Estado e seus Servidores

Quarta-Feira, 16 de Janeiro de 2019, 14h:30 | Atualizado: 28/01/2019, 10h:58

LEVANTAMENTO

Na MTI, servidor ganha R$ 60 mil em um mês e 70 recebem mais de R$ 20 mil lista

Altos salários encontrados na empresa pública é uma das justificativas para a possível extinção neste ano

Selo Estado e seus Servidores

 

Os salários dos servidores da Empresa Mato-grossense de Tecnologia da Informação (MTI) que ganham acima de R$ 20 mil representaram um gasto de R$ 7 milhões entre os meses de julho e outubro de 2018 aos cofres do Estado. Um levantamento feito pelo mostrou que todos os 73 servidores que recebem salários nesta faixa são concursados. Além disso, a reportagem encontrou caso de servidor que em um único mês recebeu R$ 60 mil bruto. O valor é bem superior ao teto constitucional estabelecido pelo salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), que ná época era de R$ 33,7 mil.

Vultuoso salário como esse é um dos fatos que levaram o governador Mauro Mendes (DEM) a enviar à Assembleia projeto que prevê a extinção da empresa - e outras cinco -, que tem em seus quadros 503 empregados. Mauro vem propondo medidas para cortar gastos e equilibrar as contas do Governo, que têm um déficit de R$ 1,7 bilhão previsto para 2019.

A reportagem fez o levantamento baseado nos quatro últimos demonstrativos de rendimentos da empresa disponíveis no Portal da Transparência do Governo do Estado, dos salários de julho, agosto, setembro e outubro do ano passado.

O número de servidores públicos lotados na MTI que ganham acima de R$ 20 mil teve crescimento de 27% entre os meses pesquisados. Em julho eles eram 57, passando para 59 em agosto, 71 em setembro, até chegar a 73 em outubro.

Há casos de servidores que, somando-se salário bruto e outros benefícios, passaram dos R$ 50 mil mensais. O maior valor despendido pela MTI no período do levantamento ocorreu em outubro. Foi pago um total de R$ 60,5 mil ao analista de Tecnologia da Informação (TI) nível 15 E, Mauro Nakamura Filho. O pagamento, porém, incluiu o 13º salário, entre outros benefícios. Sem isso, o valor ficaria em R$ 47,8 mil.

Logo abaixo dele, o servidor Olavio José da Silva apareceu com R$ 52,1 mil. O salário bruto, sem descontos previdenciários nem de Imposto de Renda, equivale a R$ 25,3 mil, o mais alto entre as carreiras da MTI. Na rubrica “outras vantagens”, consta o pagamento de R$ 26,7 mil ao analista de TI nível 15 E. Segundo apurou a reportagem, o analista, com mais de 25 anos na empresa, ocupou cargos de diretoria em períodos anteriores. Por decisão judicial, os valores pagos anteriormente foram incorporados e constam entre aqueles pagos a título de “outras vantagens”.

A folha de pagamento da MTI custa, por ano, R$ 94,9 milhões ao Estado. Deste total, 55,12% são pagos a servidores que estão lotados na sede da empresa, enquanto o restante está distribuído em outros órgãos da administração estadual.

Rodinei Crescêncio/Arte/Rdnews

Quadro MT

Quadro mostra lista dos servidores concursados na MTI que ganharam mais de R$ 20 mil em 4 meses em 2018; Mauro Nakamura recebeu maior salário

Benefícios

Em razão do regime de funcionamento da empresa – os sistemas têm de estar disponíveis 24 horas por dia – diversos trabalhadores não são obrigados a bater ponto. Os demais trabalham em regimes de 40 horas semanais ou com horário fixo de 8 horas da manhã às 18h, com intervalo de duas horas.

Além dos salários e valores incorporados, servidores da empresa pública têm direito a outras verbas. São pagos benefícios por sobreaviso, jornada em dobro, adicional noturno e hora extra, além de auxílio creche e auxílio PNE (Portador de Necessidades Especiais). Todos os adicionais estão firmados em acordo coletivo.

Os trabalhadores da MTI recolhem valores ao Regime Geral da Previdência Social (RGPS) e se aposentam pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), não onerando a previdência do Executivo.

O presidente do Sindpd, João Figueiredo, que representa servidores da empresa, defendeu que os altos pagamentos são restritos a “cerca de 10 ou 12” funcionários. Figueiredo lembrou que há fiscalização por parte do sindicato com relação às progressões concedidas aos servidores da MTI, mas que nos casos em que há determinação da Justiça para o pagamento, pouco se pode fazer.

Decisão judicial você não contesta, você cumpre

João Figueiredo

“Decisão judicial você não contesta, você cumpre. Já julgou, já foi dado o direito, você não tem que contestar. Mas isso não reflete a realidade de todos os trabalhadores da empresa”, declarou ao .

A média salarial das carreiras na empresa não passa dos R$ 16 mil, segundo o sindicalista. Figueiredo citou dados aferidos por meio do Portal da Transparência que indicam que os trabalhadores da MTI estão na 16ª posição entre os servidores públicos do Estado em relação aos salários em Mato Grosso.

Ele defendeu ainda que os serviços prestados pela empresa – com servidores cedidos – em órgãos como o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) são necessários para arrecadar os R$ 20,9 bilhões do orçamento previsto para 2019.

Apenas na Sefaz estão alocados 52 analistas e técnicos da MTI. Sistemas de Nota Fiscal Eletrônica, do IPVA (Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotivo), da Certidão Negativa de Débitos, entre outros, são mantidos por empregados da empresa pública. Ao todo, a MTI cede servidores a 21 órgãos da administração pública.

João Figueiredo analisou que, caso o governador Mauro Mendes siga com o plano de extinguir a MTI, os custos com a terceirização dos servidores deverá crescer frente àquilo que é consumido pela empresa pública.

Rodinei Crescêncio

Reuni�o servidores MTI

Servidores concursados na MTI se reúnem na sede da empresa na manhã desta quarta; eles formaram comissão que debate proposta de extinção

Plano de Demissão

O governo, ainda sob gestão de Pedro Taques (PSDB), deu início a um Plano de Demissão Voluntária (PDV) na MTI. A previsão inicial era de que 84 funcionários aderissem ao PDV com a redução de R$ R$ 17,5 milhões até 2024 em gastos com pessoal. Até o momento, 101 trabalhadores da MTI aderiram ao plano, o que indica que a economia deve ser maior.

Com o número inicial, estava previsto que as demissões voluntárias custariam R$ 10,3 milhões em 2019, caindo até R$ 1,7 milhão em 2023, até que o custo com o PDV fosse zerado em 2024.

A empresa, fundada como Centro de Processamento de Dados do Estado de Mato Grosso (Cepromat), tem 45 anos de existência e funcionários que acumularam benefícios no período.

Os servidores interessados em aderir ao programa precisam preencher uma série de requisitos, como por exemplo, ter idade igual ou superior a 45 anos até a data de desligamento e com no mínimo 20 anos de trabalho na MTI até a data da demissão voluntária.

Além do PDV, a empresa vinha promovendo mudanças administrativas. Em reunião no dia 9 de janeiro, o Conselho Deliberativo decidiu por uma nova estrutura com redução de até 25% dos cargos comissionados e extinção de uma das quatro diretorias existentes.

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Comentários (41)

  • Susana | Sábado, 19 de Janeiro de 2019, 11h20
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    1

    A quem querem enganar que o salário do pessoal do Cepromat-MTI que é o culpado do estado falido??? Me poupem... façam levantamento de toda a roubalheira, com conivência dos administradores, e vejam o prejuízo. É muita enganação !!!!

  • Jose Carlos Pastorello Primo | Sexta-Feira, 18 de Janeiro de 2019, 10h20
    2
    2

    Assim não tem quem aguenta mesmo.

  • Ramon | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 18h29
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    5

    Que vergonha desse MTI.

  • Ana Maria | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 17h12
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    1

    Olavio e sua "linda"esposa são aposentados e ainda comem esses polpudos salários. Noêmia tbm é aposentada. Vergonha Nacional!!@@

  • Diedo Alves de Assis | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 13h22
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    3

    Esses salários são mais autos do que o GOOGLE paga - https://www.infomoney.com.br/carreira/emprego/noticia/7457233/salarios-mais-altos-que-google-paga-brasil

  • CELSO LUIZ CAMPOS BORGES | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 13h21
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    0

    Porque ñ colocou o meu salario é muito pelo que faço no financeiro do Esatdo.

  • ezequiel paixão | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 13h09
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    4

    Desde Blairo Maggi ele quer extinguir esse escoadouro de dinheiro público. Uma empresa ineficiente e inoperante, o pouco que funciona é com as empresas terceirizadas.

  • ILDO PEREIRA | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 11h32
    11
    1

    Realmente e um descaso como e gasto o dinheiro publico e por incompetencia do Poder Executivo e Coninvencia do Poder Legislativo que aprova Planos de Carreira sem ter prognosticos do mau que isso faz para a Sociedade, que recebe Serviços Publicos de pessima qualidade e o Setor produtivo que se Ferra com criaçao de Taxas e Impostos para Cobrir este Rombo.

  • Rodrigo | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 11h18
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    13

    TODOS OS SALARIOS ESTÃO DIVULGADOS NA TRANSPARÊNCIA A ANOS, NÃO SEI PORQUE ESTE ALARDE.

  • Genivaldo Indio | Quinta-Feira, 17 de Janeiro de 2019, 11h00
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    2

    Para quem não sabe, na União Europeia a recomendação técnica é que nenhum salário ultrapasse sete vezes a média predominante . Nos EUA, a média é de doze vezes. Ambas as situações dizem respeito ao contexto da gestão pública na aplicação de sua política. Mas, isso nem se compara com o riquíssimo Estado de Mato Grosso, e seus técnicos ultra habilitados.

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