Executivo

Terça-Feira, 23 de Julho de 2019, 14h:19 | Atualizado: 23/07/2019, 20h:40

FRUTOS DA SANTA CASA

Elogiado por ministro, Mauro adota tom quase eleitoral ao reabrir Santa Casa veja

Rodinei Crescêncio

Vestido com jalecos, Gilberto Figueiredo, ministro Mandetta e Mauro Mendes durante a reabertura da Santa Casa

Vestido com jalecos, Gilberto Figueiredo, ministro Luís Henrique Mandetta e Mauro Mendes durante a reabertura do Hospital Estadual Santa Casa

A reinauguração da Santa Casa nesta manhã (23) teve como pano de fundo as eleições 2020. Ficou nítido no discurso das autoridades, principalmente do governador Mauro Mendes e do ministro da Saúde, Luís Henrique Mandetta, ambos do DEM, que o tema saúde será amplamente explorado na eminente disputa eleitoral.

Mauro fez uma verdadeira retrospectiva de seus quatro anos como prefeito. Relembrou a abertura de duas UPAs e início de construção de outras duas unidades, abertura do Hospital São Benedito e começo da construção do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC). Depois de fazer seu discurso pautado pela preocupação com a saúde pública, o governador foi interrompido pelo ministro da saúde para tecer-lhe elogios.

“Deixa eu contar uma coisa para vocês quem é esse governador aqui. Quando eu vi o tamanho da obra e a necessidade do custeio para colocar para funcionar, eu disse: vou te ajudar com tanto. Ele falou, eu faço com menos, fica com essa parte para ajudar o resto do Brasil. Isso é gestor”, disse Mandetta a Mauro arrancando aplausos calorosos dos ouvintes que pareciam se aglomerar para um evento de campanha e não propriamente a reabertura de um hospital, cuja história recente foi marcada por má gestão e escândalos financeiros.

O tom amistoso que permeava as falas oficiais não se confirmava com os gritos contínuos dos professores e demais servidores da Educação, que protestavam do lado de fora do Hospital Estadual Santa Casa. Acorrentados e segurando cartazes de greve, os servidores permaneceram ao sol e bradavam sua indignação contra o governador. Poucos entre a numerosa quantidade de políticos que passavam pelo local se atreveram a ir conversar com a categoria. E os que fizeram nada garantiram de concreto.

O foco da classe política presente era colar sua imagem na reabertura do hospital, e conseguir imagens e fotos suficientes para serem utilizadas na campanha do próximo ano. Outra intenção era recorrente, a de exaltar que a abertura do hospital foi possível graças aos governos Federal e Estadual, com um esquecimento intencional do governo municipal, personificado por Emanuel Pinheiro (MDB).

“Leve ao nosso presidente Jair Bolsonaro o nosso agradecimento. Estamos aqui torcendo e ajudando naquilo que for necessário ao nosso país nessa grande missão que está nas mãos do presidente neste momento”, disse Mauro ao ministro Mandetta reforçando seu alinhamento a Bolsonaro.

Quem também recebeu os louros da reabertura foi o secretário de Saúde Gilberto Figueiredo. Mauro fez questão de lembrar sua trajetória com o amigo, que teve início na Fiemt, quando o democrata presidiu a federação. Gilberto à época foi responsável por modernizar os programas do Senai, e conseguiu êxito garantindo que o serviço em Mato Grosso fosse reconhecido por cinco anos consecutivo como o melhor Senai do país, destacou Mauro.

“Fiquei feliz quando você aceitou sair da educação, você que é um professor, eu não tenho dúvida nenhuma que você fará a diferença na saúde pública no Estado de Mato Grosso”, disse Mauro a Gilberto, o projetando como possível nome do Paiaguás a concorrer a Prefeitura de Cuiabá no próximo ano.

Além das autoproclamações feitas por Mauro, Gilberto, Mandetta e demais políticos, estrategicamente para defender a imagem de “salvadores da saúde”, o evento serviu como demarcação de território do DEM.

A própria presença do ministro Mandetta, que é filiado ao partido, foi uma atração a parte. Mauro fez questão de enfatizar que o ministro tem diversas qualidades, e que a principal delas é ser filiado ao DEM.

Mandetta também não deixou de alfinetar Emanuel, que tem mantido rusgas com o governador, e ressaltou durante sua fala que sentiu falta do prefeito da Capital na reabertura da Santa Casa. “Logo ele que foi até meu gabinete tantas vezes pedir por esse hospital”, destacou o ministro. A ausência de Emanuel foi uma retribuição à ausência de Mauro na inauguração da 4ª etapa do HMC, na última semana.

Outras figuras políticas presentes na inauguração talvez não obtiveram tanto destaque como gostariam, seja porque a multidão com mais de 400 pessoas que se apertava nos estreitos corredores do hospital não permitia que toda a gama de políticos presentes saísse nas fotos oficiais, seja porque o espaço para o discurso foi tão restrito, que alguns, mesmo se pudessem, talvez prefeririam nem se utilizar da palavra para evitar maior fadiga do que a provocada pelo abafado calor que se fazia no local.

Para encerrar com chave de ouro o cenário típico da busca pela popularidade, Mauro, sua esposa Virgínia Mendes e Gilberto, vestiram jalecos de médicos, mesmo o governador sendo engenheiro, a primeira dama economista e o secretário de saúde um educador físico e administrador.

Mauro justificou que se tratava de uma homenagem aos profissionais da saúde. Mas ao final, demonstrou que colar sua imagem e de seu grupo a um dos temas com maior apelo social é buscar por um território fértil para a projeção política.

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Comentários (5)

  • joaoderondonopolis | Terça-Feira, 23 de Julho de 2019, 16h50
    5
    2

    Pode escrever e gravar, na próxima eleição para governador EP vai ser vitorioso. MM nunca mais.

  • Sincero | Terça-Feira, 23 de Julho de 2019, 16h47
    1
    2

    O Silval Barbosa iniciou o VLT e ele mesmo vai terminar. Esse sim foi governador para os pobres, mesmo com toda a perseguição de setores do Ministério Público e do Judiciário capitaneados pelo ex-procurador da República Pedro Taques e pela ex-juíza, hoje ré Selma Arruda.

  • Davi | Terça-Feira, 23 de Julho de 2019, 16h45
    4
    1

    Com o deslinde do caso dos grampos as denúncias contra o ex-governador devem ser arquivadas e será novamente governador em 2022.

  • ROBSON JOSÉ | Terça-Feira, 23 de Julho de 2019, 15h45
    6
    1

    Pelas fotos da até tristeza, todos os políticos ruins de Mato Grosso resolveram participar desse "governo" só retrocesso, a nível Federal e em Mato Grosso. É a volta dos mortos vivos, no mesmo palco, professores e aluno. Que calamidade estamos vivendo!!!

  • Wilsons | Terça-Feira, 23 de Julho de 2019, 14h34
    4
    1

    Maior sem verdinha de mato grosso esse Mauro mendes.

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