Terça-Feira, 25 de Dezembro de 2007, 02h01
COBRANÇA
PT nacional sofre bloqueio por dívidas em MT



* 3 promissórias assinadas por Delúbio e Alexandre revelam caixa 2 de campanha e resulta em conta bloqueada 

* Empresário de MT que prestou serviços como produtor do programa do petista na TV em 2004 vai receber R$ 1 mi

   Três anos depois, o empresário mato-grossense Rodrigo Stabille Piovezan, da Beta Vídeo, que fez a produção da campanha eleitoral na TV de Alexandre Cesar à Prefeitura de Cuiabá em 2004, consegue êxito na Justiça e vai receber praticamente R$ 1 milhão da direção nacional do PT. Por decisão judicial, o caixa do partido presidido pelo deputado Ricardo Berzoini está bloqueado. Ficará nessa penhora on line até que o partido reúna todo o dinheiro para quitar a dívida.

    O pior é que esse débito faz parte do esquema do caixa 2. O próprio Alexandre, então presidente regional do PT e hoje deputado estadual, e Delúbio Soares, que era tesoureiro da Nacional, foram quem assinaram três notas promissórias, totalizando R$ 916.887,00. Delúbio foi o pivô de uma das maiores crises políticas do país. Ele atuava junto com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza no chamado valerioduto, com captação de recursos para o PT e no mensalão supostamente pago a parlamentares da base aliada do governo Lula.

Rodrigo Piovezan consegue bloqueio das contas do PT para receber R$ 1 milhão    Rodrigo Piovezan foi um dos poucos credores do PT no país que conseguiram confissão de dívida assinada por Delúbio de uma contabilidade parelela. Em poder das duplicadas, o jovem empresário recorreu à Justiça, após tentativas inúteis de receber o dinheiro tanto junto ao diretório estadual quanto ao nacional. Conforme as promissórias assinadas por Delúbio e Alexandre em nome das direções nacional e estadual, o PT se comprometeu a liquidar os R$ 916,8 mil em três parcelas.

     A primeira duplicata (001/003) apresenta valor de R$ 295.732,00. Venceu em 28 de março de 2005, três meses antes de estourar a crise política por conta do caixa 2 e do mensalão. Os escândalos nocautearam o PT, afundaram o governo Lula, provocaram queda de ministro e renúncia e cassação de deputados.

    A segunda duplicada (002/003) com valor de R$ 305.521,00 teve vencimento em 28 de abril. A terceira (003/003), de R$ 315.634,00 deveria ter sido paga até 28 de maio do mesmo ano. Como nenhuma delas foi liquidada, Piovezan bateu a porta da Justiça com ação por Quantia Certa Contra Devedor Solvente, citando os diretórios estadual e nacional petista. Sob número 277/2005, o processo tramitou na 21ª Vara Cível de Cuiabá desde 22 de agosto de 2005.

   A ação proposta por Piovezan, por meio de seus advogados Pedro Sylvio Sano Ltvay e Wagner Moreira Garcia, relata que "por inúmeras vezes e de forma amigável, o exequente buscou a satisfação do seu crédito, o que resultou infrutíferas tais tentativas, não restando a ele outra alternativa senão socorrer-se à ação executória". Piovezan é sócio-proprietário da Beta Vídeo, produtora que realizou vários trabalhos para o PT na campanha eleitoral de 2004, principalmente em Cuiabá.

    Há vários credores do PT na fila para receber. O partido, em nome de alguns dirigentes, emitiu até cheques sem fundos, nove deles, que totalizam R$ 351,6 mil, foram assinados como crédito para a Gráfica Print Indústria e Editora Ltda. A empresa ingressou com três ações na Justiça, já que também foi vítima de calote.
Confira abaixo reprodução das 3 promissórias assinadas por Delúbio Soares e Alexandre Cesar.


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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