Arte e Cultura

Quinta-Feira, 02 de Maio de 2019, 12h:24 | Atualizado: 04/05/2019, 06h:40

Luciana Bonfim transborda sentimentos ao falar sobre amor e revolução - confira

Foto divulgação

Seu primeiro disco autoral deve ser lan�ado no final deste ano, mas comp�e desde sempre

Seu primeiro disco autoral deve ser lançado no final deste ano

Com uma pastinha de seu repertório colada no peito, próxima ao coração, Luciana Bonfim guarda em si muitas paixões, entre elas, a música e interpretações que expressa em cima e fora dos palcos.

Com uma voz potente, a sensação de quem observa a artista é de que ela tenha se mantido desde a Era de Ouro do Rádio.  Não apenas pela sua mania em ser “desconectada” da maior parte das tecnologias, como preservar suas canções em papéis, enquanto a maioria já carrega smartphones e tabletes, mas por demonstrar seu apreço em trazer sentido no que faz. 

Em alguns shows, canto, fico vermelha e choro

Luciana Bonfim

Assim como as fortes mulheres, que ganharam o coração do Brasil, nos equipamentos de pilha, a essência de Bonfim preserva também o latejar de seus sonhos na mesma frequência em que entona as canções.

É que o modo de demonstrar no que acredita, exige força. Para ela, os anos passaram, mas o preconceito com a mulher na música ainda é presente.

Desde pequena frequentou rodas de serestas com seu pai. Cercada de “boa música”, se recorda do dia em que se apresentou pela primeira vez na escola em que estudava. Para seguir carreira, rompeu barreiras, inclusive por parte de músicos. “Enfrentei muito machista. Não lembro de escutar isso de outras cantoras, mas sempre me posicionei fortemente para conseguir ser ouvida”, diz ao garantir que hoje considera ter conquistado seu espaço no Estado. 

Desde os 20 anos, ela viaja nas notas do samba e outras melodias da música popular brasileira. Seu primeiro disco autoral deve ser lançado no final deste ano, mas compõe desde sempre e revela a reportagem detalhes importantes de sua história, que a fizeram se transformar em uma artista tão singular.

“Gosto do que eu faço. Acho que isso é importante, né? Antes eu tinha certa vergonha e achava meio breguinha. Fui mostrando meus trabalhos, recebi diversos relatos de cantoras e fui tendo mais segurança nisso. Acreditando em mim”. 

Enfrentei muito machista. Sempre me posicionei fortemente pra conseguir ser ouvida

Luciana Bonfim

Suas influências 

A primeira banda de Luciana foi uma mistura de soul, rock e o que ela distingue como black brasileiro. Entre as inspirações estão Jorge Benjor e Tim Maia. “Já tive várias fases, mas gosto de cantoras mais do que de cantores, principalmente as interpretes mais fortes como as divas do blues e do jazz, que me inspiram muito. Eu adoro a entrega delas no palco. Posso mencionar também Maria Bethânea, Gal Costa e Elis Regina”, ressalta.

Moradora de Chapada dos Guimarães, mas nascida na beira do rio Coxipó, que é como descreve sua chegada ao mundo, não esconde seus posicionamentos políticos e sabe bem seu papel enquanto mulher, mãe e artista.

Considera dividir alguns momentos vividos, mas o principal divisor de águas foi se tornar mãe, o que, para ela, foi um acontecimento que a fez enxergar o mundo de uma maneira muito mais ampla do que a que via antes. "Meu filho vive cantando as músicas que eu fiz para ele, é meu maior fã. Desde que virei mãe, passei a ver o mundo de uma forma muito mais sensível e querendo um lugar melhor para ele", relata ao mencionar João, seu menino de sete anos.

Mesmo que outros sons a influenciem, o samba é onde a artista diz que se sente completa. Isso porque as letras são encharcadas de sentimentos. Frisa também que é cria dos botequins e do público boêmio que a cerca. “Quando é mais formal fico bem tímida”, revela - veja galeria abaixo.

Só escreve e canta o lhe parece verdadeiro

Luciana escreve sobre histórias cotidianas, músicas para amigas e menciona uma música que fez para um passarinho e chamou de "Canto do Mato". Para escrevê-la, pensou nos músicos que saem do Estado e viajam para viver da arte. No mais recente disco gravado, Samba em Sombra de Pequizá, apresenta músicas de fases diferentes, como composições de 20 anos atrás. “Tenho mudado muito meu jeito de fazer música. Às vezes, dou músicas de presente de aniversário, mas, mesmo que a inspiração venha, não sou uma maquininha. Demoro um pouco para compor”, conta. 

Cantoras como Deize, Thuany e Lorena já interpretaram suas canções. Algumas delas pretendem gravar as composições.  “Isso de amor e revolução se mistura muito. Cada música faço pra uma história e uma pessoa. Algumas são sobre coisas que acredito e maneiras que vejo o amor, mas nem tudo é sobre mim”, salienta. 

Só canta o que gosta e acredita. Em alguns shows a vermelhidão lhe entrega extravasar nas emoções, chora, sente e canta para se expressar. Em outros momentos da carreira, chegou a cantar letras que considera machistas e isso a incomodava.

Para ela, essas letras existem não só no samba, mas de uma forma geral em toda a música brasileira. “Tirei muita coisa do repertório. Às vezes, cantando, fecho o olho e viajo naquela história. Por isso, em alguns shows, canto, fico vermelha e choro”, confessa emocionada e com a voz trêmula.

Galeria: Luciana Bonfim é explosão sonora

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