Arte e Cultura

Sábado, 02 de Fevereiro de 2019, 00h:00 | Atualizado: 03/02/2019, 00h:04

SOLO DE AMOR

Roqueiros se conhecem na rede, se casam em bar e são pais após os 40 anos - fotos

Arquivo Pessoal

Lia

Conheceram-se nas redes sociais, sacramentaram-se como casal na noite, casaram-se em um bar e há 3 anos esse amor boêmio já rendeu um filhote, o Gui

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Lia

Léo e Bia se conheceram nas redes sociais

Amigos vestidos com camiseta de banda, música com solos complexos, muita cerveja e gargalhadas. Cenário perfeito da boemia e poderia ser só mais uma noite de show em um bar, naquela época, localizado na rua 24 de Outubro. Porém, há três anos atrás, nesta cena houve uma celebração ao amor. Diferente da maioria das cerimônias, os roqueiros Leonardo e Lia Oliveira se casavam em um bar.

Lia, uma mulher madura e com presença de palco, vocalista de uma banda e sempre com um sorriso enorme no rosto. Leonardo, um pouco tímido, mas não desatento à uma mulher de quem se tornou cada vez mais próximo.

Para a noiva, foi um romance regado à muita cerveja e rock n' roll. Léo, como a sua amada o chama, se aproximou dela pelas redes sociais. O primeiro encontro, após curtidas e modestas interações, foi no Cavernas Bar.

O namoro engatou. Os dois resolveram se casar em outro bar da cidade, o República. O que não sabiam é que seria tão depressa. Ao contar isso aos proprietários e amigos, Aretuza e Lobão, souberam que as portas do estabelecimento ia se fechar. O casório seria o último evento. "A gente sempre dizia um para o outro que gostaríamos de nos casar lá. Nunca levei isso a sério, mas, quando eles revelaram que iam fechar o bar e que o nosso casamento poderia ser o último evento, resolvemos nos casar mesmo", lembra.

lia

Enquanto esperava o casório, Léo tomou cerveja no bar e na hora do sim já estava daquele jeito. Mas cantou, mesmo sem saber cantar, e emocionou a todos

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Lia

Do amor, surgiu o 4º integrante da família

Os amigos de banda fizeram a música, outros a fotografia, mais alguns se dedicaram à decoração. No fim, um bar aberto ao público, todos em clima de comemoração, a festa foi muito boa.

Lia lembra que já de início, quando chegou para casar, já encontrou o então futuro marido um tanto quanto alterado.

Quando eu cheguei no bar, com a minha madrinha, ele já estava lá me esperando, suado, vermelho igual um pimentão, abraçado em uma garrafa de cerveja

Lia Oliveira

"Quando eu cheguei no bar, com a minha madrinha, ele já estava lá me esperando, suado, vermelho igual um pimentão, abraçado em uma garrafa de cerveja, bebaço, porque todo mundo chegava no bar - ele me conta - perguntava:  você que está casando? Toma uma cerveja aí, cara, vamos comemorar. E dava uma cerveja para ele e ele, nervoso, mandou ver. Quando fui levada ao palco, por meu irmão, que me acompanhou na entrada, Léo já estava chapadão. Na hora da aliança e tudo mais, a mestra de cerimônia, Larissa Mineyah, que apresenta shows aqui em Cuiabá, falava que ele estava muito engraçado, se era isso mesmo que ele queria e ele respondeu assim: eu não sei o que essa mulher está querendo comigo, porque sou pobre e feio - todo mundo riu. Mas depois se ajoelhou e cantou Can't Help Falling In Love, do Elvis Presley, e foi um sarro, porque já não canta bem e bêbado, foi muito engraçado", relembra.

Os anos se passaram, Lia e Léo são são pais de um menino, que também já usa roupinhas de roqueiro, o Guilherme.

Rede social como aliada do namoro

Como boa parte dos relacionamentos atuais, Léo viu Lia, na rede social, gostou e começou a curtir suas postagens. Mandou solicitação de amizade.

Ele sempre foi muito tímido, mas resolveu enfrentar seus medos para conquistar a mulher dos cabelos loiros, que tanto o encantava quando subia, forte e independente, nos palcos. "Foi dessa forma que ele conseguiu me conhecer um pouco mais e tomou coragem para se aproximar. Não há mais como ignorarmos a importância desses meios na internet, já faz parte da nossa rotina", acredita.

Para ela, é comum a incredulidade em relacionamentos que se iniciam pelas redes. No entanto, é uma mudança de comportamento social. "Não podemos deixar de ver com bons olhos. Ter bom senso é fundamental", defende.

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Lia

Um filho bebê e outro de 18 anos e ambos curtem rock and roll

Maternidade depois dos 40

Talvez a mentalidade das pessoas esteja ficando mais aberta. Podem finalmente estar entendendo que existem infinitas pessoas, com personalidades e perspectivas diferentes

Em 2017, a vida se tornou um pouco mais ousada. Ignorando as estatísticas, Lia se descobriu gravida. Uma mãe de 40 anos e já com um filho de 18 anos. O pai, aos 42 anos, teria que readaptar a rotina ao bebê que estava a caminho. "Sem esperança já havíamos tentado engravidar, sem sucesso. Hoje, mesmo com todas as dificuldades da vida cotidiana estamos felizes por tudo que construímos e que vivemos e com a chegada do Gui, que é um recomeço para todos nós", afirma.

Com uma casa essencialmente de amantes do rock, o bebê já se embala nos clássicos do gênero. "Ele gosta muito de rock. Já dá pra ver a satisfação com o ritmo", diz Lia. "Para mim ser mãe mais uma vez é tudo novo e ainda não me adaptei", comenta.

Enquanto ela trabalha fora, toca na noite e tem outras atividades, Léo cuida do bebê em casa. "Nossa vida mudou completamente com o nascimento do Guilherme. Eu voltei à rotina de trabalho, banda e estudos. Por ser arquiteto pode trabalhar em casa e ficar com o Gui".

A mamãe é confiante de que a sociedade esteja, aos poucos, se despindo de preconceitos. Não chegou a ouvir comentários maldosos sobre nenhuma das fases que passou no relacionamento, e diz que ser mãe nessa fase da vida tem sido um grande aprendizado. "Talvez a mentalidade das pessoas esteja ficando mais aberta. Podem finalmente estar entendendo que existem infinitas pessoas, com personalidades e perspectivas diferentes. O respeito e a aceitação são os primeiros passos para a admiração", finaliza.

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