Sábado, 22 de Novembro de 2008, 21h28
VÁRZEA GRANDE
Sob ameaças, Fabris forçou Maksuês a desistir


  Cinquenta dias após as eleições, começam a vir à tona detalhes dos acordos de bastidores numa das eleições mais tensas, agitadas e emblemáticas deste ano em Mato Grosso. O palco foi Várzea Grande, segundo maior município do Estado

Gilmar Fabris (DEM)Deputado Maksuês Leite (PP)   Deputado de primeiro mandato, o apresentador de TV Maksuês Leite (PP) surgiu em junho deste ano como a esperança das oposições na disputa pela Prefeitura de Várzea Grande, segundo maior município mato-grossense. Ele já tinha tentado o cargo, em 2004, quando ficou em terceiro e último lugar, pelo PDT.

   Desta vez, Maksuês, com seu estilo populista e discurso duro contra os Campos, entrou no jogo mais firme para enfrentar, de um lado o "imbatível" ex-governador Júlio Campos (DEM) e, de outro, o "desgastado" prefeito Murilo Domingos (PR). Júlio antecipou sua aposentadoria do TCE só para brigar pelo comando de VG, onde começou na vida pública como prefeito. Agindo como trator, ele patrolou as pretensões do deputado Wallace Guimarães, que vinha trabalhando seu projeto há mais de um ano. A confusão interna já começou por aí.

   Do lado do Paço Couto Magalhães, Murilo não "botava fé em si mesmo". Chegou a declarar, um mês antes das convenções, que ainda estava avaliando se concorreria ou não ao novo mandato. Só duas pessoas naquele momento achavam que Murilo tinha chance de êxito nas urnas: o seu sobrinho Elias Domingos e o radialista Jeverson Missias, ambos secretários.

   Em meio às articulações e acordos políticos, Maksuês começou a crescer eleitoralmente. Entrou junho como líder nas pesquisas de intenção de voto. Atraiu 8 prefeitos, entre eles o PT e o PSDB. Júlio, então, passou a se desesperar. Foi aí que acionou nada menos que o seu afilhado político, o polêmico e temido deputado Gilmar Fabris (DEM). A este, o candidato do DEM delegou a missão de tirar Maksuês da disputa.

   Fabris montou suas estratégias "terroristas". Mandou filmar e acompanhar os passos do adversário. Levantou a ficha e os "podres" do deputado. Ressuscitou tudo sobre a vida pessoal e pública do jovem parlamentar, inclusive de um assassinato cometido pelo pai de Maksuês. Depois, o chamou para uma conversa dura. Avisou que se este continuasse na disputa, tudo viria à tona e seria desmoralizado.

   Acuado por causa da pressão violenta, Maksuês exigiu espécie de recompensa. Já era sinal de que jogaria a toalha. Nos bastidores, o comentário é de que a desistência lhe rendeu muito dinheiro, apesar do progressista negar. Sob ameaças, sua família pediu que abandonasse a candidatura. Maksuês recorreu ao seu padrinho político, deputado José Riva (PP), que também o orientou a "cair fora".

Júlio Campos (DEM)  Com o caminho aberto na marra para o diálogo, Júlio Campos entrou no jogo. Se reuniu a sós com Maksuês ao menos cinco vezes. Numa delas bateu o martelo. Aceitou acordos para controlar secretarias, de indicar a mulher de Maksuês, Mara Rúbia, como vice da chapa, e outras "amarrações". Marcou-se então uma entrevista coletiva para anunciar o acordão. No gabinete de Riva, na Assembléia, em meio ao clima tenso e na busca de argumentos para poder explicar a tal aliança, Maksuês tenta recuar. Era tarde demais. Jayme Campos, irmão de Júlio, adverte que o acordão não tinha sido feito. Assim, um grupo de democratas e progressistas seguiu para o anúncio oficial.

   O acordo que uniu adversários ferrenhos teve efeito contrário, a exemplo de 1998, quando Júlio, então candidato a governador, se juntou ao inimigo político Carlos Bezerra, que concorreu ao Senado. Ambos morreram abraçados nas urnas. Diante de sucessivos erros estratégicos de Júlio e de suas imposições e, de outro, de um prefeito que se passou de vítima, veio o resultado das urnas: Murilo obtém 72.519 votos (53%); Júlio amarga o segundo lugar com 45.688 votos (33%), e o peemedebista Nico Baracat fica na lanterna com 7.057 votos (5% dos válidos).

Maksuês nega, mas diz que era feliz e não sabia

   Perguntado neste sábado à noite se sofreu pressão e chantagem do grupo dos Campos para desistir da candidatura a prefeito de Várzea Grande, Maksuês Leite ficou em silêncio por quatro segundos e, depois, respondeu que "não". Ele nega os acordões que se comentam nos bastidores até hoje cinco meses depois de ter recuado da disputa para apoiar o então adversário Júlio Campos. O deputado se limitou a dizer que o episódio marcou negativamente sua trajetória porque a população não entendeu que fora o caminho correto. Obserrva, porém, que pesquisas qualitativas mostram que o estrago não foi tanto como ele imaginava.

   De todo modo, Maksuês revela que futuramente vai reunir a família para tomar uma decisão. Confessa que, pessoalmente, está determinado a não mais concorrer a cargo eletivo. Ele não se anima nem para disputar a reeleição em 2010. Disse que de uma coisa não abre mão: do jornalismo. Hoje ele comanda a TV Record News Cuiabá. Arrendou a emissora por 10 anos. Atua como dono e apresentador de programa.

   Disse que sonha em voltar a ter uma vida tranquila, como antes de virar deputado. "Eu era feliz e não sabia. O jogo é bruto", conta Maksuês Leite, protagonista de uma história que não será esquecida no meio político por tão cedo, principalmente em sua terra natal, Várzea Grande.


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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