ENTREVISTA ESPECIAL

Sábado, 23 de Maio de 2020, 08h:25 | Atualizado: 25/05/2020, 14h:28

Temos que espernear para sobreviver, diz artista cuiabano sobre impactos da Covid

Billy Espíndola ganhou destaque no cenário artistico e fala sobre impacto do isolamento no setor

Dayanne Dallicani/Arte/Rdnews

Billy Esp�ndola

Há alguns anos defensor da cultura contemporânea mato-grossense, Billy Espíndola é conhecido desde 2014 como o criador da guitarra de cocho. Ele já representou Cuiabá ao carregar a tocha olímpica e correr com ela em 2016 entre as principais avenidas da Capital, além de ser personagem do documentário "O nascimento da Guitarra de Cocho", mesmo que ganhou o prêmio internacional Antonio Campos, em Portugal, como "Melhor curta-metragem internacional de língua portuguesa”, onde as filmagens monstraram a criação de seu instrumento - oriundo da viola, um dos mais antigos símbolos regionais. Além de músico e produtor cultural, segue a frente do Espaço Toma, onde realiza festivais e outros eventos em prol da música autoral. Entre os assuntos que Espíndola disse em entrevista foi sobre o estado de vulnerabilidade dos artistas nesse momento de pandemia, muitos deles impactados pela quebra de apresentações em lugares dedicados as platéias, mas que agora seguem fechados para evitar o contágio do novo coronavírus (Covid-19).

Confira os principais trechos da entrevista:

Estamos há dois meses com bares e casas de shows fechadas por conta das medidas de isolamento e proibição de aglomerações. Como tem percebido a vida dos cantores e músicos que também faziam das apresentações o sustento?

Uma fase péssima, terrível para todos os músicos e artistas que conheço. Tem muita gente que conheço que já fala em trocar de ramo e muita gente também que já está fazendo isso. Resistência é o que define o momento.

É possível comparar a rotina da vida dos artistas antes e agora? O cenário artístico em Mato Grosso é promissor ou ainda sofre com o descaso antes da necessidade de auxílios de emergência?

Não vou dizer que estava a mil maravilhas, mas com ceretza a gente tinha mais espaço para criar, inclusive mais formas de trabalho, criar a remuneração através disso. As possibilidades foram quase que totalmente aniquilidas com o coronavírus. Acredito que o cenário artístico tem muita ligação ao empenho e ao trabalho.

Quais estão sendo as alternativas adotadas pelos artistas nesse período para sobreviver?

A galera está fazendo as lives, vendo mais artistas que tem melhores condições que outros se unindo aos bares e lugares que antes eram de entretenimento para conseguir cesta básica ou pedindo a ajuda para doações que possam ajudar artistas assim. Existem situações de artistas em emergência mesmo, muita gente que pegou auxílio emergêncial e foi comprar só comida. Inclusive, para dar mais visibilidade e voz a alguns desses artistas independentes, estou promovendo junto com alguns apoiadores um festival de lives que é o MT Conect 2020, para a galera poder contribuir com o que puder. É uma janela que quis abrir pra isso.

Reprodução

Billy Esp�ndola

O cuiabano Billy Espíndola é reconhecido e ganhou destaque ao se apresentar com "guitarra de cocho"; ele fala sobre impacto da Covid-19 no setor

Qual acredita ser o legado das lives?

As lives vão marcar essa década, o ano de 2020 já começou de uma maneira extremamente técnológica e também estranha. Está bem claro que isso é um marco na história e quem se adaptar rápido a isso, com soluções criativas e que dialoguem com esse público internauta, sairá a frente.

Conhece algum artista em situação precária ou que esteja recebendo algum tipo de auxílio financeiro do governo municipal, estadual ou federal? Como tem avaliado o apoio do poder público para a classe neste momento?

Tenho vários amigos que conseguiram acesso ao auxílio emergêncial, mas é pouco. Não dá direito nem pro básico, tem gente que tem família e criança que depende disso. O governo tem sido irresponsável e está longe de fazer a parte como deveria.

O setor do entretenimento deve ser um dos últimos a voltar a normalidade. Como você avalia o momento pós-pandemia?

Com certeza o setor do entretenimento foi um dos mais atingidos, e é difícil responder isso porque não temos nada de concreto e palpável, tudo é uma grande incognita. Não temos ao que nos agarrar, estamos mesmo tendo que nos espernear para sobreviver.

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Comentários (2)

  • Setor não essencial neste momento! | Domingo, 24 de Maio de 2020, 19h22
    0
    0

    Leitos de UTI´s, medicamentos, Medidas sanitárias e comida na masa da população mais carente, o resto pode esperar.

  • Fred | Domingo, 24 de Maio de 2020, 10h00
    3
    0

    Esse ai do quer mídia! Cadê o resultado das ações feitas em prol dos músicos?

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