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Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 08h:27 | Atualizado: 25/08/2019, 12h:26

Conheça dona Judith, redeira guardiã de cultura que encanta com peças - fotos

José Medeiros

Repousada no sof�, a rendeira exibe um de seus mais novos trabalhos

Repousada no sofá, a redeira exibe um de seus mais novos trabalhos, ele é um caminho de mesa para ambientes dos mais simples aos mais sofisticados

Com fios coloridos que transpassa ligeiramente entre os dedos, pouco a pouco, os desenhos vão tomando forma. Há 48 anos a mesma rotina, todas as tardes, com a mesma fiação. Dona Judith Pereira da Silva, 61 anos, é uma das redeiras mais antigas da comunidade de Limpo Grande, zona rural de Várzea Grande. 

Eram muitas mulheres nas mesmas atividades. Aos poucos, elas foram morrendo

Judith Pereira da Silva


As vistas não são mais as mesmas de quando era menina, só as memórias de um tempo que tem orgulho de contar para a reportagem. “Não fazíamos apenas pelo prazer, era nossa forma de sustento. Eram muitas mulheres nas mesmas atividades. Aos poucos, elas foram morrendo ou deixando de fazer pelos problemas de saúde”, pensa.

Com simpatia, sorriso sempre aberto e um olhar que ilumina, ela conta que, desde cedo, aprendeu o tear das redes com a mãe, que aprendeu com a avó e, assim, continuamente.

José Medeiros

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Patrícia Naiara é neta de Judith e ajuda avó na organização das linhas. Para a avó, as netas levam na brincadeira e não têm a intenção em seguir a profissão

Judith tem a manhã cheia de tarefas do lar, filhos e netos, mas poucos quiseram levar a arte como profissão. “As crianças hoje em dia não se interessam mais por esse tipo de coisa, tem outros tipos de brincadeiras”, reflete – por crer que, quem sabe, o artesanato seja extinto com o tempo.

José Medeiros

Comunidade tem algumas rendeiras que resistem ao tempo, mas atividade passa a ser rara

Comunidade tem algumas redeiras que resistem ao tempo, mas atividade passa a ser rara, muitas pararam por problemas de saúde. Outras, tentam seguir

A técnica, que é centenária, desde 2013 é considerado Patrimônio Cultural de Mato Grosso. Normalmente, como conta a senhorinha artesã e Lontra Brilhante – retratada pelo fotógrafo José Medeiros-, demora cerca de três meses na confecção de cada rede e vende ela por consignação nas lojas de artesanato espalhadas pelo Estado, entre elas, a do Sesc Arsenal.

José Medeiros

Giovana Ferreira da Silva � uma das netas de Judith e admira a atua��o de sua av�

Giovana Ferreira da Silva é uma das netas de Judith e admira a atuação de sua avó. Ela tem 12 anos e às vezes observa a anciã realizando seu trabalho diário

As peças feitas pelas mãos das tecelãs viajam o mundo, pois são uma das compras preferidas dos turistas. Nos bordados, a fauna e flora de Mato Grosso, como araras vermelhas, tuiuius e peixes. Isso permite um colorido maior nos trabalhos. Talvez, o que valorize ainda mais os trabalhos, é que eles sejam feitos por mãos cada vez mais enrugadas, anciãs com dedos ágeis, e repletas de afeto.

José Medeiros

Judith demora at� tr�s meses confeccionando uma rede, ela diz que faz por amor

Judith demora até três meses confeccionando uma rede. Ela diz que faz por amor e que custo é alto para que o material seja feito com perfeição e qualidade

As redeiras além das redes para descanso, disponibilizam um "caminho" de mesa (como uma toalha, mas em tamanho retangular), e também echarpes. Mais do que peças do lar, são histórias de técnicas manuais centenárias, cada vez mais raras com o passar do tempo.

José Medeiros

Trabalhos levam em suas estampas araras, tuiuius e peixes de Mato Grosso

Trabalhos levam em suas estampas araras, tuiuiús e peixes de MT. Turistas compram em larga escala o que encontram, na maior parte das vezes no Sesc

Foi com este trabalho que Judith também sustentou sua família. Antes, os filhos, hoje com os netos. Cada rede custa em média R$ 3 mil, valor que a tecelã ainda considera pequeno, devido ao tempo que demora para concluir cada peça. Pondera que só em linha investe a média de R$ 600. “Até quando Deus me der visão, pretendo continuar. Tem dia que as costas doem, que as mão adormecem, as articulações não são mais as mesmas que antes. Eu, enquanto puder, estarei todos os dias aqui, sentada no mesmo lugar trabalhando”, finaliza.

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Comentários (2)

  • Sozenil Soares de Carvalho | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 14h34
    2
    0

    Trabalho lindo demais...parabéns dona Judith.

  • barros | Sexta-Feira, 23 de Agosto de 2019, 14h00
    4
    0

    Vocês poderiam divulgar o contato das artesã na matéria, para podermos comprar diretamente dela e não por intermédio do Sesc Arsenal,

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