui se isolar achando que era o máximo...brigou com os políticos, não pagou os empresários e perseguiu servidores.

  • O atalaia | Sábado, 31 de Outubro de 2020, 19h41
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    Taques era um.cidadão sobre cuja conduta não apresentava nenhuma mácula até que decidiu ser governador. Foi nesse momento que deixou dúvidas quanto a transparência e a lisura de sua conduta. As dívidas de campanha o levou à permissividades em seu governo. O que aconteceu com ele agora é fruto dessas açôes duvidosas.

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