Arte e Cultura

Sábado, 28 de Setembro de 2019, 08h:20 | Atualizado: 29/09/2019, 07h:57

Bichos silvestres nascem de pedaços de madeira em mãos de artesão autodidata

Rodinei Crescêncio

Rogério Giacomelli que aos de 52 anos resolveu morar em um lugar que lhe oferece paz e, aos poucos, se descobriu artesão

Rogério começou a transformar madeira em animais

Um sítio próximo ao rio Cuiabá, lugar sossegado e onde há muita natureza, é a fonte de inspiração para um artesão que há 10 anos resolveu virar “bicho-grilo”. Trata-se de Carlos Rogério Giacomelli que aos 52 anos resolveu morar em um lugar que te dê paz de espírito. Aos poucos, de tanto observar cipó retorcido, descobriu que é um artista de mão cheia.

Há três anos ele molda da madeira bruta, sapo, serpente, coruja e o que mais lhe vier na cabeça. Depois de um haras, plantando e colhendo da tua horta e pescando às vezes, é que ele faz amizade com tudo que é bicho que aparece, seja um grupo de macacos da espécie mico emiliae, um esquilo serelepe, seus cachorros, e algumas das suas galinhas – pelo menos as que sobraram no terreiro. O anfitrião conta que, há poucos meses, uma sucuri comeu a maior parte delas.

Em um aquário pequeno e todo decorado com suas molduras, aparece uma aranha caranguejeira. Questionado, Rogério logo conta o porquê – é que ela estava morrendo de fome e sede, então ele resolveu a socorrer. “Montei esse aquário, dei comida e peixe para a bichinha. Quando entrou aqui estava entre a vida e a morte”, lembra.

Autodidata, ele conta que já lapidou uma sucuri de mais de três metros, mas ama mesmo é fazer as corujas de chifre. Elas são expressivas, caçadoras e significativas. “As pessoas me pedem de tudo um pouco e, por isso, faço as encomendas conforme os pedidos. É um processo demorado. Passo, às vezes, até duas horas ao dia lapidando um sapo. Corto a madeira, lixo, desenho e finalizo. Para ficar pronto, leva oito horas”, explica o processo.

Rodinei Crescêncio

Evolu��o dos sapos, da madeira ao realismo

Evolução dos sapos, da madeira ao realismo. Artesão cata madeira bruta do meio do mato e investe em vários processos para deixa-las ainda mais perfeitas

Agumas de suas obras fazem parte do acervo do Sesc Arsenal, e ele garante que não gosta de fazer tudo aquilo que já é massivamente feito – gosta mesmo de evidenciar a natureza desconhecida. Cata a madeira da beira do rio, aquelas mais velhas, ocas, mais maleáveis de se trabalhar. 

Galeria: Madeira seca retorna vida

Uma a uma e pouco a pouco viram retrato de uma tela que já existe, a da natureza, após modelada e pronta para tomar outro lar.

Sempre artista

Desde os dez anos Carlos Rogério desenha, pinta e há pouco tempo se dedica a escultura. No entanto, ele revela que gosta mesmo de arriscar novos caminhos, por isso, o próximo passo é mexer com a argila e tem estudado métodos para que isso se torne realidade.

Rodinei Crescêncio

Conversa com artista revelou suas sensibilidades para a reportagem

Conversa com artista revelou suas sensibilidades. Rdnews fez uma imersão no sítio e ateliê de Rogério, que revela alguns detalhes do processo de criação

Nascido no interior de São Paulo, ele sempre gostou das coisas simples e acredita que o bem mais precioso da humanidade é a forma como se pode entrar em contato com o meio ambiente. Por isso, nem se imagina longe de seu recanto, que é simples, mas tudo que ele sonhou para ter um dia. “Sou feliz fazendo o que faço e nem me imagino voltando morar na cidade, é aqui que me encontrei. É aqui que eu vou ficar”, finaliza.

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Comentários (1)

  • Uma leitora | Sábado, 28 de Setembro de 2019, 09h32
    2
    0

    Que história inspiradora, parabéns! Eu também desejo muito me libertar desta rotina louca de trabalho, com tanta confusão e estresse e poder ir a um lugar tranquilo que me possibilite aprender sobre tantas coisas novas, inclusive de espiritualidade, trabalhar com artesanato e realizar obras sociais.

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