Executivo

Sábado, 17 de Agosto de 2019, 07h:30 | Atualizado: 18/08/2019, 07h:22

CABIDE DE EMPREGOS

Cabide de empregos, Metamat busca a viabilidade e já elimina 63 funcionários

Rodinei Crescêncio

Juliano Metamat

No comando da Metamat, Juliano Jorge Boraczynski já promoveu o enxugamento do quadro de pessoal da companhia

Resumida à inutilidade, a Companhia Mato-grossense de Mineração (Metamat) se transformou nos últimos anos em um verdadeiro cabide de empregos e sem função social. Na lista de extinção dentre as empresas públicas do Estado, cuja autorização para fechamento foi dada em janeiro pela Assembleia por meio do Pacto por Mato Grosso, a empresa tenta se viabilizar e mostrar que ainda tem alguma serventia. A estatal mantinha 103 funcionários, grande parte aposentados que ainda estavam na companhia, cuja maioria permanecia desocupada e inchando a folha de pagamento. 

Designado pelo governador Mauro Mendes (DEM) para tentar reverter esse quadro antes de eventual extinção, o irmão do deputado Romoaldo Júnior, Juliano Jorge Boraczynski, que está diretor-presidente da companhia, tem se esforçado para impedir que a empresa seja enterrada de vez, visto que o falecimento da Metamat parece ter ocorrido há um bom tempo.

Juliano assumiu a chefia da empresa pública em janeiro deste ano e recebeu a missão de enxugar a empresa. Em seis meses conseguiu reduzir 63 cargos dos 103 que existiam. Hoje são apenas 40 colaboradores, com possibilidade de chegar a 30. Do universo de servidores, 47 eram comissionados.

“O governador Mauro tinha definido para enxugar, e realmente era necessário. A empresa não tinha função. Antigamente fazia sondagem de minerais no Estado inteiro. Nos últimos governos de 1995 pra cá, nenhum deu atenção à empresa”, relata Juliano em entrevista ao .

Com a redução, a folha de pagamento dos funcionários era de R$ 1 milhão mensal e agora baixou para R$ 300 mil. Questionado sobre o que faziam os funcionários, Juliano admite que grande parte vivia em ócio. “É até difícil responder isso, porque fizemos amizade com o pessoal aqui. Eram pessoas boas, mas queriam sair daqui. Funcionava bem o administrativo e o financeiro que não para. A grande maioria não tinha função. O pessoal que estava aqui não tinha muito o que fazer”.

Outra medida tentada pela gestão é firmar um termo de cooperação técnica com a Fundação Nacional da Saúde (Funasa) para construir poços artesianos em todo o Estado que deverá beneficiar 60 mil famílias, que não tem acesso à água potável. Na cooperação, os cinco geólogos da empresa vão ficar disponíveis para colaborar com a fundação.

Outra cooperação que a Metamat está tentando fechar é com a Agência Nacional de Mineração (ANM), para auxiliar na fiscalização do recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cefem), que é repassada aos Estados e municípios onde existe extração mineral. Em 2018, essa compensação rendeu R$ 38 milhões.

Com os termos de cooperação, a empresa terá condições de justificar sua manutenção, conforme aponta Juliano. Outra fonte de recursos que deverá ser utilizada pela empresa é a liquidação de um patrimônio de pelo menos R$ 30 milhões, somado sobre terrenos, maquinários e imóveis.

Maioria dos imóveis foi adquirida pela antiga Companhia de Desenvolvimento do Estado de Mato Grosso (Codemat), cuja extinção foi iniciada pelo ex-governador Dante de Oliveira, já falecido, e concluída pelo ex-governador Blairo Maggi (PP). O patrimônio que pertencia à companhia foi designado à Metamat. A Codemat chegou a possuir avião e até um escritório na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), que foi perdido em uma ação trabalhista.

Funcionava bem o administrativo e o financeiro que não para. A grande maioria não tinha função. O pessoal que estava aqui não tinha muito o que fazer

Juliano Jorge Boraczynski

Parte do maquinário está sucateada, algumas máquinas foram cedidas em termo de comodato a prefeituras. Alguns terrenos estão nesta lista, como é o caso do local onde foi construída a Policlínica do Planalto, ou o Porto de Cáceres. “Alguns desses imóveis devem ser doados, cedidos ou leiloados”, explica Juliano.

Criada em 1971, pelo então governador Pedro Pedrossian (1966 a 1971), a Metamat tinha a função de exploração mineral. Essa função se deu até o Governo Blairo, a empresa mantinha a atividade de exploração mineral. A partir daquela gestão começou a liberar as concessões.

Hoje a empresa possui apenas a concessão das águas quentes da Serra de São Vicente e em Barra do Garças, além de uma mina de calcário em Nobres, e direitos sobre lavra em Aripuanã, onde o Grupo Votorantim, por meio da empresa Nexa, está implantando uma mineradora polimetálica.

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Comentários (10)

  • lisarb | Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 17h26
    1
    0

    Então...vamos colocar os pingos nos iiiiisssss, certo até em parte as demissões, mas vejam o diário oficial, muitos voltaram a metamat e 2 na SEDEC, os amigos do rei, pessoas trabalhadoras na SEDEC chamadas de acomodadas? Muitos desses aposentados trabalhavam e muito na SEDEC, não faltavam, pessoas responsáveis. Mas culpa disso, foi o chefe imediato deles, que com medo, não fez nada. Ah, e esse chefe "aposentado" foi demitido também, mas tem padrinho, Ficou com DGA integral agora. Sr. Juliano, realmente na metamat eles não tinham o que fazer, mas na SEDEC as 3 pessoas trabalhavam sim.

  • Luiz Dantas | Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 10h36
    2
    0

    Fico vendo alguns comentários aqui e imagino que pela linguagem utilizada e o tipo da expressão, com certeza e de gente que estava acostumado a receber muito sem quase nada dar em contra-partida. Pessoa que ganhava 15 mil por mês foi substituída por outra no mesmo nível ganhando 5 mil. Essa e a diferença que um bom gestor faz. Cada um com a sua sorte.

  • clara | Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 08h52
    2
    3

    Parabéns Juliano, alguém tinha de mexer neste vespeiro , não acho que a instituição seja o melhor caminho , afinal tem bons servidores lotados na pasta a redução e a readequação é o melhor caminho .

  • tatiane | Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 07h59
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    1

    em compensação ja nomeu os parentes dos politicos ne... é noticia pra enganar trouxa. verifiquem ai os sobrenomes dos nomeados na metamat.

  • marta | Segunda-Feira, 19 de Agosto de 2019, 07h41
    3
    0

    tem também a autarquia jucemat,não que deva ser extinta, que tem uns tais vogais que trabalham só 2 vezes por semana, ganhando bem acima, pra ir la e dar baixas em processos, acho injusto isso, e dinheiro jogado fora, é só ir la e conferir....

  • Ricardo | Domingo, 18 de Agosto de 2019, 08h08
    0
    0

    Ricardo , Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário

  • Alzira Machado Fernandes | Sábado, 17 de Agosto de 2019, 18h17
    1
    7

    Parabéns Juliano por sua competência. Vc é um excelente administrador.

  • Henrique Mourao | Sábado, 17 de Agosto de 2019, 18h08
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    2

    Tem que extinguir. Afinal com um irmão de Deputado que acaba de ser condenado e Júlio Campos colocando apadrinhados políticos lá, vai esperar oque? Esse Juliano nunca foi de trabalhar muito, pelo contrário, sempre foi um bom vivant, então só vai manter um certo status pífio.

  • Beti | Sábado, 17 de Agosto de 2019, 14h07
    10
    1

    Os membros desta família Boraczinsvki são bem conhecidos aqui em AF. Tudo o q eles participaram marcaram época, pelos desvios, conduta abusiva, crimes financeiros e tudo de ruim. Acaba logo Governador. Metamat será mais uma empresa a ser saqueada

  • Osório | Sábado, 17 de Agosto de 2019, 12h13
    9
    2

    As concessões das Águas Quentes na Serra de São Vicente e as concessões ao Grupo Votorantim desde a época do Dante demonstram a seriedade com que foi administrada a Metamat, que deste jeito, deveria ser extinta há mais de 20 anos.

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