Sábado, 16 de Janeiro de 2021, 09h00
Formada e apaixonada por Kickbox, "Nay" se realizou na pandemia como doceira

Bárbara Sá e Douglas Santos

Rodinei Crescêncio

 Raio X Nayara Aline - Entrevista da Semana - doceira

Me coloco como doceira. Foi como se autodenominou Nayara Noya, durante entrevista ao . Apesar de ter paixão pelo Kickbox e ser formada em serviço social, pós-graduada em saúde e educação no Poder Judiciário há mais de 6 anos, sua realização foi como empreendedora, fazendo doces. Na lista de produtos oferecidos por Nay, como é conhecida, estão bolos, doces, bolos de potes, brigadeiro, beijinho, e a sua famosa bala baiana, que é difícil de resistir. Segundo ela, o segredo está em se reinventar sempre, inovar. Isso ganhou força na pandemia e vem dando certo. A reportagem do vai contar um pouco dessa trajetória e do seu amor pela nova profissão.  

- Como você se interessou pela culinária, pelos doces?

Eu me interessei através da minha mãe, quando ela era doceira. Ela fazia bolos e eu desde pequena ficava debruçado na mesa olhando ela fazer as coisas. Ela só fazia bolo, tortas doces. Ela fazia muita torta por encomendas para os conhecidos, parentes e aí eu e minha irmã ficávamos em cima olhando. Fui aprendendo. Desde cedo eu aprendi. Aos meus 15 anos eu já fazia bolo e doce. Contudo, já tenho 6 anos mais ou menos que cozinho. Minha mãe fazia bolo por encomendas, e desde nova, somos em três irmãs e um irmão, sempre gostamos de fazer, e ela foi nos ensinando desde cedo, então eu e minhas irmãs começamos com 16, 17 anos a gente já fazia algumas coisas, mas eu fui seguindo rumo, começando a fazer os doces, devagar. Foram aparecendo encomendas de conhecidos, aí foi indo, as pessoas mandando mensagem, ligando. Aí comecei a expandir. Parei por um tempo, fiz minha faculdade, aí eu fazia doces e bolos para vender na faculdade com objetivo de pagar os estudos. Vendia bolos de potes, brigadeiro e doces grandes por R$ 2,50 e assim eu fui indo. Terminei minha faculdade, trabalhava meio período na APAE, por que tive que fazer um curso lá, aí eu trabalhei um período de dois anos. Neste período parei de fazer, mas depois não resisti, e voltei.

- Qual o maior desafio para você nesta profissão?

O maior desafio ocorreu em novembro passado. Eu larguei a minha profissão na qual eu ganhava um salário bom e resolvi trabalhar com qualquer outra coisa. Pensei: Não iria ficar parada. Consegui um emprego em uma empresa terceirizada. Trabalhei quase dois anos nessa empresa em regime de 12 por 36. Então, nos dias das minhas folgas, eu estava recendo muitas encomendas, mas não dava conta. Eu estava indo trabalhar muito cansada. Vi que com os doces eu ganhava mais e estava cansando menos, porque eu coloco a minha hora, quando tenho minhas encomendas, faço tudo marcado então eu vi que não estava conseguindo descansar. Para mim, era melhor fazer os doces que eu ganhava mais. Tinha dia que eu terminava 23h as encomendas. Era cerca de 30, 40 encomendas e eu acabava indo trabalhar com olheiras. Projetei sair no final do ano, mas quando chegou em novembro, pedi para sair.  Pensei comigo que em janeiro seria tudo diferente, imaginei em alugar um espaço e comecei a correr atrás de tudo para mexer com doces. Aí veio o desastre da pandemia e deixei tudo para trás.

-Nessa pandemia como foi atender os clientes?

Rodinei Crescêncio

Nayara Aline Nogueira - doceira - Entrevista da Semana

Nayara Noya começou a lutar muito cedo, com os irmãos, mas viu que não era uma carreira

 

Foi um pouco difícil. Eu perguntava: tem algum problema? Porque eu uso a máscara, toca, luva.  Não. Não tinha problema nenhum. As minhas embalagens eu passava álcool em gel, para não ter problema algum. Antes da pandemia estava com muita encomenda grande, doces, bolos. Quando veio a pandemia diminuiu, mas sempre atendendo educado. Nessa fase comecei a fazer bolos pequenos de 1kg, porque as pessoas começaram a fazer festas em casa. Fazia kits de bolos e doces com valor de 90 reais e assim foi indo, fui adaptando aos poucos.

-Da vida de lutadora para a culinária, o que muda?

Muda muito, a flexibilidade que eu tenho na luta. A luta é totalmente diferente. Você tem que ter flexibilidade muito grande, lógico que você mexe aqui. Na culinária você vai mexer os braços, eu sinto muitas dores nos meus braços, nas minhas costas. Término quebrada, igual se eu tivesse num campeonato e lutado com um monte de gente. Meu sonho era ser lutadora profissional, tanto eu como meus irmãos também. Desde quando a gente começou, nós vivíamos para isso. Depois que eu cheguei aos 10, 12 anos, quando participávamos muito de campeonatos para fora, nosso sonho era ser convocado para seleção brasileira. Mas foi chegando uma certa idade que nós observamos que não dava mais. Chegou 16, 17 anos e foi cansando também, pois a gente tinha que estudar, porque não vivíamos apenas daquilo. Nós tínhamos a bolsa, mas só aquilo ali não supria o que a gente precisava. Cada um foi seguindo o seu caminho, como a faculdade. Nesse período até meus 17 anos quando larguei a luta, eu sabia que minha mãe já tinha ensinado, mas eu só estudava. Depois com a faculdade eu comecei que mexer com os doces.

Rodinei Crescêncio

Nayara Aline Nogueira - doceira - Entrevista da Semana

Bolos preparados por Nay, que neste ano pensa em fazer cursos e se aprimorar ainda mais

- Qual a sensação ao concluir um trabalho, encomenda?

Olha, aliviada, mais com sucesso, concluído. Sempre mando fotos antes para os clientes, aí eles comentam. No outro dia, recebo os elogios. Isso eu sinto algo muito grande, é uma alegria, amor, aquilo ali é uma paixão, o doce é minha paixão.Eu sempre fui na parte de doces. O meu paladar gosta mais do doce. Então é uma coisa que eu fui puxando mais para o doce. Eu largava o salgado para comer doce. Então para mim eu preferi pegar mais o paladar doce. Eu faço coisas diferentes, pego massas e vou dando para o povo aqui de casa experimentar para ver se está certo e vou colocando isso. Eu não tenho curso ainda. Ano passado tentei, mas eu quero fazer presencial neste ano. Por conta da pandemia, no ano passado não consegui fazer. Agora, estou atrás para fazer um curso avançado em decorações, bolos e alguns doces. 

- O que mais te surpreendeu quando decidiu seguir essa profissão?

O que me surpreendeu é que as pessoas procuram demais. Nessa pandemia cresceu muita gente fazendo o chamado "copo da felicidade", entre os bolos de potes. Então é preciso inovar. O que meu surpreendeu foi q procura do cliente e eu não sou de ficar postando muita coisa. Então vi que essa é a minha profissão mesmo. Meu sonho é abrir um lugar. Aos poucos estou indo, estou realizada e é o que eu quero mexer, com bolos doces em geral.

Veja um dos sucessos da Nay, a "bala baiana"


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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