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Quarta-Feira, 25 de Dezembro de 2019, 06h:24 | Atualizado: 25/12/2019, 06h:29

Atrás da fantasia: Conheça o Papai Noel que foi hippie e outro que pedem milagres

Os dois são conhecidos na cidade por ajudar a manter a magia do Natal e a memória de São Nicolau

Quase como protagonista do Natal, a figura do Papai Noel sempre é lembrada com carinho por quem gosta desta data no ano. O senhor idoso, barba branca e com vestimenta vermelha é um símbolo cultural forte em todas as partes do mundo. Antes de ter as roupas vermelhas, era vista na figura de um camponês, também conhecido como Nicolau – um fazendeiro bom feitor que foi canonizado pela Igreja Católica, se tornando São Nicolau. O vermelho foi atribuído pela publicidade da Coca-Cola no século XIX.

Já alguns dos outros símbolos, como a árvore enfeitada e guirlandas foram “reaproveitadas” de outras culturas que existiam antes mesmo da figura de Jesus Cristo, e mais tarde foram incorporadas pelo Cristianismo. Com uma mistura de referências, não é de se negar que cada representação de Papai Noel também seja única e tenha uma essência específica de quem o incorpora todos os anos. Por isso, o conversou com dois deles na Capital para desvendar quem é e o que faz a pessoa atrás das vestimentas natalinas tão visadas no mês de dezembro. 

Papai Noel que foi hippie

A primeira entrevista é com um senhor já bastante popular e conhecido no país inteiro, mas que contou coisas que a maior parte das pessoas nem imagina que ele tenha vivido. Clovis Matos, 64 anos, o Noel pantaneiro, além de mostrar seus dois tipos de botina: a que enfrenta o lamaçal do Pantanal e a bem lustrada para receber visitas no shopping, disse que começou a “cultivar” sua barba há muitos anos atrás, ainda na juventude, por forte influência do movimento hippie que fez parte por mais de duas décadas de sua vida. Clóvis sempre gostou de estrada e às vezes pegava seu carro e viajava com a família para o Nordeste do país. 

Rodinei Crescêncio

Em entrevista, Cl�vis conta trechos da sua vida na juventude

Em entrevista, Clóvis conta trechos da sua vida na juventude, foi muito aventureiro - e bastante "paz e amor" na onda hippie setentista que  viveu no Brasil

Hoje, além da Furiosa, uma caminhonete que transformou em biblioteca itinerante e uma Kombi, que vive repleta de livros, mas ainda não recebeu apelido, ele também tem a caminhonete que ganhou da TV Globo, através de Luciano Huck, uma Hilux, "batizada" como Laranja Mecânica. Todas essas “máquinas” são usadas a favor dos livros e de comunidades para as quais Clóvis leva o mundo da literatura,

Mineiro, ele tem um jeitinho bastante carismático, e recebeu com carinho à reportagem em sua casa, uma verdadeira biblioteca distribuída em cômodos.

Com a alimentação leve nesse período, ele confessa que emagrece bastante no fim do ano, isso porque, para ficar no shopping, precisa de uma disposição maior do que a comum para levar a rotina do dia-a-dia. Clóvis aceitou o convite para ser Noel depois de muita insistência e, hoje, usa o dinheiro que ganha nesta temporada no projeto Inclusão Literária (o maior de incentivo a leitura da América Latina). 

Rodinei Crescêncio

Barba de Cl�vis � um status, inclusive, no interior do Estado

Barba de Clóvis é branca há alguns anos. Ele era loiro eas pessoas sempre elogiam como status de respeito

Clovis gosta de cozinhar, mas também não tem tanto tempo durante o dia, pede marmita. “Gosto de comida caseira e, após ficar 15 anos sem comer carne, prefiro refeições mais leves. Adoro peixe, comida cuiabana e outras opções”, descreve.

O dia é corrido. Sobra menos tempo para família. Uma vez, já vestido de Papai Noel – foi buscar sua netinha. Ela não gosta de o ver vestido de Noel, porque sabe que vai trabalhar e passar menos tempo que ela. “Além disso, tem ciúmes de outras crianças, fica chorosa. Diz repetidamente o vovô é meu”, conta.

Poucos sabem, mas Papai Noel tem que ser um pouco de tudo – e além dos pedidos de Natal, ouve muitos desabafos. Tem que ter jogo de cintura e uma resposta serena na ponta da língua. Clóvis revela, enquanto mostra seu guarda-roupa, que às vezes recebe investida de mulheres. “Elas pedem para cheirar o pescoço e fazem propostas. Tem uma moça que ficou tão encantada uma vez, que fez isso em frente ao marido”, descreve, meio que sem jeito.

Sua fama vai longe. Uma vez, meio a uma tribo indígena que se comprometeu a levar livros em Rondônia, eles disseram que já o conheciam. O cacique respondeu: “aqui todo mundo assiste Luciano Huck”, lembra aos risos.

Outra lembrança de Matos é que certa vez, enquanto pegava estrada para outro Estado rumo a uma Bienal do livro, foi abordado por homens desconhecidos que pediram para ele parar o carro – desconfiado, mas sempre simpático, parou. “Um deles, meio jagunço – disse que minha barba era de respeito. Para eles, no interior, isso é um status, inclusive para os mais antigos”, acredita.

Papai Noel de fé e que os padres pedem benção

O segundo Papai Noel que recebe a visita da reportagem é José Nilton, 67 anos, que recebe a equipe no seu camarim – entre as salas de outros funcionários do shopping. José é chamado por Noel desde sempre, antes mesmo de ter cabelos brancos, quando era um barbudo mais jovem. Nilton não raspa a barba há 45 anos, e confessa que antes de ser Papai Noel, trabalhou em algumas empresas e teve também a própria loja de brinquedos. 

Rodinei Crescêncio

Mesa de doces � montada por ele aos funcion�rios que passam por sua sala

Mesa de doces é montada por ele aos funcionários que passam por sua sala, clima é de ternura e preparação aos que se aproximam de Nilton todos anos

Católico fervoroso, ele carrega sob o peito um imenso crucifixo, além de um terço enrolado no braço esquerdo e um rosário na mesa. Antes de entrar em seu posto todos os dias e receber as crianças e famílias – reza e pede sabedoria para dizer palavras positivas.  

Rodinei Crescêncio

Jos� � crist�o fervoroso e acredita em milagres de natal

José é cristão fervoroso e acredita em milagres de natal, pedidos de oração são feitos

Hoje, em Mato Grosso, José também é o Papai Noel da Coca-Cola e é mais que radical quando sobrevoa a cidade meio a um helicóptero quando contratado para eventos do governo.

A mesa do seu camarim é repleta de doces que ele mesmo comprou para quem quiser visitá-lo na salinha antes de ir para sua poltrona. Doces que se fundem a algumas cartinhas, um espelho e vidros de perfume. “Esse ano uma senhora trouxe a filha que tirou uma foto comigo quando tinha apenas seis meses. Anos se passaram e hoje ela tem seus 15 anos, desde quando comecei a trabalhar neste shopping”, relata.

Nilton também diz que as pessoas costumam pedir “milagres” como jovens que não conseguem engravidar, e ele como um homem de fé – diz que vai pedir por elas. “Algumas já retornaram, um ano depois, para mostrar os filhos e disseram que conseguiram após pedir ao Papai Noel”, sorri, feliz pelo carinho que recebe.

Uma das curiosidades é o respeito que cativou até de padres - alguns, em sinal de respeito, pedem "bença". Como troca de respeito, ele também pede orações para que sempre, todos, tenham luz pelo caminho. 

Algumas das cartas que recebe, ele e sua esposa adotam, bem como algumas cestas de Natal – e leva sem rumo por comunidades carentes. “Vou andando, onde meu coração sentir que tenho que parar, paro e entrego a cesta. Uma dessas vezes uma senhora disse que senti certo, me chamou para entrar e mostrou que não tinha nada, apenas um pouco de pó de café”, diz.

Ele também atende muitos hospitais e ONGs, confessa que às vezes, quando é o Papai Noel que faz o pedido, as pessoas atendem, e isso inclui crianças. “Essa chupeta aqui me mandaram entregar, é de um menininho que disse aos pais que não iria chupar mais a chupeta depois de algo que o Papai Noel disse – não lembro bem o que foi, são mais de mil crianças que vejo por dia. No entanto, ele pediu para me entregar isso daqui”, ao mostrar a chupeta de cor roxa.

Vestido de vermelho o ano todo, não só pela data, uma das coisas curiosas que José revela é que veste a cor o ano inteiro – e tem cerca de 40 camisetas vermelhas em seu guarda-roupa. “Quando visto outra cor às pessoas reclamam muito, dizem até que não combina mais comigo”, finaliza.

A reportagem acompanhou sua saga até o mundo encantado meio ao shopping, as pessoas o abordam, tiram fotos sem parar no percurso e quando ele se senta – já tem uma fila de espera em busca de um retrato com o bom velhinho. “Ho ho ho”, não é mais Nilton, mas o personagem. 

Galeria: Por trás da fantasia de Noel

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