Judiciário

Quinta-Feira, 27 de Fevereiro de 2020, 18h:00 | Atualizado: 27/02/2020, 19h:21

Testemunhas depõem

Avó de menina envenenada por madrasta pede por "justiça" na chegada à audiência

Rodinei Crescêncio

julgamento menina envenenada

Advogado Eduardo Luciano Augusto Neves e vovó da menina Mirellas, Claudina Chue, no Fórum de Cuiabá nesta quinta (27) durante audiência da madrasta

Quinze testemunhas, a maior parte delas de acusação, estão sendo ouvidas na tarde desta quinta (27), na primeira audiência de instrução de Jaira Gonçalves de Almeida, suspeita do envenenamento e homicídio da enteada Mirella Poliane Chue de Oliveira, de 11 anos. O pai da menina e a avó materna, Claudina Chue, também estiveram na 14ª Vara Criminal do Fórum de Cuiabá, onde ocorre as oitivas. O  juiz Jurandir Florêncio de Castilho Júnior, titular da vara, conduz a sessão e pode definir por mandar a ré a júri popular. 

O advogado de Claudina, Luciano Augusto Neves, explicou que cerca de 90% das testemunhas que estavam na audiência faziam parte da defesa. Luciano não deu muitos detalhes sobre a audiência, já que o processo corre em segredo de Justiça.

No momento, o pai de Mirella presta depoimento no Fórum. De acordo com os familiares que acompanham a audiência, Jaira deve ser a última ser ouvida. A expectativa da defesa é de ouvir todas as testemunhas arroladas o quanto antes, já que o andamento do processo depende da finalização das oitivas, incluindo a de Jaira.

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Médicos dos hospitais Santa Rosa e Femina que atenderam a criança durante o processo de intoxicação também foram chamados para prestar depoimento. "Se não houver nenhuma outra diligência ou requerimento das partes já será possível para o magistrado que prolatar a sentença, chamada de sentença de pronúncia", explicou. 

Segundo Luciano, o magistrado levará em consideração, além dos depoimentos da defesa e acusação, provas colhidas durante o processo, que deverão determinar elementos de autoria e materialidade, para que seja possível afirmar que o delito foi praticado contra a vida de forma dolosa.

Após a sentença, o caso pode seguir para o Tribunal do Júri, onde a ação será apreciada e a suspeita será julgada. Emocionada, mas afirmando estar segurando as lágrimas para se "manter forte, a avó de Mirella ressaltou que não descansará enquanto a "Justiça não for feita". 

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Em desabafo, Claudina disse que a família sequer teve direito de passar pelo luto da morte da neta para conseguirem buscar por justiça. Com a voz embargada, ela lamentou ter esquecido de levar uma camiseta com a foto de Mirella, feita em homenagem à memória da menina, e afirmou ser uma "avó coruja". 

"Meus netinhos, para mim, são a coisa mais importante da vida, sempre foram. Minha família é unida para o que der e vier, nas horas difíceis e de dificuldades, que as vezes temos. Meu esposo estava doente dias atrás, eu também. Temos que agradecer por estarmos de pé ainda, vou continuar lutando", afirmou. 

Claudia explicou que, mesmo prester a completar nove meses desde a morte de Mirella, o crime ainda é revivido diariamente pela família, por conta do trauma e da crueldade com que a menina morreu. Segundo a Polícia Civil, a vítima foi morta com doses diárias de veneno de venda proibida durante dois meses, período em que ela deu entrada em hospitais diversas vezes. 

Exames complementares realizados pela Politec detectaram duas substâncias no sangue de Mirella, uma delas seria de um veneno que provoca intoxicação crônica/aguda e morte. Foi constatado ainda que Jaira teria cometido o crime sozinha, sem auxílio de outra pessoa.

O pai da vítima não teve envolvimento direto e teria sido induzido ao erro pela mulher. A madrasta teria o controle de todas as situações referentes a vida familiar – financeira, educação, saúde e demais cuidados com a criança.

Os delegados informaram que todas as vezes que a menina passava mal era socorrida e levada ao hospital, onde ficava internada de três a sete dias. Como ela acabava melhorando, os médicos liberavam a família para levá-la de volta para casa, onde acabava adoencendo novamente. 

Motivação

Investigação da Delegacia Especializada de Defesa da Criança e do Adolescente (Deddica) de Cuiabá, constatou a existência de um plano criado por Jaira, que pretendia matar Mirella para ter acesso a uma herança de R$ 800 mil deixada à ela após a morte da mãe, que morreu após erro médico durante o parte. 

Em 2019, após 10 anos, o processo chegou ao fim com causa ganha à família. Parte do dinheiro ficaria depositado em uma conta para a menina movimentar somente na idade adulta. A Justiça autorizou que fosse usada um pequena parte do dinheiro para despesas da criança, mas a maior quantia ficaria em depósito para uso após a maioridade, aos 24 anos. 

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