Sábado, 17 de Outubro de 2020, 08h10
Política e religião não se apartam, afirma coronel candidata de Bolsonaro em MT
Rdnews continua entrevistas: Coronel Fernanda propõe aumento de pena e tratamento para estupradores

Airton Marques e Andhressa Barboza

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À sombra de Jair Bolsonaro (sem partido), a candidata ao Senado, Coronel Fernanda (Patriota), pretende se eleger nas eleições suplementares de 15 de novembro. Única mulher na disputa, militar e evangélica, a novata no cenário político-eleitoral de Mato Grosso garante que suas decisões no Congresso serão pautadas pela religião e no interesse do presidente da República e da população de Mato Grosso. Ressaltando que sua candidatura atende ao pedido do capitão, Fernanda é mais uma candidata entrevista pelo . Em gravação feita de forma remota, dias antes do susto causado pelo pouso forçado da aeronave que a transportava para atos políticos no Norte do Estado, a candidata falou sobre uma de suas propostas: aumento de pena e oferta de tratamento psicológico para agressores e estupradores.

Dayanne Dallicani/Arte/Rdnews

Fernanda Rubia

Confira os melhores trechos da entrevista gravada de forma remota na terça (13):

A senhora crê que ser a candidata do presidente Jair Bolsonaro é suficiente para conquistar os votos e vencer a eleição?

Acredito que o presidente Bolsonaro é sim um dos fatores mais importantes da minha candidatura. Ele tem sido a direção de tudo isso, até porque eu não vim da política, estou cumprindo uma missão do presidente aqui no estado. O presidente, assim como eu, tem uma visão municipalista, ele quer atender onde está o cidadão. Eu concordo muito com ele nisso, porque vemos que os recursos não chegam nos municípios pequenos e os políticos não olham para eles, por isso temos regiões muito empobrecidas. Temos que fazer com que a realidade de regiões ricas, como Sinop e Lucas do Rio Verde, chegue em todo o estado.

O que os eleitores podem esperar da sua atuação no Congresso: terá algum tipo de autonomia (para propor mudanças e até críticas) ou vai “dizer amém” a todas as propostas de Bolsonaro?

Eu sou a candidata do presidente Bolsonaro e todas as propostas que ele tem feito para o Brasil é em prol do povo brasileiro. Eu estou com o presidente e estou neste processo pelo presidente e por Mato Grosso. Estando no senado serei uma senadora por inteiro e não uma meia senadora, que atende grupo A e B. Eu atendo três pessoas só: o presidente Bolsonaro, o Brasil e Mato Grosso.

A senhora exerceu cargos estratégicos na Companhia de Polícia Militar Feminina e tem um projeto que trata da violência sexual. Fala em aumento de pena, mas também tratamento psicológico para estupradores. Como seria esse tratamento e qual a necessidade?

Infelizmente, no Brasil não temos prisão perpétua. Se tivesse, era claro, teria uma pena para que o agressor ficasse o resto da vida na cadeia. Isso é o ideal. Mas como não temos essa previsão nas leis, é preciso garantir que ele não volte a fazer mais vítimas. Precisamos fazer uma avaliação e um tratamento psicológico e psiquiátrico até para ver o nível da doença deste agressor. Temos um evento muito claro vivido aqui, e também pelo que observei na minha experiência como policial: todo agressor de violência sexual foi vítima de uma agressão na infância. Precisamos fazer algo para quando ele sair. É utópico dizer que vamos segurar ele pelo resto da vida na prisão. Ainda tem a proposta da castração química que as pessoas não conhecem muito bem. O agressor tem que querer passar por ela, não é obrigatória. Ela não é uma aplicação para o resto da vida e todo mês ele precisa ir ao posto tomar a medicação. Se ele não toma, os efeitos voltam. Mas precisamos tomar todos os meios necessários para que ele não volte a agredir ninguém. Minha preocupação não é com ele, acontece que todo agressor faz mais de uma vítima, até que um dia alguém mata ou a prisão leve ele a uma pena máxima. Só colocar atrás da cadeia é enxugar gelo.

Dayanne Dallicani

Coronel Fernanda

Coronel Fernanda durante entrevista remota exclusiva com os jornalistas Airton Marques e Andhressa Barboza, quando falou de suas propostas

Caso eleita, a senhora irá tomar posse no momento em que o Congresso debate formas de recuperar a economia e salvar vidas no pós-pandemia. O que a senhora vê como medidas necessárias?

A primeira medida é chamar a sociedade organizada para fazer um projeto de retomada em conjunto para que se apresente uma proposta. Temos alguns setores da economia que foram quase exterminados. Temos o comércio, o setor de eventos, hotelaria, as escolas e por aí vai. Precisamos ouvir os setores e levar a eles a confiança de voltar a girar. Ainda bem que em MT alguns não foram atingidos, como o agronegócio. Isso fez com que ficássemos estáveis. Enquanto a sociedade ficar recebendo ordem sem participar do contexto, criação e formulação de soluções, vamos continuar absorvendo problemas. O presidente sempre esteve correto.

A senhora também foi elogiada pelo presidente Jair Bolsonaro por ser evangélica. A senhora vai tomar decisões baseadas em preceitos religiosos? Até que ponto misturar o púlpito da igreja com o palanque político é benéfico para a sociedade?

A religião é muito importante na minha vida. É ela quem me dá paz para seguir no enfrentamento dos desafios. Levar minha religião ao Senado não vai interferir em nada, pelo contrário. A religião me dá direcionamentos que já tenho na minha vida particular que é ser uma pessoa proba, séria, correta e que com compromissos. Eu não posso errar. Primeiro porque sou uma militar e sempre prezei por isso e, segundo, porque sou evangélica e tenho que ter o temor a Deus para sempre estar correta. Eu não quero entrar na mesma demagogia dos políticos que já estão lá. Não quero ser uma senadora de gabinete, quero ir para rua. A política não se aparta da religião, é só olhar a Bíblia e ver que em várias passagens decisões no aspecto político tiveram que ser tomadas. E quando tomadas, foram com sabedoria. Quero utilizar o que tenho dentro da minha fé para tomar uma decisão correta. Tenho que respeitar a religião do outro e o outro respeitar a minha. Isso não me faz melhor ou menor.

A senhora disputa a vaga deixada pela juíza Selma Arruda, que foi eleita com apoio do Bolsonaro, mas que acabou se afastando do presidente quando esteve no Senado, criticando a extrema direita e reclamando até que teria sido abandonada pelo Capitão. A senhora teme que isso possa ocorrer novamente com você, caso seja eleita?

Eu tenho como pilares da minha vida a fidelidade e a lealdade. Todo aquele que desfaz de quem o ajudou, não merece confiança. O militar aprende muito isso, ele tem que ser fiel aos seus propósitos. Eu sei que nem sempre vou ter tudo para me agradar e nem por isso vou sair esculhambando. Pelo contrário, eu acredito que quando você tem um problema, tem que construir uma solução e tenho certeza que o presidente Bolsonaro é um homem de construção e vou estar junto para fazer isso e não ficar com mi mi mi.


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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