Arte e Cultura

Domingo, 21 de Abril de 2019, 08h:47 | Atualizado: 21/04/2019, 09h:57

Milenar, símbolo de renascimento surge antes do judaísmo e cristianismo - história

Reprodução

Deusa Eostre em ilustração com ovos e coelhos

Deusa pagã Eostre em ilustração com ovos e coelhos

No Brasil, a Páscoa é celebrada principalmente pelos cristãos. O Pessach, a páscoa judaica que deu origem à Cristã, surgiu dos rituais da primavera dos pastores e agricultores hebreus, com seus pães sem fermento e sacrifícios de animais.

Trata-se, de uma tradição milenar (antes também dos judeus), que passeia por séculos e povos e culturas diferentes. Isso porque os romanos celebravam a data com símbolos similares aos da ressurreição. As  adorações eram feitas à deusa Réia ou Cibele. Já os egípcios se dedicavam a Osíris. Antes do Cristianismo, a entrada da primavera era comemorada em rituais que têm muito em comum com a que se conhece no século 21.

Ovos e o coelho

O feriado, lembrado pelos cristãos como a ressurreição de Jesus Cristo, existia antes de Jesus. Os povos que antecederam esse período trocavam ovos de galinha decorados. No entanto, foi no século 9, com a conversão dos povos germânicos ao Cristianismo, que houve um sincretismo entre essas tradições.

Os símbolos das festividades “pagãs” acabaram incorporadas na celebração cristã - ovos de chocolate. 

Outro exemplo é o coelho da Páscoa, representação da deusa da primavera entre povos nomeados bárbaros. Na região onde essa deusa era celebrada, a Páscoa ainda é chamada Ostern, na língua alemã, Easter, traduzida para o inglês Ostara, mesma deusa deusa Eostre.

Os ovos são símbolo da vida prestes a ser gerada e não serviam apenas para serem comidos. Decorados com flores e outras cores vividas, simbolizavam Eostre. E, se alguém já ouvir dizer que coelhos são símbolo de “fertilidade”, se deve a este momento. Em sua representação, Eostre além de segurar um ovo observa um coelho, alegoria da fertilidade.

Sincretismo

Uma mistura cultural ocorreu entre os símbolos através dos séculos e a Páscoa tomou as proporções que tem hoje. A ressurreição de Jesus, após a crença de sua passagem sacra pela terra, reúne estudos de pesquisadores e teólogos para o tema.

O Primeiro Concílio retratado em diversas obras de arte no decorrer dos séculos foi entre bispos cristãos, todos reunidos na cidade de Niceia da Bitínia. A celebração foi concedida pelo Imperador Romano Constantino I no ano de 325. Foi neste momento que fora estabelecido o culto à Páscoa. Neste momento, ainda se coloria ovos de galinha, gansa ou codorna com imagens de figuras santas. Entre elas, já atribuídas às novas crenças (cristãs), Jesus e sua mãe, Maria. 

Comiam, na época, o cordeiro sacrificado e pão sem fermento e ervas amargas

Teólogo Teobaldo Witter

Franceses deram toque a confeitaria e inseriram a ideia do chocolate

Mestres em confeitaria, os franceses sempre foram empreendedores. Em uma celebração que já era bastante popular no século 18, o chocolate ganhou formato de ovo e embalagens chamativas. O cacau foi encontrado na América, dois séculos antes, e se popularizou. 

 

Teologia e a Páscoa entre judeus e cristãos

Arquivo pessoal

Teólogo Teobaldo Witter

Teólogo Teobaldo Witter explica origem e como se deu a "adaptação" ao Cristianismo

Para o teólogo Teobaldo Witter, antes do ano mil da era cristã, durante alguns séculos, no Egito, muitas famílias empobreceram. Havia épocas melhores e outras piores para as multidões de pobres, por isso, alguns faraós eram toleráveis e outros mais cruéis. “Foram obrigados a trabalhar pesadamente, mediante controle duro por parte do faraó”, comenta. 

Segundo as crenças judias, Deus convocou Moisés para libertar este povo da servidão do Egito. “O exército do Egito os perseguiu. Os hebreus, que depois são chamados de Israelitas (segundo a bíblia), passaram pelo mar”, comenta. 

Witter ressalta que a Páscoa judaica celebra esta saída que, para ele, simboliza a saída da escravidão para a terra da liberdade. “Comiam, na época, o cordeiro sacrificado e pão sem fermento e ervas amargas. O que é celebrado na religião judaica até hoje”, pontua. 

Para os cristãos, Jesus Cristo é o cordeiro de Deus sacrificado na sexta-feira da Paixão. Após isso, nomeiam o símbolo como ressurreição ou renascimento.

Reprodução

Obra representa Nicea

Primeiro Concílio entre bispos cristãos, todos reunidos em Niceia para 1ª Páscoa

 “A passagem é da morte para a vida, mediante à ressurreição de Jesus, no domingo de Páscoa. Essa é a principal diferença. O antigo testamento (dos judeus) vale para os cristãos na medida em que se indica para Jesus e sua comunhão”, pontua.

Para o teólogo, a base da Páscoa para os cristãos, em qualquer cultura, é sempre a mesma. “É a passagem da morte para a vida, do ódio para o amor, da indiferença para o compromisso, da violência para a paz, da injustiça para a justiça, enfim, das trevas, ignorância para a luz e o conhecimento que mudanças para melhor. Cada povo acrescenta seus significados simbólicos”, acrescenta.

O teólogo comenta que o símbolo do ovo, realmente, é de nascimento de uma nova vida. Jesus é a nova vida e nem todos os povos usam o ovo de páscoa, mas usam outros símbolos como luz, cantos, orações e presentes. O cristianismo foi assumindo significados simbólicos das culturas dos povos. Sem isso, nem seria possível se comunicar”, frisa.

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