Quarta-Feira, 20 de Janeiro de 2021, 16h52
ATIRADORA CONDENADA
"Deixei escapar um suspiro dolorido", diz mãe de Isabele após internação de menor

Ana Flávia Corrêa e Bárbara Sá

Reprodução de vídeo

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Patrícia Guimarães Ramos, mãe de Isabele, avalia que a Justiça foi "assertiva" na decisão

“Deixei escapar um suspiro dolorido que estava me angustiando e ancorando minha vida e do meu filho, um martírio de sofrimento e de muito pranto”, disse nesta quarta (20) Patrícia Helen Guimarães Ramos, mãe da menor Isabele Guimarães, morta em julho de 2020 por uma amiga no condomínio Alphavile 1, em Cuiabá.

Fala veio após decisão da juíza da 2ª Vara Especializada da Infância e da Juventude de Cuiabá, Cristiane Padim, que decidiu pela internação da menor que cometeu o crime. Desde esta terça (19), ela está cumprindo a pena no Complexo Pomeri. Sentença a condenou a reclusão de 3 anos por ato infracional análogo a homicídio doloso e qualificado.

“A Justiça foi assertiva e descreveu perfeitamente o enredo baseado em perícias técnicas e listou de forma clara e objetiva a conduta criminosa, fria, hostil e desumada da menor que assassinou a minha filha cruelmente, não deixando se levar pela farsa que desde o primeiro momento a família da menor infratora insistiu em montar para encobrir a crueldade do assassinato da minha filha”, afirmou.  

Patrícia também citou o nome de Marcelo Cestari, pai da menor condenada, em sua nota. Ela afirmou que família tentou de maneira insistente fazer com que acreditassem que eles eram os inocentes, que foram perseguidos e ameaçados. Ela, no entanto, afirmou que foi Isabele a vítima.

“Talvez ontem ele deve ter olhado para a cama vazia da filha e sentido a falta dela, mas vai ao final poder conviver com ela novamente. Eu não. Meu filho não. A minha família não. Jamais poderemos ter a Bele de volta para podermos amá-la e vê-la crescer. Nosso luto e luta serão eternos”, desabafou.

Culto à arma

Para a mãe, é preciso combater que adolescentes, que não podem ser responsabilizados por seus atos, frequentem escolas de tiros e manuseiem armas letais. Patrícia citou que existem provas da veneração e culto às armas pelas famílias envolvidas no crime e que “tragédia anunciada” poderia ter ocorrido com qualquer um dos jovens.

“Sei que a assassina não apertou o gatilho da arma que ceifou a vida da Bele sozinha. Esse crime começou bem antes, quando a arma rodou pela cidade, nas mãos de outro melhor, que como visto nas mídias sociais costumava sair armado. Pasmem, esse menor levava a arma para a escola, na mochila junto com biscoitos”, disse.

“Lamento muito o fato de nossa sociedade estar convivendo com essa insanidade relapsa que coloca o poder de tirar vidas, com requinte cruel e covarde, nas mãos de menores, demonstrando como está errado o trato e a posse de armas no nosso país”, finalizou.

O crime

Isabele foi morta no dia 12 de julho de 2019 com um tiro na cabeça. Ela estava no banheiro da casa da família da atiradora no mesmo condomínio onde morava. Polícia Civil apurou que jovem estava no cômodo junto com Isabele com uma arma de fogo apontada para a sua cabeça e atirou a curta distância.

Investigadores concluíram que adolescente tinha consciência dos riscos de apontar a arma para a vítima e, por isso, ao menos assumiu o risco de matá-la. Delegado da Delegacia Especializada do Adolescente, Wagner Bassi, afirmou que jovem tinha conhecimento técnico para manusear uma arma por treinar tiro com o pai.


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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