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Sábado, 20 de Julho de 2019, 07h:36 | Atualizado: 20/07/2019, 07h:39

Mulheres jovens enfrentam preconceito e empreendem em estilo home office- leia

Arquivo pessoal

Lumara foi quem iniciou a empresa e, em 2018, abriu as portas para a sociedade com Jhenifer

Lumara foi quem iniciou a empresa Lemure há alguns anos e, em 2018, abriu as portas para a sociedade com Jhenifer. Hoje elas sentem a empresa crescer

Tocar o próprio negócio é o sonho de muita gente, ainda mais se o escritório for em qualquer parte do mundo. Seja, em uma cadeira de praia. Outrora, no aeroporto e, quem sabe, até da própria casa. O conceito de “home office” tem crescido entre jovens brasileiros. Alguns pela vontade de liberdade e outros motivados em criar algo novo e que não siga os padrões já estabelecidos no mercado de trabalho.

No entanto, apesar das selfies com notebooks no Instagram, que profissionais costumam postar em lugares paradisíacos, nem tudo são flores. 

Arquivo pessoal

Elas sempre se deram bem no trabalho e resolveram abrir o pr�prio neg�cio

Já as empreendedoras da Oficina 89 sempre se deram bem no trabalho anterior, mas resolveram abrir um negócio 

Em Cuiabá, essa rotina tem parecido comum, inclusive entre mulheres com menos de 30 anos. A iniciativa parece ousada, mas passa ser convicção quando empresarias que começaram dessa maneira ou, que ainda continuam com o mesmo estilo de trabalho, contam que tudo tem os prós e contras.

Respeitar os horários e estabelecer metas são dois dos maiores desafios. Segundo uma das sócias da agência Oficina 89, Eloisa Gomes, que atua neste nicho há cinco anos, escolher o local onde se trabalha permite a possibilidade de não enfrentar trânsito, mas exige organização do horário. “É um desafio quando se trata das pessoas entenderem que, por estarmos em casa, não estamos livres para fazer qualquer coisa. É preciso ter muita disciplina e força de vontade para manter a rotina de trabalhos, além de estabelecer limites pras pessoas mais próximas e para os clientes”, comenta.

É preciso ter muita disciplina e força de vontade pra manter a rotina de trabalhos, além de estabelecer limites pras pessoas mais próximas e para os clientes

Eloísa Gomes

Eloísa é publicitária e tem 29 anos, ela trabalha junto com a sócia e jornalista Juciara Santos, que tem 30, há cinco anos. Elas tinham muitas ideias parecidas e, ao mesmo tempo, diferente da empresa em que atuavam. “Nossa dinâmica funcionava bem, a gente se entendia e nos completávamos profissionalmente", salienta.

Em uma tarde pensamos o nome e a logo. "Depois de divulgarmos, já fechamos nossos primeiros clientes”, lembra Gomes.

Ambas costumam vivenciar o dia a dia dos clientes e empresas para adaptar tudo conseguirem sugerir mais ideias. Na área em que atuam, especialmente, a das redes sociais, elas confessam que ainda existe muito achismo. No entanto, as empresárias garantem que todo mundo sabe procurar uma imagem, escrever uma legenda e postar.

Porém, por trás de tudo isso, tem muito estudo quanto ao público alvo, formatos e o discurso que adotam para a clientela. “A maior dificuldade é sermos vistas como profissionais e que estudamos diariamente pra oferecer um serviço. Acreditamos sim que o mercado tem se tornado cada vez mais personalizado e individual e, dessa forma, os profissionais estão se especializando e se adaptando a esse tipo de prestação de serviço”, descreve a publicitária da Oficina 89.

Dificuldades e desrespeito

As empresárias revelam que não foram poucas as vezes que uma pessoa, geralmente um homem, tentou explicá-las o próprio trabalho ou argumentar, mesmo que ambas levassem dados e informações que baseiam as ações. Elas revelam também que algumas situações de assédio não são restritas a cargos ou empresas com formatos diferentes, mas também podem vir de clientes. 

Fizemos um mochilão no final do ano passado, e trabalhamos durante ele. Era só ter uma internet e uma mesinha de canto que já estava montado nosso escritório

Jhenifer Heinrich

Entre os exemplos, mencionam mensagens inapropriadas e até pessoas que se apropriavam de ideias. “Já fomos constantemente interrompidas por alguém que acha que tem algo mais importante a nos dizer. Demoramos para aprender a lidar, mas hoje tiramos de letra com uma postura mais técnica e respeitosa”, revela Eloísa.

Do home office para o escritório

Lumara Dalva é outra publicitária que apostou trabalhar de casa, apesar de ter sonhado desde muito cedo em empreender. Em 2014 começou a participar de grandes ações de empresas de renome na Capital. 

Ela revela que no começo trabalhava de casa e isso exigia uma disciplina muito grande. “Era muito difícil por morar com a família e eles não entenderem de início que, mesmo estando em casa, estava trabalhando. O ponto positivo era poder acordar mais tarde, fugir da rotina do trânsito, poder brincar com os cachorros entre um trabalho e outro”, conta uma das sócias da Lêmure. 

Galeria: Mulheres criativas e de atitude

Arquivo pessoal

Lumara e Jhenifer da L�mure fizeram um mochil�o enquanto trabalhavam

Meninas da Lêmure fizeram um "mochilão" longo em trabalho 

Hoje a empresa tem um endereço fixo e conta com mais uma sócia desde o ano passado, Jhenifer Heinrich, que é jornalista.  “Temos um escritório físico para atender clientes e passar mais credibilidade, porque isso ainda é contabilizado pelo contratante”, pontua Lumara.  

Jhenifer também se considera empreendedora desde muito cedo. Conta em tom de brincadeira para o que, quando criança vendia mangas, acordava cedo para catá-las do pé, lavava e depois as empacotava. “Uma vez caí de bike e foi um chororô só pela perca do dia, afinal de contas, eram R$ 20 a menos no final do mês”, conta aos risos.

Para elas, a vida mudou totalmente e, apesar de hoje atuarem em um escritório, contam com a contribuição de profissionais de outros Estados do país, o que permite há muitos deles de trabalharem em casa ou no escritório que alugaram. “A gente tem um desejo muito grande de ter qualidade de vida e proporcionar isso pra quem trabalha na Lêmure e trabalhar de casa oportuniza isso. Todas as vezes que vamos fechar com alguém, esse profissional pode escolher trabalhar de casa ou ir até nosso escritório”, pontua Dalva.

As meninas da Lêmure, como elas contam que são chamadas pelos clientes, explicam que antes uma das maiores dificuldades de trabalhar de casa era dar preço aos trabalhos.

Há quem confunda esta escolha profissional com os conhecidos como freelancers, o que ambas comentam que é um erro frequente. Por serem jovens e mulheres, a falta de credibilidade no trabalho também era um empecilho. “A maioria dos clientes que nos procuram estão em busca do novo. Acredito que seja uma tendência de mercado, que vai além do nosso mercado. Fizemos um mochilão no final do ano passado e trabalhamos durante ele. Era só ter uma internet e uma mesinha de canto que já estava montado nosso escritório”, finaliza Jhenifer.

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