Arte e Cultura

Sexta-Feira, 16 de Agosto de 2019, 08h:25 | Atualizado: 16/08/2019, 17h:16

Duo de blues impressiona apreciadores pelo país e inflama emoções - veja vídeo

Rodinei Crescêncio

Improvisos fazem parte da performance calorosa do duo, ambos s�o apaixonados pelo blues

Improvisos fazem parte das performances do duo, ambos são apaixonados pelo blues, viajam pelo Brasil e contam que carreira fora de MT tem alavancado

Bem apanhados e com botões abotoadíssimos, ainda que não tão certos como o grave poderoso de Allan House, aliado a afinadíssima gaita de Mississipi Júnior, juntos, estremecem potentes caixas de som. Definir a música do duo, talvez, fique mais simples após a primeira dose de whisky, que é quando se solta a trava da língua e se chega mais perto do balcão. 

Rodinei Crescêncio

O duo revela para reportagem que al�m de covers, j� sonham em gravar o primeiro disco

O duo revela para reportagem que além de covers, improvisam muito e sonham em gravar o primeiro disco

Para os amantes da música negra norte-americana ou os apreciadores de bluesmans fique, quem sabe, também a ousadia de se surpreender, mesmo que na lucidez à sonoridade dos meninos, que inflama ao resgatar os sentimentos mais íntimos, como o pioneiro blues, quando interpretado com paixão, e cede espaço para flamejantes improvisos.

Fechar os olhos, assim como House faz para cantar e solar o violão, ao mesmo tempo, talvez leve o público a algum bordel dos anos 50. Outros, mais puritanos, retornem às apreciações de um fervoroso gospel repleto de negros norte-americanos. Uma mistura entre o sagrado e profano, assim como a sonoridade escolhida, que tem suas raízes nas igrejas protestantes – instaladas nos subúrbios dos Estados Unidos. O blues é sanguíneo e envolvente.

Não é difícil imaginar artistas como Tom Waits, Nina Simone, Eric Clapton, B.B. King ou Muddy Waters dividindo o mesmo bar quando a trilha sonora é entregue às intensidades.  Aliás, alguns deles estão mesmo estampados na parede do Lombardi's Pub, mesmo local que a reportagem entrevista o duo e onde a dupla conta como tudo começou.

Confiantes de que o proprietário teria um espaço para as apresentações, Allan sacou seu instrumento e fez o que faz de melhor, mas, no lugar de um tubo slide no violão, usou um copo de vidro para obter os sons necessários. Deu certo. Ganharam além do espaço para tocar, um produtor musical. É que o proprietário do estabelecimento era Paulo Kato, da Blues Brothers Produções. Desde então, viajam por alguns festivais pelo Brasil, como Bonito Blues e Jazz Festival que ocorreu em junho deste ano e agradou boa parte dos críticos daquele Estado, outros músicos e até jornalistas que nunca haviam visto os dois.

Quando o blues se espalhou

Antes de subirem ao palco desta vez, os dois já haviam participado de um projeto com características musicais similares. Deram fim à primeira experiência que levava o nome de Stone Flower, e o objetivo inicial, no momento, era tocar blues para continuar a diversão. Na melhor das hipóteses, ganhar uns trocados interpretando canções dos grandes mestres e mentores do estilo. 

Improvisamos muito nos shows e é basicamente isso. Se você tira o improviso do blues, você o mata, não há negociação

Allan House

No entanto, Mississipi conta que não foi só isso que ocorreu. “Com a parceria do Kato, pudemos ir além dessas expectativas. Ele nos apresentou ao cenário dos festivais de blues, entre alguns, se destacam as apresentações de duas edições do Festival Bonito Jazz in Blues e O Curiba blues e Jazz”, lembra Júnior.

A maior parte do repertório do duo ainda são covers e eles seguem interpretando temas produzidos em meados de 1920 até 1940. “Queremos despertar no nosso público o interesse por esse estilo musical e também nos firmarmos como artistas. Isso inclui também a produção de música autoral”, comenta.

Apesar do blues não ser um estilo de apreciação em massa, os garotos acreditam que há um público adepto e incentivar no cenário nacional e também regional. Para eles, essa realidade é difícil de mudar, mas se sentem motivados pelos inúmeros elogios e pessoas que andam acompanhando os shows para vê-los. “Apesar do pouco tempo de estrada, reconhecemos nossa importância no cenário musical alternativo cuiabano e as pretensões são muitas, mas podemos colocar como a mais importante, num curto prazo, a gravação do nosso primeiro trabalho”, revela o gaitista, ansioso. Veja vídeo da entrevista e o duo tocando abaixo.

Mississipi Jr, que nasceu de uma família evangélica em Cuiabá, teve contato com o ritmo desde sua infância, mas foi só aos 19 anos, quando formou a banda Dom Camilo Blues Band com amigos, que identificou sua total paixão pelo estilo. O interesse pela gaita surgiu na mesma época e em 2013 já não se via mais sem o instrumento. Entre suas maiores influências, ele enumera Little Walter, Sonny Boy Williamson II e Big Walter Horton.

Influências e musicalidade

Allan House, nitidamente apaixonado pela música e história dela, especifica ao que o duo nasceu com uma proposta tradicionalista, de revival do blues raiz. A intuição dos integrantes fluiu em um ponto incomum, pois apesar de gostarem de músicas mais antigas, quiseram trazer a elas novas leituras, vezes sutis, outras com evidência na contemporaneidade. “Com isso, quero dizer que não somos saudosistas, mas que olhamos para o vasto material fonográfico da primeira metade do século passado produzida no Sul rural dos Estados Unidos como um portal para ideias musicais surpreendentes, inusitadas e que, largamente negligenciadas, foram esquecidas”, defende House. 

As pretensões são muitas, mas podemos colocar como a mais importante, num curto prazo, a gravação do nosso primeiro trabalho

Mississipi Jr

No blues rural encontraram uma fonte criativa. Ainda que Allan reitere que pelo blues ser o “pai” de tantos outros ritmos que ecoam, principalmente, na música norte-americana, é impossível que qualquer uma de suas variações seja esquecida. “Dividamos o mundo em dois tipos de pessoas, os amantes do blues e os herdeiros do blues. Por mais bem intencionados que os amantes dos blues sejam, o argumento genealógico que confere ao blues a marca comum de fonte de todas as derivações musicais que moldaram a música pop desde sempre, põe por terra a renovação do estilo”, acredita. 

Rodinei Crescêncio

Allan House e Mississipi Jr est�o na estrada h� um ano e j� ganham carinho do p�blico

Allan House e Mississipi Jr estão na estrada há um ano e ganham carinho do público, shows sempre lotam na Capital

O vocalista e compositor ainda complementa que as suas maiores inspirações repousam em uma vertente do country blues chamado delta blues, leva este nome por ter se desenvolvido nas terras intermediárias entre os rios Mississipi e Yazoo, a Noroeste do estado do Mississipi. Alguns dos músicos lembrados por ele são CharleyPatton, SonHouse, Bukka White, Willie Brown, Robert Johnson e Muddy Waters.

Todos os mencionados por Allan tocavam também com “slide”, mesmo acessório que ele trocou por um copo de vidro, mencionado no início da matéria. O “copo de aço” não é uma característica exclusiva do delta, e por isso, ele acrescenta que também foi bastante influenciado pelo blues do Nordeste de Mississipi, conhecido como country hill blues, em que, além do slide, há uma riqueza ímpar da rítmica africana. “Improvisamos muito nos shows e é basicamente isso. Se você tira o improviso do blues, você o mata, não há negociação”, finaliza. 

Galeria: Duo inflama talento no blues

O duo negocia agenda para bares, eventos e cerimônias. A cada quinze dias eles se apresentam às sextas no Lombardis Pub. Bares como Cão Latino e a Cervejaria Heresia também inserem Allan House e Mississipi Jr em suas programações. 

______________________

Informações

Postar um novo comentário

Comentários

  • Comente esta notícia

Matéria(s) relacionada(s):

EP cita 4 pela força do MDB em Cuiabá

rafael bastos 400 curtinha   O prefeito Emanuel Pinheiro disse neste sábado, no encontro do MDB, que acabou atraindo a presença de representantes de outros 12 partidos, que a agremiação emedebista foi construída e ganhou força e espaço na Capital graças aos filiados históricos Rafael...

Júlio, do DEM, vê boa gestão de EP

julio campos 400 curtinha   Júlio Campos (foto), uma das lideranças históricas do DEM, foi "apertado" nesta sexta, em entrevista a Antero de Barros, na rádio Capital FM, especialmente sobre o fato do ex-governador e ex-senador demonstrar simpatia e apoiar a gestão do prefeito Emanuel, enquanto outros do partido...

Empresário ensaia de novo em ROO

 luizao_curtinha400   Em Rondonópolis, o empresário Luiz Fernando de Carvalho, o Luizão, dono da Agro Ferragens Luizão, ensaia mais uma vez disputar a prefeitura. Como a sua pré-candidatura não é considerada novidade, ele é visto como uma espécie de "cavalo paraguaio", que tem arrancada...

2 governistas prontos para a briga

chico2000_curtinha400   O prefeito Emanuel tem 2 aliados de primeira hora na Câmara que não resistem a uma provocação. Tratam-se de Renivaldo Nascimento (PSDB) e Chico 2000 (foto), do PL. Sabendo do estopim curto, os vereadores de oposição, especialmente Diego e Abílio, não perdem a chance de...

Niuan agora sob rédeas do Podemos

niuan ribeiro curtinha 400   O vice-prefeito Niuan Ribeiro, agora no Podemos, se torna obrigado, conforme exigência estatutária, a contribuir com 5% dos R$ 15 mil que recebe mensalmente . Ou seja, vai ter que repassar R$ 750 para o seu novo partido. Considerado um partido com novas concepções, regras e exigências, o...

Efeito-senado e briga no ninho tucano

carlos-avalone_curtinha400   O deputado estadual Carlos Avalone não tem certeza de que o acordo pré-estabelecido para ele se tornar presidente do PSDB-MT, a partir de fevereiro, ou seja, daqui 5 meses, será cumprido. Pela costura entre a cúpula tucana, Paulo Borges renunciaria à presidência, abrindo assim...

ENQUETE

facebook whatsapp twitter email

Na sua opinião, como está indo o Governo Mauro Mendes?

excelente

bom

regular

ruim

péssimo

Não se trata de pesquisa eleitoral, mas de um mero levantamento de opiniões de leitores do RDNews e do Blog do Romilson, com participação espontânea dos internautas. Resultado sem valor científico.