Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2009, 17h16
CÂMARA FEDERAL
Turma de Arcanjo pode voltar à ativa após projeto de lei


   A "turma" de João Arcanjo Ribeiro, o Comendador, pode voltar à ativa. Na última quarta (16), a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal aprovou a reabertura das casas de bingo  e máquinas caça-níqueis. Para valer, o projeto deve passar ainda pelos plenários da Câmara, Senado e pela sanção do presidente da República, antes de se tornar lei. Mesmo ainda faltando um longo processo até a cartada final, o chefe do crime organizado de Mato Grosso já deve estar comemorando.

    O projeto já aprovado pela CCJ, por 40 votos a 7, regulamenta toda atividade de jogos no país. De acordo com  proposta, as casas de bingo deverão pagar à União e aos Estados 17% das receitas. Deste total, 14% serão destinados à saúde, 1% à cultura, 1% ao esporte e 1% à segurança pública. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Bingos (Abrabin), Olavo Sales da Silveira, o setor deve destinar aos cofres públicos R$ 6 bilhões por ano em impostos e criar 250 mil empregos diretos. O texto explica também que será feito uma espécie de cadastro nacional, regulamentado pelo governo, para registrar pessoas consideradas "viciadas" em jogos, que não poderiam frequentar os bingos, porém não ficou explicado como será feita essa constatação.

   O relator do processo na CCJ, Régis de Oliveira (PSC-SP), defende com unhas e dentes a aprovação da lei. Ele acredita que a reabertura das casas de jogos permitirá o controle por parte da Receita Federal. Outros que também já se alegram com o processo são os empresários do ramo, como por exemplo Jair da Ressurreição Paula, dono dos bingos Imperatriz e Imperador, de São Paulo, e de outras 20 casas espalhadas pelo país. Mesmo assim, eles negam que as casas sejam usadas para fins de corrupção. Já na Câmara Federal, o assunto é tema de rixa entre deputados, pois alguns já se manifestam contra a volta dos jogos de azar. José Aníbal, que é líder do PSDB na Câmara, é um dos parlamentares que são contra o projeto.
 
   Os jogos de azar foram proibidos no Brasil em 2004 por meio e uma medida provisória e, desde então, as casas de jogos que ainda se encontravam com as portas abertas funcionavam por meio de liminares.

   Caso Arcanjo

   João Arcanjo Ribeiro, considerado o maior "bicheiro" do Estado, ganhava a vida com os jogos de azar. Ele é acusado de ter sonegado R$ 840 milhões em impostos, além de ter sido o mandante do assassinato do jornalista Domingos Sávio Brandão, então dono do jornal Folha do Estado. Foi preso em 2003, no Uruguai. O Comendador, título concedido pelos representantes da Assembleia do Estado, começou com a vida de bicheiro em 1983, ainda no Mato Grosso do Sul. Em 1985, quando chegou em terras mato-grossenses, trasformou sua marca, "Colibri", em seu símbolo de poder. Os crimes foram descobertos quando a Polícia Federal, por meio da Operação Arca de Noé, expediu mandado de prisão preventiva. Ao saber do que estava acontecendo, Arcanjo deixou as terras brasileiras. Durante três meses em que ficou foragido, ele foi procurado pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), que só o encontrou, em abril de 2003, por portar documentos falsos em Montevidéu, no Uruguai. Atualmente, Arcanjo cumpre pena no presídio federal de Campo Grande. (Lisânia Ghisi)


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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