Arte e Cultura

Sábado, 27 de Abril de 2019, 07h:40 | Atualizado: 27/04/2019, 16h:50

Mulheres "costuram amor" em forma de retalhos para ajudar famílias carentes

Foto divulgação

Amor em retalhos foi criado para ajudar a�es com pessoas carentes

Amor em retalhos foi criado para ajudar ações com pessoas carentes

Não é difícil de imaginar que alguém que se chame Isolda, assim como na milenar história entre Tristão e Isolda, mesmo romance que inspirou Shakespeare a escrever Romeu e Julieta, seja alguém romântica.

Ao longo dos séculos, acreditar no amor, ainda é algo que soa lúdico para a maioria das pessoas. Da era medieval para cá, o mundo já foi despedaçado por guerras, se desfez em cinzas, enchentes, lamaçais, entre panos sujos e sem cor. Talvez, por isso, há quem queira costurar retalhos para prevalecer o amor. 

Para isso, quem sabe o mundo precise também de alguém que tenha fé na vida. Que acredite que exista muito mais pessoas boas do que ruins e por isso possam ajudar o próximo quando tiverem a oportunidade.

É nisso que Isolda Risso, 57 anos, mesmo após séculos da primeira Isolda ou até mesmo Julieta, acredita. Por isso, transformou seu escritório em um ateliê para se dedicar integralmente ao projeto Amor em Retalhos. “Fazer o bem não é você dar, mas você doar. Seja uma visita em um hospital, uma creche, você sorrir para alguém triste na rua ou simplesmente ser gentil”, defende. 

Foto divulgação

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Isolda é empresária idealizadora e transformou escritório em ateliê para fazer o bem

Ressalta que, para o mundo ser um lugar melhor, basta que cada um faça a sua parte. “Não é uma questão financeira, é uma questão de querer. Existem muito mais pessoas boas do que ruins. Pois, se a maioria fosse ruim, nenhum de nós estaríamos vivos hoje. Talvez, as pessoas boas sejam anônimas”, conta.

O projeto

Com peças criativas, feitas a partir de retalhos doados ou vendidos a baixo custo pelas lojas de tecidos, muito artesanato ganha um pouco de amor e vira o “financiamento” para obras sociais na cidade, como as do Irmão Áureo, que atende famílias em vulnerabilidade social no bairro Santa Laura, em Cuiabá.

As peças são vendidas a partir de R$ 10 e servem para presentear, decorar a casa, entre outras possibilidades. No ateliê, há sachês perfumados, panos de prato, toalhas bordadas, aromatizadores de ambientes, canecas, organizador de lingeries e tapetes.

Nas obras sociais, além das famílias, o foco é dado nas crianças e adolescentes carentes. Para isso, oferecem também café da manhã, lanche, material escolar e outros cuidados como distribuição de alimentos, roupas e calçados para famílias carentes, realização de oficinas de costura, tapeçaria e crochê ou a distribuição de sopa aos domingos.

Segundo Isolda, o ateliê faz muita costura e artesanato para dar sustentabilidade às obras sociais e a maior beneficiada com os feitos é ela, pelo que aprende e pode doar todos os dias aos menos favorecidos, como sua força de trabalho. “A partir do momento que eu tive contato com as obras sociais e passei a frequentar o espaço, vi a dificuldade financeira que tinha ali. Não existe nenhum vínculo governamental e as despesas, até então, eram rateadas pelos próprios voluntários”, conta, ao explicar como iniciou a ideia do projeto.

Mães com qualificação e a costura transformando vidas

A sustentabilidade fortalecida pelas arrecadações do ateliê paga água, luz, alimentação e almoço do espaço que atende a comunidade carente. No entanto, antes de começar, ele precisava também de pessoas dedicadas na costura para que esse giro não parasse. Na falta de um espaço, Isolda não pensou duas vezes, transformou o escritório de sua empresa e preencheu o local com linhas, panos, agulhas e cinco pessoas, contando com ela, dispostas a trabalhar. “Como eu já estava bordando panos de prato com as mães, desmontei o escritório e montei a sala de costura dentro da minha sala de trabalho”, lembra. 

Galeria: Projeto Amor em Retalhos

No início, seus clientes estranharam, mas logo entenderam a proposta e viraram mais pessoas. “Foi engraçado na época, porque as pessoas estavam acostumadas com meu trabalho e chegavam lá e se assustavam com um monte de máquina de costura”, descreve aos risos. 

Tem gente com depressão e síndrome do pânico que às vezes aparecem aqui, nem sempre fazem compras. Querem um pouco de amor e conversa

Isolda Risso

Entre as pessoas que atuam diretamente com Isolda, está sua secretária e também a senhora que a ajudava com as atividades do lar. “Ela sempre foi habilidosa e eu a levei, crendo nisso, para um curso de corte e costura. Virou uma costureira maravilhosa”, define.

Para a romântica e altruísta, é impensável que ela desligue o projeto mesmo em momentos de dificuldades financeiras – ao lembrar de 2018, ano que descreve como difícil neste quesito. O ateliê, entre a vibração das agulhas que atravessam linhas e muitos destinos, inclusive de famílias em vulnerabilidade, há quem também vá apenas para conversar com as funcionárias, pois virou um lugar aconchegante, bordado e permeado de amor. 

Segundo Risso, qualquer um pode ajudar no projeto, seja comprando os produtos, se voluntariando no ateliê ou nas ações. “Tem gente com depressão e síndrome do pânico que às vezes aparecem aqui, nem sempre fazem compras. Querem um pouco de amor e conversa. Tem gente que vem e pergunta como pode ajudar, mesmo que não saibam como. Aqui sempre tem um espaçinho para quem quiser receber ou dar mais amor”, finaliza.

  • ________
  • Serviço
  • Instagram - @amoremretalhos
  • Horário -  das 8h às 18:00
  • Telefone - (65) 99610-5505

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