Estado e seus Servidores

Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 08h:55 | Atualizado: 10/02/2019, 12h:34

VALOR BRUTO

Delegados receberam acima de R$ 40 mil

Selo Estado e seus Servidores

 

Delegados aparecem na folha de pagamentos da Polícia Judiciária Civil (PJC) nos três últimos meses de 2018 com valores brutos acima dos R$ 40 mil. Em um dos casos, houve o pagamento de R$ 19 mil em ajuda de custo para mudança a um delegado que teve de ser remanejado por ser investigado por crimes de tortura.

O dá continuidade à série de levantamentos dos salários dos servidores públicos em Mato Grosso. Os dados foram obtidos por meio do Portal da Transparência.

Foram analisadas as folhas de pagamento de outubro, novembro e dezembro do ano passado. O delegado Luiz Felipe Nascimento de Leoni aparece com R$ 57.171,14 mil na folha de outubro – o maior valor no mês. Na ocasião, constam ao delegado lotado em Guarantã do Norte subsídios de R$ 52.689,69 mil. Além disso, também foram pagos R$ 3.595,36 mil de adicional noturno e mais R$ 886,09 de adicional de férias. Com deduções de Imposto de Renda e contribuição previdenciária, foram pagos R$ 37.829,71 mil líquidos.

Marcelo Fernandes Jardim é delegado da Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), em Cuiabá. Ele teve o maior valor na folha de pagamento de novembro, com R$ 57.506,90 mil – é o maior valor bruto no período pesquisado. Os subsídios do delegado naquele mês foram de R$ 53.510,90 mil. A única outra vantagem paga a Jardim foi o adicional noturno, de R$ 3.996,00 mil. Foram descontados o Imposto de Renda e a Previdência, e ainda R$ 17.876,38 mil foram retidos em razão do teto do funcionalismo público. No final das contas, foram pagos efetivamente R$ 26.440,95 mil.

No mês de dezembro, o delegado Carlos Fernando da Cunha Costa teve o maior valor da folha de pagamentos. Constam subsídios de R$ 33.540,59 mil, comissão de R$ 2.250,00 mil, adicional de férias em R$ 11.930,20 mil e ainda um abono de contribuição previdenciária de R$ 3.900,84 mil. Com as deduções de Imposto de Renda, Previdência e retenção em razão do teto, foi pago um salário de R$ 36.212,33 mil ao delegado.

De acordo com a tabela salarial disponível no Portal da Transparência, os delegados da PJC estão divididos em quatro classes com salários-base entre R$ 24.451,11 mil e R$ 33.540,59 mil.

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Quadro PJC

Quadro mostra 10 maiores pagamentos feitos nos últimos 3 meses aos servidores lotados na Polícia Civil; Estado chegou a desembolsar mais de R$ 57 mil

Auxílio mudança

Entre os pagamentos acima de R$ 40 mil em novembro constam R$ 43,5 mil ao delegado Edson Pick, sem contabilizar os descontos de Previdência e Imposto de Renda. Ele é investigado na Operação Cruciatus, realizada contra policias civis acusados de crimes de tortura contra suspeitos durante investigações na região de Colniza.

O delegado foi preso pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) na deflagração da operação, em 19 de outubro, e solto três dias depois. No mês seguinte, Pick foi remanejado para a Delegacia Regional de Juína. Na folha de pagamentos constam R$ 19.080,00 mil de auxílio para a mudança.

Segundo a assessoria de imprensa da PJC, o valor da ajuda de custo é calculado de acordo com a distância em quilômetros entre os municípios com base na menor remuneração paga no serviço público no mês anterior. O valor é multiplicado por cinco vezes até 300 km, por 10 até 600 km, por 15 até 900 km e por 20 quando são mais de 900 km quilômetros de distância. Colniza e Juína estão 333 km distantes uma da outra.

Às 16h27 - PJC emite nota em nome do delegado Pick

Veja a íntegra da nota

A Polícia Judiciária Civil vem a público esclarecer que o delegado Edison Ricardo Pick recebeu ajuda de custo por ter sido removido para a Delegacia de São Félix do Araguaia, que fica a 1.156 km de Cuiabá. A portaria nº 78/2018/DPJCI, de 26 de outubro de 2018, foi entregue ao delegado no mesmo dia.  Em 12 de dezembro, o delegado entrou com pedido de reconsideração de sua transferência junto ao Conselho Superior de Polícia (CSP/PJC), para permanência na Regional de Juína, justificando, inclusive, o alto valor da ajuda custo que o Estado deveria pagar, em razão da distância entre os municípios de Colniza (onde era lotado) e São Félix do Araguaia. O delegado também abriu mão da ajuda de custo entre as cidades de Colniza e Juína.  No dia 18 de dezembro, o Conselho de Polícia deliberou favoravelmente pela remoção do delegado da Delegacia de São Félix do Araguaia e decidiu mantê-lo na Regional de Juína, sendo ele lotado na Delegacia de Polícia de Cotriguaçú, sem ônus ao Estado. A ajuda de custo, a qual o delegado recebeu pela transferência a São Félix do Araguaia foi paga na folha do mês de novembro e a devolução ocorreu na folha do mês seguinte, dezembro de 2018. Nos últimos 30 dias o delegado respondeu pelas Delegacias de Cotriguaçú, Juruena e Juína.

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Comentários (13)

  • Breno | Segunda-Feira, 11 de Fevereiro de 2019, 17h53
    1
    0

    Reportagem tendeciosa, um salário acima de 25 mil com terço de férias ou 13 salário dá isso. Por que não explica isso na matéria, ou porque eles tem que trabalhar mais por não ter efetivo, ou por responder por 3 delegacias em vez de uma que seria o correto. E a verba pelo deslocamento é prevista no ESTATUTO dos servidores do MT (lei) para remoções a interesse da administração. Não é justo um delegado mudar toda sua residência e de sua família pra mais de 600km de distância por vontade da administração e ainda pagar pra isso. Não esquecendo que antes disso olhe os salários e verbas dos deputados aí ficará espantado

  • Carlos | Domingo, 10 de Fevereiro de 2019, 17h36
    6
    0

    Acho que o foco deveria ser a capacidade de se pagar o que vem sendo pago, sim ou não.

  • Zilmara | Domingo, 10 de Fevereiro de 2019, 07h24
    13
    5

    A questão é: a hierarquia da Polícia Militar e Civil ganha como Mato Grosso fosse um Estado rico e de grande arrecadação. Os delegados idem. O Judiciário nem se fala. O pior vem agora: a segurança em MT é péssima, e a justiça, desde que moro aqui há 30 anos é bastante morosa e discutível sob todos os aspectos. Fica o meu registro.

  • O atalaia | Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 15h20
    11
    0

    O cidadão de bem tolera niveis salariais de servidores publicos estaduais ate o teto constitucional que tem como referencia o salario dos ministros do STF. Esse valor referencial coloca em torno de 26.000,00 o máximo a ser recebido por um cidadão concursado e estavel no serviço. Convenhamos é um bom salário.... e, com essa quantia qualquer cidadao vive tranquilo com sua familia..

  • Pela ética no jornalismo | Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 14h06
    20
    5

    Nada contra postar os salários, mas a má-fé da matéria é não colocar que nesses valores estão embutidos Retroativos da progressão na carreira, salário, 13 e férias! Ou seja, mais uma matéria parcial, que busca apenas jogar a população contra os servidores.

  • LEONEZIO PEREIRA GOMES | Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 13h03
    12
    0

    Minha sugestão é que o Estado pague o ADICIONAL NOTURNO apenas para quem trabalhe no período noturno. Que seja feita uma auditoria, para averiguar se aqueles agentes públicos que recebem ADICIONAL NOTURNO estão realmente trabalhando neste período.

  • SERVIDOR PUBLICO TADEU | Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 12h30
    28
    6

    O impressionante é que os políticos vendem através da mídia um descompasso entre o trabalhador público e o privado. Aí uma grande rixa surge, enquanto as grandes corporações, bancos, empresas com benefícios bilionários, e a corrupção, consomem o verdadeiro dinheiro público. Rombo da Previdência? Que nada, basta um único banco pagar suas dívidas e tá resolvido o problema. O SERVIDOR público, com muita luta, conseguiu fazer valer direitos previstos constitucionalmente. Esses mesmos direitos são previstos aos privados, mas as empresas contornam habilmente para não pagarem esses direitos (um exemplo é o próprio rga). Antes de agir contra o servidor, lutem por seus direitos. Essa rixa é proposital e tira os olhos dos ralos verdadeiros. No Brasil, o sistema político tenta usar todos nós (o povo) como mera massa de manobra, muitas vezes por meio de notícias rasas e incompletas.

  • Bugre | Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 12h28
    26
    15

    Por isso que o estado tá quebrado! Todo dinheiro vai pra pagar esses supersalários desse pessoal. E a saúde na m...

  • Servidor Público Tadeu | Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 11h53
    25
    13

    Esse bordão deprecia todos os servidores públicos do MT: "Estado e seus servidores". Colocação bem infeliz!

  • Carlos | Sábado, 09 de Fevereiro de 2019, 11h30
    14
    12

    O mundo vai ter que assumir o pagamento do funcionalismo matogrossense.

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ENQUETE

Tramita na Câmara Federal o projeto 832/2019, do deputado José Medeiros, requentando uma proposta de 2007 do então deputado Jair Bolsonaro, propondo extinguir o Exame da Ordem como exigência para inscrição na OAB e, assim, poder exercer a profissão. O que você acha disso?

Concordo - esse Exame tem de acabar

Discordo - bacharel precisa, sim, se submeter ao Exame

Sei lá!

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.