Sexta-Feira, 20 de Novembro de 2009, 21h51
PESAR
Garcia sabia conviver com as críticas, lembra ex-secretário


  Garcia Neto, que morreu aos 87 anos e foi enterrado neste feriado de sexta, em Cuiabá, com honras de Chefe de Estado, figura na lista de grandes estadistas mato-grossenses, assim como os também ex-governadores José Fragelli (71/75) e Dante de Oliveira (1995/2002). É o que o jornalista Onofre Ribeiro, que foi secretário estadual de Comunicação da gestão Garcia (75/79) e hoje, três décadas depois, ocupa o posto de adjunto da mesma pasta, sob o governo Blairo Maggi. “Eles tinham uma visão diferente, global. Na minha opinião foram os únicos estadistas que passaram por MT”, diz Onofre, durante velório na capela Jardins. Na sua opinião, uma característica diferenciada de Garcia era o modo como tratava a imprensa. Lembra que o ex-governador e ex-prefeito de Cuiabá sabia lidar muito bem com às críticas e aceitá-las. “Ele era muito político e tinha um trato especial com a imprensa”.

   Já sobre a polêmica divisão territorial de Mato Grosso, que aconteceu efetivamente em 1979, Onofre lembra que Garcia ficou isolado no chamado “Mato Grosso do Norte” e que os debates praticamente não passavam por essa região. “As discussões eram escondidas e aconteciam em Campo Grande. Todo esse imbróglio se estendeu por quase todo o governo de Garcia Neto”, relembra o ex-secretário. O decreto que culminou no surgimento de Mato Grosso do Sul doi assinado pelo então presidente Ernesto Geisel.

   Garcia Neto chegou a escrever um livro sobre o movimento separatista e, pela previsão da família, deve ser lançado em fevereiro do próximo ano, como uma homenagem póstuma. Engenheiro civil e sergipano, ele ocupou vários cargos eletivos. Foi prefeito de Cuiabá (55/59), vice-governador de Fernando Correa da Costa (61/66) e deputado federal por duas vezes, sendo o mais votado. Em 78 e 82 concorreu, sem êxito, ao Senado.

Onofre Ribeiro, que foi secretário do governo Garcia Neto  Onofre lembra que Garcia Neto teve como secretários de Estado José Ferreira Freitas, na Administração, coronel Évora, na Segurança, Edward Reis da Costa , na Justiça, Octávio de Oliveira, como secretário de Fazenda; Edmundo Taques (Agricultura), João Moreira de Barros (Procurador-Geral do Estado) e Archimedes Pereira Lima (Casa Civil), que atuou como braço-direito do governo. Já como prefeito de Cuiabá, Garcia Neto enfrentou situações um tanto curiosas, recorda Onofre Ribeiro. Segundo ele, a construção da chamada ponte da “Confusão”, na Prainha, rendeu muitos conflitos. Como não havia rede de esgoto na região, o então governador João Ponce de Arruda mandou embargar a obra. Garcia “peitou” o governador e deu sequência à construção da ponte. “A partir daquele enfrentamento, Garcia passou a ser respeitado em todo o Estado”, avalia Onofre. A ponte da Confusão foi desmanchada em 1984 com a chegada das rede coletora de esgoto. Para o ex-secretário de Garcia Neto, ficam a lembra e os registros históricos de um estadista com visões abrangentes. (Patrícia Sanches)


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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