Arte e Cultura

Sábado, 21 de Setembro de 2019, 12h:37 | Atualizado: 27/09/2019, 16h:25

Em clima nostálgico, Clube Leia Mulheres debate obras literárias e faz encontros

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Clube de leitura formado com mulheres quer incentivar leitura, escrita e debates sobre obras femininas

Clube de leitura formado com mulheres quer incentivar leitura, escrita e debates sobre obras femininas na Capital, movimento do clube tem frente nacional 

Para quem tem costume de adentrar em livrarias, bem como feiras ou outras movimentações de eventos livreiros – tem sido fácil notar que, nos últimos anos, publicações escritas por mulheres ou sobre as mulheres estão ganhando mais espaço de destaque nas prateleiras.

O que estimula a refletir que as obras também estão sendo mais procuradas e, por consequência, vendidas. Ainda que no Brasil não exista, segundo a Câmara Brasileira do Livro, um sistema de pesquisa que separe por gênero os autores das obras – mulheres andam lendo mais e, também, escrevendo mais. 

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No primeiro encontro foi um sucesso e eventos devem acontecer at� o fim do ano

O primeiro encontro foi um sucesso, próximos eventos devem acontecer até o fim do ano e reunir ainda mais leitores

Antes que a internet existisse e lançasse grupos virtuais, encontros mais pessoais, com interesses em comum – como os clubes, eram corriqueiros.

Para compartilhar experiências ou trocar ideias sobre temas similares, às vezes, permitindo mais afetividade e impressões sobre as coisas. Parar e ler um livro, é dedicar o tempo a si.

Parar, ler um livro e conversar sobre ele é dedicar um tempo para si, para as relações e também para as reflexões.

Em clima nostálgico ou de rebeldia, surgiu a ideia de três mulheres em Cuiabá de trazer para a cidade a proposta do grupo e clube de leitura nacional Leia Mulheres. Elas são Marilia Bonna, Carla Andrade Maricato, Fernanda Maluf. Pelo Brasil, o Leia Mulheres já se espalha por mais de cem cidades e segue crescendo com a proposta.

O primeiro encontro na Capital foi no final do mês de agosto e a primeira leitura proposta foi a da autora Rebecca Solnit, com “Os homens explicam tudo para mim”. Até o fim deste ano, ao menos um encontro por mês está programado para acontecer e o próximo será em 25 de setembro, com a leitura da autora Charlotte Perkins Gilman - a “Terra das Mulheres”.

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Elas se reunem no Metade Cheio, onde tamb�m fica o sebo de Mar�lia, Rua Antiga

Elas se reúnem no Metade Cheio, onde também fica o sebo de Marília, uma das líderes e quem conduz, junto ao parceiro Thiago, o lindo sebinho Rua Antiga

Leia Mulheres em Cuiabá

Após uma série de ocorridos, o destino tratou de unir por interesses parecidos, Marilia, Fernanda e Carla, a última delas, é quem narra o início dessa maratona por amor à literatura. Para Carla Andrade, que apesar de ser formada em direito, sempre foi encantada por livros – tudo ocorreu como uma forma de ter bons momentos, além dos que causam tristeza no cotidiano. “Para refugiar dessa realidade pela qual passamos e buscar esse cantinho íntimo que os livros proporcionam que, este ano, eu me propus a me reaproximar do mundo literário”, conta. 

Pra refugiar dessa realidade pela qual passamos e buscar esse cantinho íntimo que os livros proporcionam que, este ano, eu me propus a me reaproximar do mundo literário

Carla Andrade

A primeira reunião deixou a sensação de força aliada a união. Para elas, iniciativas como a do Leia Mulheres confirma que a discussão em grupo tem um poder terapêutico incalculável como uma catarse coletiva.

Ano passado, em razão da sua mudança para Cuiabá, Carla deixou em Londrina todos os seus livros, o que acabou lhe afastando das leituras que tanto a gostava. Os livros, para ela, conferem familiaridade ao mundo. “Se eles estão por perto, sinto que estou em casa. Houve, na semana literária em comemoração ao Dia do Livro, uma roda de conversa especial mediada pela Fernanda, em que nos discutimos enquanto leitores e, no dia seguinte, houve uma apresentação muito fofa da Marília sobre o destino dos livros”, lembra.

Neste dia, coincidentemente, era aniversário da Marília. Ela que é dona junto a Thiago do sebo Rua Antiga, que também já foi entrevistado pelo por este motivo. Marília é encantada por poesia, coisas antigas, coincidências que a conecta com outros tempos, o que inclui apreciar a vida em valiosos momentos – sem pressa e com muitos detalhes. 

Fernanda, bem humorada, vive contando causos e – pelo que suas companheiras de clube descrevem, prefere o lugar de leitora. É psicóloga, e vê o grupo como um lugar de prazer. Quando conta suas histórias, talvez por ser uma amante da leitura, revela os talentos de uma cronista. 

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Mulheres se reunem em peso para discutirem obras liter�rias

Mulheres se reúnem em peso para discutir obras literárias, entre elas, alguns homens afim de entender as temáticas que elas escolheram debater no dia

Colocando em prática  

Após diversas reuniões, elas ainda não tinham a mínima ideia do que aconteceria. “Justamente por se tratar de uma proposta bastante restrita, que é ler literatura feminina. Foi por isso, aliás, que decidimos fazer, de antemão, a escolha de todos os livros a serem lidos durante o semestre”, lembra Carla.

Quando criaram o instagram ficaram surpresas com o número de seguidores que passaram a acompanhar a página em tão pouco tempo. “Entendemos, na verdade, que esse tipo de espaço era um tipo de demanda reprimida aqui em Cuiabá, um ponto que só estava esperando esse gatilho para vir à tona em toda sua potência”, acredita. 

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Mar�lia, Carla e Fernanda formam trio de mulheres que trouxe movimento

Marília, Carla e Fernanda formam trio de mulheres que trouxe movimento para Capital e posam no sebo Rua Antiga

Desde então, elas escolhem os livros que ainda não haviam lido. Então, ao longo do mês, lêem o livro escolhido, fazem apontamentos sobre os pontos que podem gerar algum debate e, no dia do encontro, deixam fluir a discussão, procurando sempre retornar aos aspectos importantes que haviam elegido previamente.

O clube é aberto a todo tipo de público, as duas únicas regras a serem observadas é que seja mediado por mulheres e que as obras lidas sejam escritas por mulheres. “Cientes da condição feminina na sociedade, a literatura é apenas um reflexo dessa deliberada invisibilização a que foram submetidas às mulheres ao longo dos tempos”, conta Carla – uma das criadoras do grupo.

Para elas, destacar a obras de escritoras pode vir a ecoar indícios de um tempo em que teremos todos, de fato, o mesmo valor, sem qualquer tipo de discriminação e desigualdade. Os encontros acontecem mensalmente, sempre às últimas quartas de cada mês, das 19h até à hora em que acabar a discussão.

Além da leitura proposta este mês, estão programadas para o semestre o livro da autora Xinran “As Boas Mulheres da China”, em 30 de outubro; a obra de Buchi Emecheta, “As alegrias da maternidade”, em 27 de novembro e a última do ano de Sheila Smanioto, a “Desenterro”, em 18 de dezembro.

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Comentários (1)

  • Girl | Domingo, 22 de Setembro de 2019, 09h22
    2
    0

    Tenho uma dica, o livro 'Você se importa?' em que há uma mulher negra na capa, é de uma autora ainda não muito conhecida, mas é interessante, tem muito a ver com a conjuntura atual da sociedade.

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