Executivo

Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 09h:25 | Atualizado: 10/01/2011, 09h:43

CONJECTURAS

Sob Lula e Dilma, MT passa em branco; Estado teve 4 ministros


Joaquim Murtinho, Eurico Gaspar Dutra, Dante de Oliveira e Roberto Campos atuaram como ministros 

  A presidente Dilma Rousseff (PT) , no meio das articulações, iniciadas tão logo soube do resultado eleitoral na noite do dia 31 de outubro, cogitou ter o senador diplomado Blairo Maggi (PR) na sua equipe de primeiro escalão. Ela pensou em Blairo para a pasta da Agricultura, mas o ex-governador recusou porque poderia ser incompatível com seus negócios. “Já pensou se eu tomasse ou acatasse alguma medida que poderia privilegiar minhas empresas? No outro dia cairiam em cima de mim”, disse o ex-governador ao RDNews. O Ministério dos Transportes também lhe foi oferecido, mas Blairo preferiu fortalecer o nome de seu colega de partido, Alfredo Nascimento e o de seu braço direito, Luiz Antônio Pagot para a direção-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura (DNIT).

   Se tivesse aceitado os convites, Blairo Maggi seria o quinto ministro oriundo de Mato Grosso. Embora não tenha nascido no Estado, foi aí onde o ex-governador fez sua carreira empresarial e política. Ao contrário dos outros ministros de Mato Grosso que o Brasil já teve que são todos nascidos mato-grossenses de fato.

   O primeiro é Joaquim Murtinho, que foi ministro da Fazenda no governo Campos Sales e ministro da Indústria, Viação e Obras Públicas, no governo Prudente de Morais. Eurico Gaspar Dutra, marechal do Exército, foi ministro da Guerra no governo de Getúlio Vargas. Roberto Campos atuou no Planejamento durante o primeiro governo militar pós-64, de Castelo Branco. Já o ex-governador Dante de Oliveira ocupou a pasta da Reforma e Desenvolvimento Agrário na gestão José Sarney.

    Joaquim Duarte Murtinho nasceu em Cuiabá em 7 de dezembro de 1848. Ele foi engenheiro civil, médico homeopata e professor. Liberal irrestrito, foi considerado pelos historiadores com um ministro que ajudou a aprofundar a dependência do país ao capital estrangeiro, especialmente o inglês. A Inglaterra era, em sua época, a grande potência mundial e o Brasil tinha com aquele país uma enorme dívida. Os acordos para negociá-la e outras medidas tomadas pelo ministro teria aprofundado essa dependência

    Murtinho, no entanto, se notabilizou como abolicionista e defensor de reformas sociais. Adepto do evolucionismo de Darwin e da sociologia de Spencer, foi um respeitado estudioso da biologia e da homeopatia, ramo da medicina da qual era um renomado praticante e exerceu grande influência em seu desenvolvimento.

    Joaquim Murtinho foi presidente do Banco Rio e Mato Grosso e, nessa condição, buscou beneficiar seu Estado natal com recursos gerados pela inflação da época. Ajudou a organizar a Companhia Mate-Laranjeira, que objetivava desenvolver a indústria da erva-mate no Estado. Faleceu no Rio de Janeiro no dia 18 de novembro de 1911.

   O marechal Eurico Gaspar Dutra, além de ministro da Guerra de Getúlio Vargas, foi um dos dois únicos presidentes da República mato-grossenses. O outro foi Jânio Quadros, nascido em Campo Grande, em 1917, época em que era Estado único. Dutra nasceu em Cuiabá em 18 de maio de 1883 e morreu no Rio de Janeiro, em 11 de junho de 1974. Militar formado por escolas militares do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, teve participação em alguns momentos importantes da vida nacional. Comandou a repressão ao levante da Aliança Nacional Libertadora (ANL), em 1935, no Rio de Janeiro, Natal e Recife. No ano seguinte, mais exatamente em 5 de dezembro de 1936, foi nomeado ministro da Guerra.

    Ajudou Getúlio Vargas a implantar a ditadura do Estado Novo, em 10 de novembro de 1937 . No ano de 1945 marechal Dutra disputou e venceu as eleições para presidente da República, depois de ter ajudado a derrubar o presidente. Apesar disso, Getúlio Vargas apoiou o mato-grossense. O PSD, partido de Dutra, se coligou com o PTB de Vargas.

Roberto Campos   O economista Roberto de Oliveira Campos também nasceu em Cuiabá, em 17 de abril de 1917. Como os demais, viveu toda sua vida no Rio de Janeiro e lá morreu em 9 de outubro de 2001, aos 84 anos.Também foi diplomata, deputado federal e senador. Para este último cargo foi eleito em 1982 por Mato Grosso, numa das eleições mais controvertidas do Estado. Apesar de não viver mais em Cuiabá, sua candidatura foi imposta pelo então candidato Júlio Campos, que se elegeu governador num pleito sob denúncias de corrupção eleitoral.

   Conhecido como Bob Field, por seu alinhamento incondicional aos interesses norte-americanos, Roberto Campos depois de eleito sequer pisou mais em solo mato-grossense e não se tem notícias de suas ações no Congresso Nacional para favorecer o Estado. Depois do mandato de senador, se candidatou e foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro em 1990. Apesar desse currículo dito como “entreguista”, Roberto Campos teve participação importante em várias decisões patriotas.

   Foi, por exemplo, um dos criadores, no segundo governo de Getúlio Vargas, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que depois presidiu entre agosto de 1958 e julho de 1959. Com Juscelino Kubitschek participou da elaboração e foi um dos coordenadores do famoso Plano de Metas e no governo de Castelo Branco, já como ministro do Planejamento, ajudou a criar o Banco Nacional da Habitação (BNH).

    Dante de Oliveira foi o único ministro oriundo de Mato Grosso que foi para o Rio de Janeiro estudar e regressou ao seu Estado natal. Nascido em Cuiabá em 6 de fevereiro de 1952, Dante faleceu prematuramente no dia 6 de julho de 2006. Engenheiro civil, entrou para a política ainda estudante no Rio, militando no Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR8). Ficou conhecido nacionalmente por apresentar, em 1983, quando assumiu o cargo de deputado federal, a emenda à Constituição prevendo a restituição das eleições diretas para presidente da República.

    Antes, foi deputado estadual pelo antigo MDB. Depois foi prefeito de Cuiabá e governador por duas vezes. Na primeira vez que foi prefeito (85-88), foi chamado para ser ministro da Reforma e Desenvolvimento Agrário. Era meados de 1986 e o País vivia uma ebulição política sem precedentes, com a forte reação da direita contra a reforma agrária. O PMDB e outros setores da política imaginavam que a autoridade política de Dante como o “homem das Diretas, já” lhe credenciaria a cumprir a espinhosa missão. Dante foi, ficou pouco mais de um ano e regressou sem conseguir fazer avançar na missão.

    Dante reassumiu o cargo de prefeito, em 2 de julho de 1987, que estava sob o comando de seu vice, o coronel Estevão Torquato da Silva. Em 1990 ele se candidatou a deputado federal, mas apesar de ter sido o mais votado proporcionalmente do país, seu partido, o  PDT, não obteve o quociente eleitoral suficiente para lhe assegurar o mandato. Em 1992 candidatou-se e se elegeu novamente prefeito de Cuiabá e, em 94, se tornou-se governador de Mato Grosso pela primeira vez. O segundo mandato foi conquistado em 1998. Em 2002, ele disputou e perdeu para o Senador da República. Em 2006, em plena pré-campanha para deputado federal, Dante faleceu por complicações de diabetes.

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Comentários (9)

  • Rafael Amoedo | Terça-Feira, 11 de Janeiro de 2011, 18h54
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    Junior, voce sabia que a maioria dos terrenos ao redor da Perimetral, fora comprada pela imobiliaria/construtora do irmão do alcaide ? Provavelmente, não...E as finanças ? Dr. Meirelles, sofreu e muito com a herança maldita...E quem puxa o saco é o senhor. Espero que esse comentário seja publicado. Rafael Amoedo, sem medo da verdade, 9283-8964

  • junior | Terça-Feira, 11 de Janeiro de 2011, 11h12
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    Rafael, a ignorancia política é profunda, ou puxa saquismo é exarcerbado. Dante nos anos como Prefeito, cuiabá deu um salto em grandes obras, que amenizou o caos que iria acontecer com o crescimento desorganizado, temos como exemplo a construção da Perimetral(imagina Cuiabá sem a Perimetral), descentralizou o pronto socorro, criando dezenas de policlinicas... agora vamos governo, iniciou a politica de incentivos à agricultura, o qual gerou um salto extraordinario na produção, o estado em 3 anos passa de mero produtor para campeao de produção; fethab; a criação e expansão dos programas saúde familia,construção de manso(passou o estado de importador de energia para exportador) ou seja,equacionou as dividas e colocou o estado em superavit, com grandes condições de investimento e crescimento cada vez mais, para o proximo governo. Você que deve ter chgado a pouco tempo, vem criticar quem fez muito para mato grosso. Sem Dante o estado não teria esse desenvolvimento(palavras do Ex governador Blairo maggi)

  • dalva | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 20h22
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    vcs que criticam alias todos podem dizer suas opinioes, garanto que vcs iam ser piores que eles...rs.r.s.

  • Rafael Amoedo | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 17h11
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    A maioria dos Ministros da Agricultura (Era FHC) e Transportes (Era Lula) fez muito mais por MT do que eles. Cuiabá, endividada por um prefeito incompetente e abandonada duas vezes por ele. Envolvido com o cla Sarney.

  • Emival | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 15h53
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    Rafael Amoedo, se esses 4 envergonharam MT. me de o nomes dos que fizeram alguma coisa por MT nos tempos atuaia?

  • Gilson Menezes | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 13h36
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    O Dante não passou mais de um ano como ministro. Quando Marcos Freire assumiu substituindo-o declarou à imprensa: "agora vocês terão um ministro de verdade". Menezes

  • Rafael Amoedo | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 12h40
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    Esses 4 senhores envergonharam MT perante o Brasil. Murtinho, causou o encilhamento, inflação e endividamento com os EUA. Dutra, apoiou a ditadura Vargas e a ditadura militar. Campos, chegou a quebrar um dinossauro de brinquedo, para comemorar a quebra do monopolio da Petrobras na Era FHC e apoiou a ditadura militar. E Dante, não fez nada, se envolveu com pessoas desonestas, abandonou Cuiabá nas duas vezes que foi Ministro, o funcionalismo sem receber salário...

  • junior ptqc | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 12h09
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    Blairo é o homem mais falso e manipulador que já houve na política mato grossense. è um absurso dizer que blairo rejeitou dois ministérios , porque ia misturar e o povo poderia achar que ele ia priveligiar os negócios dele, ,, isso é chmar o povo matogrossense de otário. Porque como governador ele não pensou nisso, ele passou 8 anos e incrivivilmente a empresa dele saltou em faturamento 5 vezes... acorda povo

  • mauro | Segunda-Feira, 10 de Janeiro de 2011, 10h38
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    sou a favor da reforma agraria, mas desde que o dono da propriedade receba a vista , e não ficar a merce de divida publica.

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