Esporte e Lazer

Sexta-Feira, 15 de Dezembro de 2017, 08h:31 | Atualizado: 18/12/2017, 07h:27

De Primavera do Leste

Canoísta conquista o mundo depois de ser a mais jovem atleta olímpica do Brasil

O ano de 2017 foi excelente para diversas pessoas, mas especial mesmo ele está sendo para Ana Sátila Vieira Vargas, uma canoísta de apenas 21 anos, nascida em Primavera do Leste, que conseguiu durante este intervalo de quase 365 dias superar resultados ruins nas olimpíadas do Rio, conquistar duas medalhas no mundial de canoagem slalom na França e enfim recolocar seu nome no seleto grupo de atletas do mundo inteiro a atingirem índices olímpicos em suas modalidades esportivas.

Reprodução

Ana Satila

Tudo começou em Primavera do Leste, nos treinos de um projeto social no Rio das Mortes

A primeira vez que alcançou índice olímpico, Ana tornou-se a atleta mais jovem do Brasil a fazer isso, contava então 15 anos (estava a alguns meses de fazer 16), e carimbou o passaporte para as Olimpíadas de Londres, em 2012.

Nas vitórias francesas obtidas em outubro, Ana Sátila trouxe uma medalha de bronze na modalidade C1 e no outro dia conseguiu uma prata no K1 extremo. O feito também era inédito -- o melhor da história da canoagem slalom do Brasil em uma competição daquele porte em qualquer categoria.

Caso a modalidade caiaque extremo seja tornada olímpica em 2020, a mato-grossense entrará como uma das fortes candidatas ao pódio, após a conquista do vice-campeonato da categoria, com possibilidades reais de ouro inclusive.

Seria a coroação de um sonho iniciado ainda aos nove anos, quando pai dela resolveu colocar a menina para treinar canoagem dentro de um projeto social de fomento à modalide no Rio das Mortes, em Primavera do Leste, município distante cerca de 300 quilômetros da capital, Cuiabá.

“Ana Sátila foi a mais jovem atleta da história do Brasil a chegar a uma Olimpíada, aos 16 anos incompletos”

Também seria a redenção pelas duas frustrações seguidas em Olimpíadas -- ela não foi muito bem em Londres e acabou por cometer um erro que a tirou da final no Rio de Janeiro em 2016 e acabou bastante abalada com o adiamento uma vez mais da confirmação de todos os bons resultados obtidos na canoagem desde a infância; exceto quando a questão é a competição inventada pelos gregos na antiguidade.

“Realmente não foi o resultado que eu esperava, mas superar aquele momento, colocar a cabeça no lugar e no mesmo dia já ter outro objetivo em mente foi uma grande superação pessoal para mim, nunca irei esquecer todo o aprendizado que conquistei naquela competição e sempre tento levar toda essa bagagem e experiência para todas as minhas competições”, contou a ainda menina do interior de Mato Grosso que hoje mora em Foz do Iguaçu, no Paraná, para manter o alto nível dos treinos e consequentes conquistas.

Dentre os feitos alcançados desde os tempos de Rio das Mortes até a pista de competição na Cidade Maravilhosa, títulos como o de campeã mundial júnior e vice-campeã do mundo na categoria sub-23 em 2014, ouro no K1 e prata no C1 do Pan-americano de Toronto, Canadá, somente um ano depois.

“Sempre soube do que eu era capaz e acreditar no meu esforço foi o que me ajudou a superar os meus desafios depois dos Jogos do Rio”, contou Ana Sátila à versão nacional do site G1.

Reprodução

Ana Satila

As coisas não saíram como planejado em duas Olimpíadas, mas no Brasil foi mais doloroso

Jornalista, atleta, organizadora da série de corridas de classe extreme UltraMacho, Maria Rita Ferreira Uemura lembra a necessidade de o Brasil manter e aumentar iniciativas como a que revelou Ana Sátila. “Aos 21 anos, a menina de Primavera se tornou a maior promessa da canoagem do país. Um trabalho de base que começou lá atrás e produziu seus primeiros frutos”.

Em Foz do Iguaçu, Ana Sátila vive desde os 13 anos. Desde então, além das já citadas, há conquistas como ser hexacampeã brasileira de caiaque individual (K1) e bicampeã pan-americana de canoa individual (C1).

Todos esses resultados em uma modalidade na qual o Brasil não tem tradição alguma fizeram com que a imprensa adiantasse para o rumo da canoísta o status de estrela. Nessa condição, entretanto, os resultados nunca corresponderam. Em Londres, terminou em 16º lugar nas semis, caiu a uma posição de chegar à final; em 2016, mais preparada e experiente, terminou, entretanto, em 17º por força de um citado erro. A imagem dela abraçando-se ao pai após a derrota comoveu o país.

Volta por cima veio com novos feitos inéditos, mas Tóquio tem tudo para ser redenção total

Ana é internacional, o mundo inteiro já sabe, e está sempre em competições tanto Brasil adentro quanto Estados Unidos e Europa afora. Ela terá nova chance de êxito olímpico em 2020, na 32ª edição das Olimpíadas da Era Moderna, em Tóquio, 124 anos após o recomeço.

Que ela tenha mais dois ótimos finais de ano até 2020 e que aquele seja, enfim, o ano da redenção máxima de uma menina que, à parte ter nascido sem muitas posses no país do futebol, resolveu conquistar o mundo a remo quando isso não parecia minimamente plausível a ninguém a não ser ela mesma. É o tipo de feito que reverbera em qualquer área ou ramo da vida, não só do esporte.

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