Terça-Feira, 22 de Abril de 2008, 07h20
ARTICULAÇÃO
Bezerra ignora Sávio e leva o PMDB para Santos


  O acordão do PMDB para apoiar o  projeto de reeleição do prefeito de Cuiabá, Wilson Santos (PSDB), selado na última quinta (17), em um jantar na casa do vereador Mário Lúcio (PMDB), tem causado estranheza dentro do próprio partido. O vereador Domingos Sávio é um dos que questionam essa adesão. Ex-presidente do diretório municipal, o ex-petista foi ignorado. Foi atropelado pelas ações do cacique Carlos Bezerra, que conduz o PMDB em Mato Grosso há mais de uma década. Agora, está no pacote da aliança e se vê obrigado a mudar o discurso, sob pena até de enfrentar a comissão de ética, o que poderia inviabilizar sua candidatura à reeleição.

    Segundo Sávio, o PMDB cuiabano se precipitou. Observa que, em nível nacional, a discussão gira em torno da formação de um bloco com PT e PR. Além se ancorar no cenário nacional, Sávio tem mais um argumento. Afirma que desde que assumiu cadeira na Câmara faz oposição ao prefeito. A sua contrariedade à gestão tucana foi maior quando o prefeito autorizou o aumento da tarifa do transporte coletivo, ensaiou privatizar a Companhia de Saneamento da Capital (Sanecap) e elevou o IPTU. O vereador lamenta o fato de sua opinião não importar nesse processo. Diz que, sequer, foi consultado. Hoje quem conduz o PMDB em Cuiabá é o vereador Lutero Ponce, presidente da Câmara Municipal. Lutero, aliás, ri à-toa, mesmo sob investigação do Ministério Público por supostos atos de improbidade da Mesa Diretora.

   Contrariedade

  "Tudo que sei é porque acompanho pela imprensa. Ninguém nunca me convidou para essas reuniões. Eles sabem que não sou favorável. Eles podiam ter esperado mais um pouco”, critica Domingos Sávio. Perguntado se sente-se ignorado pelo partido, o parlamentar respondeu que não ficou nem um pouco contente. “Eu poderia ter participado, mas tudo bem. Não tenho problemas com isso. Estou voltado para o meu projeto de reeleição. Tudo é uma questão de se avaliar". Sávio lembra que em 2006, o PMDB fechou aliança com o PPS para apoiar à reeleição o governador Maggi e o deputado Zé do Pátio preferiu se manter neutro. Essa pode ser a mesma opção do vereador.

   Sávio sinaliza que vai manter uma posição de independência, mas admite que vive uma situação de conflito com a bancada peemedebista na Câmara. Em tom irônico, ele disse que não consegue entender “Lutero e o vereador Mário Lúcio podem aceitar tão facilmente o acordo”. “Quando tenho uma posição, eu tenho, mas na política acontece coisas que até Deus duvida”. (Simone Alves)


Fonte: RDNEWS - Portal de notícias de MT
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