Domingo, 17 de Maio de 2009, 11h16
COBRANÇA
Motoristas de ônibus cobram reajuste e já falam em greve


   Motivados pelo reajuste da tarifa do transporte coletivo de Cuiabá, anunciado no último dia 4 pelo Conselho Municipal de Trânsito, saiba mais aqui -, motoristas e cobradores de ônibus já pressionam as empresas que exploram o serviço por reajuste salarial. Em assembleia realizada neste sábado (16), eles votaram a favor da deflagração de greve, por tempo indeterminado, ainda este mês. A data de paralisação das atividades ainda não foi definida. Segundo informações do Sindicato dos Motoristas Profissionais e Trabalhadores em Empresas de Transportes Terrestres de Cuiabá e Região (STETT/CR), a categoria está revoltada com a ausência de recomposição salarial, enquanto os patrões lucraram com sucessivas majoração no preço da tarifa.

   Atualmente, os cobradores recebem R$ 750 ao mês para trabalhar sete horas e vinte minutos por dia. Os motoristas, por sua vez, cumprem a mesma jornada e ganham R$ 1,2 mil mensais. "É muito pouco para um chefe de família. Se houve inflação e os preços dos insumos aumentaram, significa que também estamos pagando mais caro com comida, roupa e remédios", reclamou neste domingo (17) uma cobradora, que não quis ser identificada. 

  Enquanto trabalhadores ameaçam parar os ônibus, proprietários das empresas de transporte oferecem, em contrapartida, reajuste de apenas 2%, com redução simultânea da carga horária para quatro horas e cinquenta minutos ao dia. Na avaliação de cobradores e motoristas, contudo, a medida reduzirá ainda mais a remuneração mensal da categoria, pois a diminuição de horas trabalhadas terá impacto nos salários. "Se a proposta patronal for aprovada, haverá necessidade de mais contratações, porém os funcionários vão ganhar menos em função da redução da carga horária. Para as empresas não muda nada, mas haverá perdas para os próprios funcionários", apontou um motorista. Ele destacou ainda que não haverá possibilidade dos trabalhadores recorrerem à hora-extra. "Como o salário é baixo, há cobradores e motoristas que fazem questão de fazer hora-extra para poder ganhar um pouco mais no final do mês", relatou.         

   Conforme a decisão do Conselho Municipal de Trânsito, a tarifa, atualmente fixada em R$ 2,05, subirá para R$ 2,43. Este é o limite a que pode chegar o reajuste. Para a decisão do conselho ser efetivada, basta o prefeito Wilson Santos (PSDB) assinar um decreto tornando-a pública. Empresários da Associação Mato-Grossense dos Transportadores Urbanos (MTU) alegam que há pelo menos dois anos a passagem de ônibus em Cuiabá não tem aumento, em detrimento dos custos operacionais, como manutenção dos veículos, pagamento de salários, despesas com combustíveis, peças etc. Entidades e ONGs, no entanto, entraram na Justiça na tentativa de barrar o reajuste da passagem - veja mais aqui.

   Caso os motoristas e cobradores paralisem as atividades, cerca de 250 mil usuários que utilizam diariamente o transporte coletivo em Cuiabá serão prejudicados. Atualmente a frota de coletivos é composta por 356 ônibus. (Andréa Haddad)


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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