Judiciário

Terça-Feira, 23 de Março de 2010, 16h:46 | Atualizado: 26/12/2010, 12h:25

ANÁLISE

CNJ expõe práticas coorporativas arraigadas no Judiciário do Estado

   A aposentadoria compulsória de 11 magistrados em menos de um mês expõe negativamente o Judiciário mato-grossenses no cenário nacional, até mesmo pelo ineditismo dos dois julgamentos no Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O órgão colocou o dedo numa ferida aberta há 11 anos, com o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, até hoje não esclarecido, após denúncias graves de venda de sentenças.

   De lá para cá, a maioria dos citados no escândalo se aposentou, mas os substitutos não deixaram de lado o apego às práticas consideradas moralmente e/ou juridicamente irregulares. Nesta terça (23), por exemplo, o CNJ determinou a aposentadoria compulsória do desembargador José Jurandir de Lima por ter contratado dois filhos para cargos de servidores comissionados no gabinete dele. Para se ter uma ideia do clima de “paternalismo” que pairava sobre o Tribunal de Justiça, Tássia Fabiana Barbosa de Lima e Bráulio Estefânio Barbosa de Lima, filhos do desembargador, nem sequer apareciam para cumprir expediente, já que ela morava em São Paulo, enquanto ele cursava medicina em tempo integral.

   A punição anterior do CNJ, de 23 de fevereiro, também expôs ao país os atos corporativistas, costumeiramente adotados por ao menos 10 magistrados do Judiciário de Mato Grosso. Parte dos três desembargadores, incluindo o presidente Mariano Travassos, e sete juízes chegou ao cúmulo de admitir nos depoimentos que a liberação de R$ 1,5 milhão de créditos irregulares dos cofres do TJ serviria para "um bem maior” – ajudar colegas maçons em situação financeira deficitária devido à derrocada de uma cooperativa ligada ao grupo.

   Agora com a aposentadoria dos 11 magistrados, a expectativa é que se encerre um clico vicioso de irregularidades cometidas com base em práticas nefastas, arraigadas na cultura do Judiciário mato-grossense - saiba mais aqui e aqui.

Quem são os 11 magistrados "punidos" com a aposentadoria

Desembargadores...
José Jurandir de Lima
José Ferreira Leite
José Tadeu Cury
Mariano Alonso Travassos

... e juízes
Marcelo Souza de Barros
Irênio Lima Fernandes
Antônio Horácio da Silva Neto
Marcos Aurélio dos Reis Ferreira Leite
Juanita Cruz Clait Duarte
Maria Cristina de Oliveira Simões
Graciema Caravellas

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Comentários (5)

  • Dilma | Quarta-Feira, 24 de Março de 2010, 11h55
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    É isso mesmo Darli, pra quem ingressou no TJ há alguns anos como é o nosso caso...já vimos tanta coisa...você só esqueceu de mencionar o fato desses parentes receberem por determinada Comarca, sendo que só a conheceram no dia da posse, sem jamais pra lá retornar.

  • Gilmar Brunetto | Terça-Feira, 23 de Março de 2010, 20h41
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    Parabens ao CNJ até que enfim uma instituição que veio para cumprir com sua missão, agora a situação do parlamentar mais processado de MT que segundo calculos atualizados do MP desviou mais de meio Bilhão de Reais dos Cofres da Asebleia Legislativa de MT se complica mais ainda, pois dos fornrcedores de liminares para este parlamentar só falta aposentar(afastar) mais um Desembargador, que pode a qualquer momemnto requerer sua aposentadoria e o mesmo corre o risco de ver o sol nascer quadrado, a situaçao dele é mais graves que a de todos os afastados. Toda a vez que alguma viatura da PF circula la pelas bandas do TJ vira um alvoroço.

  • Olga | Terça-Feira, 23 de Março de 2010, 17h44
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    Muito boa a matéria. Espero sinceramente que alguma coisa melhore depois de tudo isso.

  • Darli Candido | Terça-Feira, 23 de Março de 2010, 17h18
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    Continuando: Há muitos anos que vejo parentes de Juízes só recebendo sem trabalhar, fora o tal de cargo de confiança que ficava cinco anos trabalhando e incorporava altos salários. Muitas vezes eram pessoas que tinham feito concurso prá zelador, copeira e pegavam cargos de confiança e ganhavam mais de quatro mil reais. Enquanto quem rala ganha uma miséria.

  • Darli Candido | Terça-Feira, 23 de Março de 2010, 17h15
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    Eu acredito e tenho certeza que não expões negativamente o nosso Estadp não ! Pois, o que se está fazendo é uma limpeza. Em Rondônia e Espírito Santo os presidentes dos TJs foram é presos. O nosso TJ sempre foi uma vergonha todos sabiam disso, até que enfim o CNJ mostrou para que veio. Há muitos anos q

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